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Editorial | Cultura do after: magia e cuidados necessários

Onde é o after? Essa é a pergunta que une clubbers e ravers! O termo “after” já está tão difundido que podemos dizer que ele já possui vida própria, mas sua origem na língua inglesa vem de after party, que significa pós-festa, ou um evento menor que acontece após um principal.

Assim como tudo no mundo, existem afters e afters. Você provavelmente já caiu em uma armadilha, aquela festa estranha com gente esquisita do tipo que dá medo, mas se é um cara de sorte e de contatos provavelmente já teve a oportunidade de participar de afters mágicos, alguns até melhores do que a festa que era pra ser a atração do fim de semana. Como isso é possível?

O ambiente intimista é o que faz os afters especiais

Eles são menores que as “festas principais”, porém geralmente possuem uma proporção maior de pessoas que realmente vivenciam a cena eletrônica, tanto a parte mais aficionada do público, como artistas e profissionais do ramo. As convenções sociais são diferentes, os ares são de “festa na casa de alguém” (e muitas vezes os afters são literalmente isso), ou seja, para estar lá há de se haver uma conexão com quem está promovendo o evento, o que faz com que as pessoas fiquem mais à vontade para que se estabeleçam diálogos e relações mais profundas. As festas normalmente são diurnas e com ambientes mais confortáveis do que o proporcionado por clubs, o que contribui para que haja uma dinâmica mais leve entre as pessoas.

É nesse tipo de festa que DJs encontram seu lazer, e isso vale em qualquer escala: tanto big names mundiais como o seu amigo que toca, salvo as raras exceções que confirmam a regra. É a oportunidade para se relacionar com outros artistas e personas da cena, bem como tocar com mais ousadia, explorando diferentes lados de suas pesquisas e experimentando uma conexão mais intensa com a pista. Esse é um dos fatores que cria a magia do after no imaginário popular: a chance de ver o seu ídolo de perto, tocando um som diferente, especial para poucos privilegiados.

A linha tênue que separa o nirvana e a overdose

Ir a uma festa logo após outra tem um custo, e eu não estou falando só de dinheiro. O corpo humano é programado para seguir o ritmo circadiano, ou seja, o ciclo de 24 horas que envolve dormir e passar pelos diferentes estados físicos e mentais de uma vida normal. Em uma festa noturna já estamos quebrando o ciclo, virar a noite e ir a um segundo evento é um choque ainda maior.

É a partir daí que alguns recorrem ao caminho mais fácil, mas que pode gerar ainda mais prejuízos no longo prazo: cometer excessos. Eventualmente você verá um artista tendo que entregar os decks por não conseguir mais tocar, ou algum frequentador fora de si tendo que ser contido. Seja pelo consumo de drogas lícitas ou ilícitas, o problema geralmente não está na substância, e sim na relação que se estabelece com ela. Por isso que temos que falar cada vez mais em redução de danos.

Uma das maiores hipocrisias que a sociedade ainda precisa superar é a criminalização dos usuários de drogas. É inerente ao ser humano buscar a alteração do seu estado físico ou mental a partir de alguma substância. Seja o cafézinho, a cervejinha ou o remedinho, são poucos os que conseguem administrar sua própria vida sem precisar recorrer a aditivos. O que é necessário é que haja informação de qualidade, para que cada um saiba exatamente a que efeitos (positivos e negativos) está se expondo, bem como haja suporte para caso considerem que precisam de ajuda.

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Afterista é atleta fundista

É importante que as pessoas saibam que o estilo de vida levado durante a semana influencia diretamente no comportamento do corpo e da mente quando estiverem sendo submetidos às condições extremas do after. É como um esporte de alto rendimento: você força seus limites para conseguir algo, que nesse caso é aproveitar tudo o que a segunda festa tem a oferecer. Sendo assim, é importante seguir aquelas regrinhas básicas de saúde, como manter uma boa alimentação, exercitar-se regularmente, evitar o stress, dormir bem. Durante o evento, beber bastante água, lembrar de comer e ir ao banheiro regularmente manterá o corpo com vitalidade por mais tempo, bem como facilitará a recuperação que vem depois.

E mesmo o after, uma hora ele tem um fim, melhor que seja com possibilidade de ficar umas boas horas na cama se recuperando, né? A semana seguinte não será normal, mas com os cuidados certos o sofrimento é menor e ficam apenas as boas memórias de tudo o que foi vivido naqueles intensos momentos. 

A música conecta.