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A música conecta

Alataj entrevista Albin

Por Ágatha Prado em Entrevistas 11.08.2021

Flávio Albin é uma figura constante e ativa no cenário underground brasileiro. Você já deve ter ouvido o nome dele através da gaúcha Goma Rec, ou mesmo colaborando com o coletivo mineiro Masterplano, ou ainda por meio de sua gravadora Yellow Island, uma das forças da música eletrônica nacional independente.

Com ouvidos atentos na execução de uma exímia curadoria, Albin traz sua longa experiência dentro da cena nacional para um trabalho inovador dentro da Yellow Island. Completando três anos de atividade, o label já conta com um catálogo de 12 releases, reunindo artistas nacionais e internacionais do Lo-Fi, IBM, Leftfield e House, estreitando os laços com seu público e colaboradores.

Agora já atingindo a maturidade, a Yellow Island entra para uma nova fase contando com a colaboração da produtora americana Etari, nome já familiar dentro do catálogo da gravadora, e ainda vem apresentando um novo V.A Yellow Island Various Artists 2021, contando com 20 artistas de várias partes do mundo.

Confira o papo que tivemos com Flávio Albin sobre o atual momento da gravadora, além das novidades que estão por vir no catálogo nos próximos meses.

Alataj: Olá Flávio, tudo bem? Obrigada por conversar conosco. Você tem uma longa vivência com a música eletrônica, já colaborou em diversos núcleos independentes como curador, e há três anos está à frente da Yellow Island como manager. Como todas essas prévias experiências no mundo da eletrônica colaboraram para o desempenho do seu trabalho com a gravadora?

Albin: Olá galera, é um prazer! Torcendo para que tudo fique bem logo. Estamos passando por um momento muito delicado em nosso país e no mundo.

Ter colaborado em diversos coletivos ao redor do país foi realmente uma experiência de amadurecimento, uma análise de como a cultura e a indústria da música eletrônica underground vem funcionando, tudo sempre se renovando e em cada lugar que passei houve uma grande troca de aprendizados.

Conhecer e pesquisar sobre novos artistas sempre foi uma coisa que me incentivou a levar o label para frente, a troca de experiências entre pessoas de diferentes partes do mundo me ajudou a construir um projeto que tenho prazer em fazer parte e estar gerenciando, onde já ocorreu o envolvimento de artistas muito talentosos e importantes para a indústria da música eletrônica.

Como o cenário de São Paulo – ambiente, espaço, clima, comportamento – influencia na identidade da Yellow Island?

São Paulo é a cidade mais influente da América Latina, a mais multicultural do Brasil, um espaço mundializado onde coisas novas ganham importância, um lugar onde você pode experimentar e sempre terá pessoas interessadas em descobrir algo novo e que se identificam. Estar em um espaço assim nos deixa mais livres para experimentar, morar em um lugar diferente daquele que você cresceu causa um grande impacto em você, e São Paulo abriu a minha mente para novas formas de pensar.

A vivência em um ambiente que está sempre ativo e conectado com o mundo influencia muito a estar sempre produzindo, e o impacto que isso tem no selo é visível no material que temos.

A Yellow Island é uma das responsáveis por inserir o Brasil no mapa da cena  Lo-fi e Leftfield mundial. Você acha que o trabalho da gravadora, de certa forma, despertou um maior interesse do público e dos artistas nacionais para essas vertentes?

Acredito que sim, a Yellow Island abriu portas para várias conexões se formarem entre coletivos, gravadoras e artistas ao redor do mundo através dos nossos lançamentos e shows de rádio, sempre trazendo para o público algo novo. Sempre fomos abertos a vários estilos musicais, deixando os artistas livres para se expressarem e experimentarem, e isso despertou um interesse bem legal do público e artistas pela gravadora.

Quais mudanças que 2020, sobretudo o período da pandemia, trouxe para a gravadora?

Estávamos fazendo a nossa primeira turnê internacional, onde passamos pela Argentina, Portugal, Holanda e Alemanha, e entrando em um momento de fazer eventos, tocar o som que lançamos no label. Com a pandemia, várias gigs da turnê foram canceladas e outros eventos que faríamos foram adiados, o que nos fez focar mais em uma programação virtual nas rádios Internet Public Radio, do México, com o programa State Of Mind, e Balamii, do Reino Unido, no qual sou residente a mais de um ano em ambas. 

A realização de eventos no qual não podemos mais participar mudou bastante a forma que o label estava se desenvolvendo, pois a fonte que tínhamos para financiar lançamentos foi interrompida por tempo indeterminado. Acho válido pontuar também que no Brasil não existe a cultura de se comprar música e não podemos contar com isso, sendo assim a gravadora teve seus momentos de renovação. Mas mesmo com as fronteiras fechadas e as festas canceladas, continuamos trabalhando com parceiros do Brasil e de diversos países.

A Yellow Island acaba de completar três anos na ativa, colecionando 12 releases até aqui, entre EPs e compilações. Como funciona o processo de curadoria dos lançamentos? 

Através de muita pesquisa musical e do networking. Não seguimos uma tendência nem estilo específico, isso abre um leque de possibilidades para futuros projetos e releases. É um processo de escolha de estéticas sonoras, artistas e músicas que mais traduzem a identidade musical da gravadora.

Definitivamente não é fácil desenvolver esse conceito, pois é necessário levar diversos fatores em consideração. É fundamental relacionar essa questão com o sentimento que o label quer passar e o que está acontecendo no mundo musical atualmente. Todos esses fatores, e mais, devem combinar de forma harmônica para que a gravadora venha a construir uma identidade concreta.

Recentemente a produtora americana Etari passou a prestar uma colaboração mais ativa junto à Yellow Island. Como começou essa relação com a artista?

Lexi é uma pessoa incrível! Encontrei o perfil dela no SoundCloud em meados de 2018/2019, e começamos a trocar algumas músicas, ideias e experiências, então viramos amigos. Posteriormente a convidei para participar de um show de rádio na Internet Public Radio e na sequência fizemos o lançamento de Healing Herself EP, que incluiu o remix do See Other de Nova Iorque. Com o seu interesse em fazer parte do selo, ela veio se envolvendo a cada dia mais e hoje também é residente nos programas de rádio da gravadora.

A última compilação do selo, Yellow Island Various Artists 2021, traz 20 faixas assinadas por diversos artistas ao redor do mundo, incluindo nomes estreantes do catálogo. Como foi o processo de curadoria deste novo lançamento, e o que você achou do resultado?

O que mudou nessa compilação foi a direção que foi dada aos artistas para focarem mais em música para pista de dança ou algo mais experimental, com a finalidade de comemorar o aniversário de três anos do label, incluindo alguns artistas que já trabalharam conosco e algumas caras novas.

Quais os próximos passos da Yellow Island para esse ano? Tem mais novidades vindo por aí?

Lançamos recentemente o EP Expander, do Boulderhead, um artista de Bristol que também participou do nosso V.A. de aniversário desse ano. O produtor traz sua visão dos ritmos de breakbeat minimalistas e espaciais. Uma jornada cósmica através de melodias de baixo e uma imensa explosão de padrões de bateria hipnóticos e texturas sky-fi.

Também estamos com um calendário de artistas bem legais na nossa programação de rádio que vale a pena ficar de olho. Glenn Astro, Holly Lester e Cashu são alguns nomes que vocês irão ver em nossas programações pela frente! Também uma nova residente na área, a Amanda Radino que estará atuando como host do programa State Of Mind. Além de um próximo release que estamos trabalhando para nosso sub label Astral Therapy, onde focamos em músicas na estética Ambient.

Novas parcerias são sempre bem vindas, vou deixar os links das nossas redes para vocês para contato e também para ficarem conectados às novidades.

SC: soundcloud.com/albindj
FB: facebook.com/albindj91
IG: instagram/com/flavioalbin 

Yellow Island Records

SC: soundcloud.com/yellowislandrecords
BC: yellowislandrecords.bandcamp.com
FB: facebook.com/yellowislandrecordsIG: instagram.com/yellowislandrecords

Para finalizar uma clássica do Alataj: o que a música significa para você?

Algo que dá sentido à vida, te acompanha onde quer que você esteja, trazendo boas energias e te confortando em momentos difíceis… 

A música conecta.

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