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Alataj entrevista Hot Since 82

“Divirta-se”. Este é o melhor conselho que Daley Padley acredita poder dar aos que enxergam ele como uma inspiração na música eletrônica. O artista mais conhecido como Hot Since 82 é de fato uma figura admirável no cenário considerando o patamar que alcançou em mais de 20 anos de profissão como DJ, produtor de alto nível e fundador/curador da gravadora Knee Deep In Sound, outro projeto também muito bem sucedido na carreira do britânico.

Sabemos que a maioria esmagadora que acessou esta entrevista não precisa de grandes apresentações sobre o artista, já que ele se mantém entre artistas muito requisitados nos quatro cantos do globo, incluindo o Brasil, país que ele possui uma relação próxima e já apresentou grandes sets. Aliás, foi aqui que ele filmou um episódio para sua série documental curta-metragem, Even Deeper, contando sobre sua passagem pelo país no carnaval de 2019.

Enquanto produtor, Hot Since 82 está sempre nos holofotes de lançamentos quando apresenta alguma criação do estúdio e neste ano a atenção máxima foi para o seu terceiro álbum, Recovery, lançado no final de novembro por seu selo. A obra é composta por 13 faixas que combinam o vigor da linha de baixo característica de Hot Since com uma atmosfera sentimental e melódica. Disse ele que este é o resultado de um sentimento de liberdade para criar algo que gostasse e o elevasse enquanto pessoa.

Bom, chega de spoiler não é? A conversa ficou muito bacana e traz detalhes do novo álbum, memórias do início da carreira, dicas para os admiradores do seu trabalho e muito mais.

Alataj: Olá Daley, tudo bem? Muito obrigada por falar com a gente! Você acaba de lançar o terceiro álbum de sua carreira e verificamos uma nítida maturidade em relação ao seu trabalho ao longo dos anos. Você é capaz de fazer uma análise desse momento que está vivendo em sua carreira? Consegue fazer um paralelo entre o Hot Since do primeiro álbum para esse atualmente?

Hot Since 82: O prazer é meu. Bom, estou mais velho, um pouco mais sábio, mas ainda tenho ouvido o que há de novo. Dito isto, não sigo tendências e sinto que sou um dos DJ / produtores sortudos que podem fazer o que quiserem! Não parece que meus fãs estão sempre esperando um determinado som. Sou um grande amante da música e quero que isso se traduza no que faço. Nem todos os trabalhos precisam ser direcionados para clubs e festivais de horário de pico.

Estou em um ponto em que me sinto muito confortável comigo mesmo e com minha capacidade de escrever tudo o que sinto.

Conte-nos um pouco mais profundamente sobre esse projeto. Ele nasceu no ano de 2020 ou era algo já planejado? Houve alguma inspiração emocional/musical em especial para a sua criação ou sua produção aconteceu faixa por faixa naturalmente?

Ele nasceu no ano passado, em 2019. Até o nome Recovery foi gerado no outono passado, mas parece muito adequado agora. Eu queria colocar um pouco de energia em algo especial. Voltando do álbum 8-track, que foi muito difícil de criar, eu queria voltar com uma música que enviasse vibrações positivas. Acho que funciona bem como álbum e estou muito orgulhoso disso.

São treze faixas bem intensas e em oito delas você trabalha em colaboração com grandes artistas da música. Como se deram essas parcerias? Geralmente o que surge antes, as tracks ou o convite para trabalhar junto com outros artistas?

Sempre tenho o nome do disco decidido na minha cabeça, antes mesmo de começar a criá-lo. É estranho, mas nunca tento produzir nenhuma música a menos que tenha essa sensação estranha no estômago. Eu sei quando é a hora. Tenho sorte de ter meu estúdio em casa, então me inspiro nas coisas ao meu redor. Minha família, o campo etc.

Geralmente, assim que começo a escrever uma faixa, terei uma boa ideia de para quem quero enviá-la ou com quem trabalhar nela. Então, a track vem primeiro, sempre.

O álbum traz faixas destinadas à pista de dança. Ele foi produzido em tempos de isolamento social? De alguma forma estar distante das pistas e do público influencia na hora da produção musical?

Não estava pensando na pista de dança com este projeto ou qualquer uma das músicas. Era puramente sobre eu ser livre para escrever qualquer coisa que gostasse e qualquer coisa que me elevasse pessoalmente. Sim, a maioria foi feita durante o isolamento, mas como meu filho estava nascendo nessa época louca, meu ânimo estava elevado e positivo. Espero que seja refletido no álbum.

Eu aproveitei a pausa para ser honesto. Tem sido um ano pesado para o mundo, mas estou confiante de que 2021 será muito bom.

Conte-nos um pouco sobre o seu workflow no estúdio. Você costuma ter um processo de produção semelhante ou trabalha de forma diferente para cada faixa? Algum equipamento que você considere essencial no seu estúdio?

Não existe uma fórmula secreta, nenhum equipamento especial que eu possa lhe trazer. Eu poderia ter todos os equipamentos mais incríveis do mundo, mas ainda assim tudo se resume em saber se estou tendo um bom dia naquele dia/momento. Eu só entro no estúdio quando sei que ‘hoje vai ser um dia foda’! Adoro fazer música. É uma forma de nos expressarmos.

A Knee Deep In Sound segue realizando um expressivo trabalho no cenário da música, com lançamentos relevantes ao longo do ano. De alguma forma a pandemia mudou a maneira de vocês trabalharem os releases? Como acontece a curadoria do label, tudo passa pelos seus ouvidos?

Sim, tudo passa pelos meus ouvidos. Não há base de gênero na minha gravadora. Se eu gostar, eu assino. Eu não gosto da ideia de gêneros para ser honesto. Isso pode arruinar a música. Eu só quero que as pessoas ouçam com os ouvidos e não se preocupem com o gênero e o que o DJ deve ou não tocar. Essa é a filosofia da gravadora e de mim como DJ.

O ano de 2020 é definitivamente muito marcante para o cenário da música. O coronavírus afetou todos os profissionais do entretenimento e de maneiras diferentes, então acredito que de alguma forma todos nós sairemos desse ano com alguns aprendizados. Foi assim pra você? Como passou por esse período e o que acha que levará de 2020?

Sim, tem sido muito difícil, principalmente para a indústria do entretenimento. Quase não tivemos apoio do governo quando, na verdade, eles deveriam estar impulsionando para trazer alguma positividade durante este tempo louco.

Eu simplesmente abaixei minha cabeça, mantive o foco e me concentrei em ser um ótimo pai para meu filho recém-nascido.

Um fato curioso que encontramos em relatos sobre sua trajetória é que você iniciou sua carreira na adolescência, tocando sets de 12 horas para mais aos domingos em sua cidade natal. Conte-nos um pouco sobre essas apresentações, estilos que você tocava, experiência adquirida, etc. Você ainda é adepto dos long sets mesmo após anos de estrada? 

Sim, esta foi uma das épocas mais importantes e felizes da minha vida. Todos os domingos tocávamos sets de 12 horas neste bar muito legal da minha cidade natal. Era um spot após o expediente e tinha um sistema de som muito bom. Fizemos isso por horas e eu aprendi no trabalho como realmente fazer warm-ups e long sets. Tenho saudades desses tempos.

Estou sempre pronto para maratonar sets se o sistema de som e a vibe forem perfeitos para isso.

Você possui uma relação muito bacana com o Brasil e, como deve imaginar, muitos de seus fãs brasileiros estão em busca do seu espaço como artistas e te enxergam como uma grande inspiração. Você tem algum conselho para compartilhar com os leitores que acredita ser imprescindível em uma carreira artística?

Acho que sempre siga seu próprio caminho. Seja único. Não imite. Tente se destacar, mas o mais importante, divirta-se. A multidão pode ver quando você está se divertindo e é isso que cria a vibe.

Pós-álbum, final do ano, é hora de descansar ou há mais novidades para os próximos meses?

No momento eu quero pegar a onda do álbum e curtir o Natal.

Para finalizar uma pergunta tradicional do Alataj: O que a música representa em sua vida?

Bem, sem música eu seria um homem muito triste. E tenho certeza que a maioria das pessoas também. Eu não posso viver sem isso.

A música conecta.