Entrevistas
Vinicius Honorio Vinicius Honorio Vinicius Honorio Vinicius Honorio Vinicius Honorio
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Alataj entrevista Vinicius Honorio

O Alataj vem acompanhando a trajetória de Vinicius Honorio já há algum tempo e, junto dela, a sua admirável evolução enquanto DJ e produtor. O carioca que hoje reside em Londres tem dado, ano após ano, passos importantes na carreira, deixando sua marca em gravadoras conceituais e mundialmente reconhecidas dentro do cenário do Techno europeu e recebendo o apoio de artistas consagrados como Len Faki DVS1 e Laurent Garnier.

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Além de comandar seu próprio label, chamado Liberta, onde pode exercer sua capacidade criativa livremente e impulsionar artistas e amigos que compartilham da mesma ideia sonora, Honorio segue um 2020 com bons releases, mesmo em meio a um período de isolamento em que esteja “lutando contra o tédio”, como ele diz. Seu último lançamento foi a faixa Pode Crer, em colaboração com Leo Dos Reis, lançada pela Super Sound Tool, comandada pelo residente do club Berghain, Fiedel, artista importante dentro do cenário Techno de Berlim. 

Se você acompanha Vinicius e o Alataj há algum tempo, sabe que nós já batemos um papo com ele uma vez, quando do lançamento do seu EP pela grande Drumcode, em 2018. Mas já que muita coisa aconteceu de lá pra cá, a gente retorna para trazer novos assuntos, novidades, dicas e muito mais. Acompanhe!

Alataj: Olá Vinicius, tudo bem? Nós já conversamos em uma outra oportunidade onde você havia lançado pela renomada Drumcode. Passado o tempo, como você avalia o impacto desse acontecimento em sua carreira?

Vinicius Honorio: Olá, estou bem, tentando sobreviver ao episódio da vida real de ‘Black Mirror’ em que estamos vivendo. Espero que você esteja bem. Lembro-me daquela conversa, o tempo voa tão rápido. Through The Darkness EP no Drumcode em 2017 foi um passo de mudança de vida na minha carreira como produtor de techno. Abriu tantas portas para mim e, por isso, serei eternamente grato a Adam Beyer. Como meu som e minha visão do Techno seguiram um caminho diferente da direção atual da gravadora, eu realmente não estou em contato com o Adam desde 2018.

Após outros ótimos releases de lá pra cá, você apresenta um novo lançamento através do label Super Sound Tool, comandado por Fiedel. Como se deu esse encontro entre vocês? Quem veio antes, o convite para lançar na gravadora ou a faixa?

Sou fã das produções de Fiedel há algum tempo. A maneira como ele mistura Electro com elementos Techno e o trabalho de bateria em suas batidas é algo que chamou minha atenção. Em 2018, eu o procurei perguntando se ele gostaria de fazer parte dos primeiros remixes do EP da minha gravadora Liberta, lançados em vinil.

Estamos em contato desde então e sempre envio as minhas últimas tracks terminadas em primeira mão para ele. Eu tive a sorte de assistir a alguns de seus closing sets em seu clube de residência, o Berghain, em Berlim, o cara é um excelente DJ. Por volta do final do ano passado, Fiedel me enviou um e-mail perguntando se minha faixa Pode Crer estava livre para dividir um release em vinil com o Holandês Juan Sanchez e ser o 4º lançamento no Super Sound Tool, por ser um lançamento mais inspirado em Techno /Electro, me senti super privilegiado.

Pode Crer é uma daquelas faixas com um pé no Techno, outra no Electro/Breakbeat. Eu escrevi a batida e usei os vocais do meu amigo Leo Dos Reis falando ‘pode crer’. É a terceira faixa de colaboração que escrevi com ele. Nossos dois primeiros lançamentos saíram na gravadora do Lehmman Club de Stuttgart e na gravadora Sysyphon, do Sisyphos de Berlim no ano passado.

Leo e eu somos amigos há mais de 20 anos. Ele é uma daquelas pessoas que ajudam, incentivam e alimentam seus sonhos. Ele sempre me ajudou onde e quando podia. Este lançamento no selo de Fiedel não poderia representar melhor nossa jornada de amizade em círculo completo. 

Enquanto produtor, você é um artista dedicado à faixas para momentos bem intensos da pista de dança. Como acontece a conexão entre estúdio e cabine? Você toca a faixa apenas quando está finalizada ou vai testando e sentindo a necessidade de mudanças de acordo com o feedback do público?

Como meus sets não são realmente tão melódicos e acreditam em mim, mesmo que eu goste de faixas com vocal, tento o meu melhor para buscar um som mais sério com meus sets de DJ. Meu objetivo é traduzir isso para a minha produção e mostrar da melhor maneira possível a qualidade e a criatividade do meu estúdio para a pista de dança.

A parte de teste funciona dessa maneira: normalmente, passo a maior parte do tempo criando um mix decente e tentando fazer uma master da minha música no estúdio em casa antes de mostrá-la para o público. Depois que todo o processo estiver concluído e finalmente após testada, eu volto no projeto e se algo ainda não estiver certo, ajusto o que precisar, dar aquele último toque com amor.

Em geral, outra parte crucial do caminho para terminar uma faixa para mim é enviá-la a alguns amigos mais próximos para feedback. Isso ajudará a encerrá-lo e a não exagerar em nada que as vezes é bobagem.

O Super Sound Tool é um selo que apresenta releases apenas em vinil. Você iniciou sua jornada e cresceu em meio a cultura do vinil, acompanhou também toda essa evolução tecnológica que nos rodeia e agora vemos o universo dos discos com grande peso novamente e labels que não lançam faixas digitais com mais frequência. Como você avalia essa priorização ao vinil? 

Eu acredito que lançamentos de vinil são projetos extremamente importantes. Não é um formato barato, mas representa o núcleo do que é o djing e seu formato. 

Comecei minha carreira em 1998 tocando discos de vinil e me sinto grato e honrado por ter algumas das minhas músicas lançadas em 2020. Estou em constante conversa com a empresa de distribuição da minha gravadora, a Triple Vision. 

Ouvi apenas que as vendas de vinil são melhores do que antes e estão ficando cada vez melhores. Fui tão inspirado por isso que até consegui comprar um par de toca-discos recentemente.

Além desse último lançamento e do já citado Drumcode, você também lançou por outras gravadoras como Lehmnan e Sisyphon, e tem mostrado um trabalho de grande consistência dentro do cenário do Techno. Na sua opinião, o que você acha imprescindível para se destacar em uma indústria tão competitiva e acirrada?

Estude e aprenda a fazer as suas próprias músicas. A arte de mixar e se apresentar ao vivo é outro fator muito importante, de como entender e conduzir a pista de dança. Por isso pratique.

A produção musical é difícil, não existe uma maneira rápida e direta de aprender, mas há muitos tutoriais on-line feitos por pessoas incríveis e apaixonadas, como os cursos do meu amigo Andre Salata.

Tente sempre ficar atualizado com a produção e o ambiente em volta, estude. Pensei também que a evolução e mudança do seu som não é crime. É importante ter e manter a criatividade e a originalidade como seus parceiros mais próximos.

Seja gentil e real consigo mesmo e com todos na sua volta, acredite que a boa música fala mais alto que qualquer outra coisa.

Nós fizemos uma pergunta um pouco parecida em nossa primeira entrevista, mas o tempo passa e o cenário muda constantemente (apesar dessa pausa forçada por conta do Coronavírus). Como você tem enxergado a cena eletrônica do Brasil ultimamente? E essa crescente de artistas brazucas desbravando as melhores pistas do mundo? Você tem alguma aposta para algum jovem talento daqui?

É uma cena que está em constante crescimento. Toda vez que visito o Brasil, conheço novos produtores, vejo tantas pessoas novas se envolvendo e isso é inspirador. Em minha última turnê durante o Carnaval fiz um show em Goiânia e conheci a equipe do Nin92wo pela primeira vez. Eu também tive a chance de me encontrar com Marcal, uma das novas estrelas em ascensão do Brasil, na minha opinião.

Felizmente, consegui tirar um EP dele para minha gravadora Liberta no início deste ano, suas produções são excelentes. Outro nome que não é mais um recém-chegado, porém está causando ondas na cena é o Allan Feytor. Ele é de São Paulo, mas mora em Berlim há algum tempo.

Já que falamos sobre Coronavírus, impossível deixarmos de comentar sobre esse momento delicado que estamos vivendo. O mundo do entretenimento parou completamente e obrigou todos nós a ficarmos em casa, gerando uma crise sem precedentes no cenário. Como você tem passado por esse momento? Você acha que haverá grandes mudanças em um retorno mais expressivo?

Eu estou bem, sem dinheiro e lutando contra o tédio principalmente, tentando permanecer criativo e positivo, o que é muito difícil de conseguir nos dias de hoje. Eu tenho dito para a maioria dos meus amigos que estou esperando por Morpheus, do filme The Matrix, bater na minha porta perguntando se eu gostaria da pílula azul ou vermelha, pois toda essa situação é tão surreal.

Se 2020 me ensinou alguma coisa é que não devo fazer planos de longo prazo, porque amanhã é muito incerto. Sou péssimo em adivinhar e também nenhum especialista em COVID para ter alguma previsão do que vai acontecer no futuro. Só sei que teremos que nos adaptar e sobreviver a toda essa loucura.

Uma última pergunta: alguns artistas têm mantido a capacidade criativa muito acesa neste período, enquanto outros tiraram o tempo para descansar a mente. Como você tem trabalhado nesse aspecto? Mais algumas novidades musicais para 2020?

Eu tento manter minha mente ocupada o tempo todo. É um ditado velho, mas minha mãe costumava dizer “mente vazia, caldeirão do diabo”, por isso estou em pleno andamento com meus dois aliases. Completei dois EP de Drum & Bass e um novo álbum como BTK com previsão para lançamento final do ano na gravadora de meu amigo Ant TC1, a Dispatch Recordings.

No lado do Techno, esse mês de julho eu consegui lançar o meu primeiro EP pela ARTS, gravadora do Emmanuel. Há um novo EP no Planet Rhythm para agosto chamado Wasteland e também um EP em vinil que será lançado em outra gravadora do Fiedel, a Fiedel II, como parte de sua Série 4×4 em Setembro.

Tem também a segunda colaboração com meu amigo Duncan Macdonald chamada Force Majeure para sair na próxima V/A da gravadora portuguesa HAYES. A nossa primeira, chamada One, saiu no EP da ARTS. 

Estou trabalhando em um novo projeto de remixes para minha gravadora, Liberta Records. Esse tipo de projeto é sempre demorado, envolve muitos artistas e estou muito empolgado com isso.

A música conecta.