Zombies in Miami Zombies in Miami Zombies in Miami Zombies in Miami Zombies in Miami
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Alataj entrevista Zombies in Miami

O projeto composto pelos mexicanos Canibal e Jenouise intitulado Zombies in Miami completa oito anos de estrada com um live act que mistura uma leitura particular sobre o Techno e o House, abrangendo elementos hipnóticos, ácidos, sombrios, profundos, espaciais e claro: sintetizados.

Sim, essa é uma performance para se prestar atenção, já que a apresentação é riquíssima musicalmente e traz várias referências de outros estilos. E quando você acha que a composição ficou mental demais, a dupla é capaz de adicionar uma boa pitada de percussão bem latina para quebrar o gelo ou então teclados bem dançantes  bem inclinados a House Music..

Toda essa capacidade criativa ganhou suporte de nomes como Michael Mayer, Pachanga Boys, Jennifer Cardini, Roman Fluegel e Maceo Plex. Boa parte de suas produções estão sob o guarda-chuva da label Correspondant de Jennifer Cardini, gravadora reconhecida por seu caráter peculiar e que abraça sonoridades bem fora da curva. O duo também já lançou produções por gravadoras como Running Back, Permanent Vacation, Hippie Dance, 2MR e Kompakt.

Conversamos com essas criaturas noturnas para entender melhor como é esse projeto.

Alataj: Olá, Canibal e Jenouise, tudo bem? Obrigada por essa oportunidade de conhecê-los um pouco mais a fundo. Vocês carregam algumas referências das décadas passadas, os sintetizadores e as sonoridades mais ácidas não nos deixam mentir, mas tem um pouco de Rock, como na faixa Real de Catorce. Como foi o encontro de vocês com a música eletrônica, o que vocês curtiram quando tudo começou e como é a cena mexicana?

Zombies in Miami: Olá! Estamos muito felizes com esta entrevista, principalmente porque sentimos muita falta do Brasil. No momento estamos bem, trabalhando em casa e curtindo algum tempo em nossa cidade, mas com saudades de viagens, pessoas e trabalho. Para Jeni o primeiro contato com a música eletrônica foi aos 14 anos, ela descobriu a música eletrônica em alguns Cd’s da Love Parade e Ministry of Sound, que era um sentimento muito especial que não existia em nenhum gênero musical, desde que ela ficou muito interessado e começou a pesquisar mais sons. Para Cani, o primeiro contato aconteceu quando ele tinha 11 anos. Ele ficou em choque com os sintetizadores, samples e scratches do Mano Negra, uma banda multi-cultural francesa e espanhola. Esse som o interessou. Depois disso, ele começou a tocar música Trance e Techno. Material muito percussivo com congas e mais percussões latinas. Juno Reactor foi uma de suas primeiras inspirações eletrônicas. Ele ganhou seu primeiro instrumento eletrônico em 2003, o clássico MC307 Roland Groovebox. Ele fez muitas pegadas naquela máquina.

Muitos de nós aqui no Brasil não temos tanto contato com outros cenários musicais, embora a internet seja capaz de nos aproximar um pouco mais de culturas diferentes. Então diga-nos: como é a cena da música eletrônica mexicana atualmente? Que mudanças você viu desde o momento em que começou na música eletrônica até hoje?

Felizmente a cena no México está mudando muito, as pessoas estão começando a reconhecer o trabalho de Djs e produtores mexicanos. Quando começamos ninguém se importava com os novos projetos mexicanos e só olhava para os Djs europeus, agora também os clubes no México estão percebendo que há boa música em nosso país e que estão contratando artistas mexicanos cada vez mais.

O live act por si só desperta curiosidade, já que atinge as pessoas de uma maneira diferente. Em dupla, precisa haver muita sintonia para essa fluidez acontecer. O que motivou vocês a partirem para esse projeto juntos? E quais são as influências que deram base para o projeto?

Desde o início do nosso projeto começamos a fazer apenas Live acts porque éramos muito felizes em produzir nossa própria música e tudo que vinha com o processo criativo. Foi muito divertido porque naquele momento estávamos muito interessados ​​em novas bandas rave, Electroclash e queríamos recriar aquele som de uma nova maneira. Estamos juntos há 12 anos então nos conhecemos muito bem e isso nos ajuda a nos darmos bem na hora de nos apresentarmos. É claro que cada um tem a sua opinião e procuramos ouvir e tomar a melhor decisão para o projeto e também para o relacionamento.

Hoje em dia é muito raro encontrar Live acts em clubes e festivais, acho que em parte porque a apresentação em si envolve muito trabalho, viajar e conseguir o rider correto do promotor de eventos, mas ao mesmo tempo fazer o Live dá muito mais satisfação pela conexão entre o público e a música, então acho que vale a pena todo o trabalho duro.

Também desde alguns meses atrás começamos a fazer DJ sets porque há lugares que queríamos tocar, mas foi difícil adaptar a cabine deles para um Live e estávamos curiosos sobre esse formato. Então agora temos DJ sets e Live sets.

Ao ouví-los fica visível que vocês são criaturas noturnas, mas as percussões, os keyboards e os sintetizadores colocam bastante intensidade e emoção em suas criações. Frodo é um dos exemplos. Como é esse workflow para criar as músicas? Como vocês se inspiram: é algo natural ou vocês vão para o estúdio e só saem quando as ideias surgirem?

Está correto! Somos criaturas da noite. Podemos dizer que um de nossos principais aliados em nossa música e produção é a melodia. Amamos sempre assim, mesmo que a pista esteja escura ou alegre. Estamos muito relaxados com nosso fluxo de trabalho e sempre inspirados em melodias e ideias musicais. O fluxo é muito natural e normalmente quando estamos em casa passamos um tempo no estúdio recriando sons da nossa mente para a vida real. Os ritmos podem vir depois. Geralmente começamos com uma melodia ou elemento vocal.

Agora uma pergunta mais pessoal: como é ser casado e parceiro de trabalho ao mesmo tempo, além de viajar o mundo para as gigs? Como vocês balanceiam essas vertentes para fazer dar certo?

Todo mundo nos diz que deve ser muito bom sermos casados ​​e podermos viajar pelo mundo, trabalhar e estar juntos o tempo todo, e quero dizer, é legal, mas não sei se todo mundo aguenta.

Para nós, felizmente, é fácil porque nos conhecemos há muito tempo e acho que agora nos adaptamos muito bem a essa vida, então sabemos quando um está tendo um dia ruim ou não está com disposição e tentamos torcer para o outro, também aí são dias em que brigamos, mas tentamos trazer uma piada ou algo para relaxar a situação.

O som de vocês parece funcionar muito bem em lugares que tem uma cultura Techno mais consolidada, como Berlin. Inclusive vocês tem ouvintes mensais de lá e também em Londres. Como é experimentar públicos diferentes da cultura latina?

Nosso som é muito influenciado pelo Ítalo Disco e Techno europeu, mas crescemos em um país que tem muita diversidade na música. É verdade que passamos (não agora) muito tempo na Europa tocando e permanecendo por um tempo todos os anos e temos quase todos os nossos lançamentos em gravadoras de Berlim, Munique, Paris, Reino Unido e outros, então talvez muitas pessoas possam consumir nossa música de lá. Amamos o público latino-americano porque é muito especial, fazemos parte dessa cultura e as pessoas estão sempre receptivas. Tocar ou ser ouvido por outras culturas, como asiática ou europeia, também é interessante porque há outras reações. Amamos essa diversidade de emoções.

Vocês lançaram recentemente seu primeiro álbum “2712”, pela Permanent Vacation, em vinil. São oito faixas bem futuristas, mas sem perder sua essência analógica. Produzir um álbum é sempre um marco para qualquer artista, mas o primeiro deve ser ainda mais especial. A ideia surgiu naturalmente ou vocês acreditavam que era o momento para isso? Como se deu o processo criativo das faixas?

Estamos muito felizes com o resultado final desse álbum de estreia. Podemos dizer que o álbum veio na hora certa e naturalmente sem forçar nada. Estávamos trabalhando em algumas músicas como sempre, mas a primeira faixa achamos que foi Frodo. Daquela faixa nós dissemos “Ei! isso soa bem e pode ser uma ótima música para nosso álbum”. Sim, por que não? Fizemos tudo em alguns meses construindo uma história com nosso tipo de estilo desde o início do ZiM até o nosso novo material. Tínhamos uma maneira fácil de produzir o material, muito fácil para ser honesto. Laptop, fones de ouvido e muitas horas viajando da Europa para o México, Caribe e algumas rotas mexicanas em hotéis, trens, aeroportos, aviões. As ideias surgiram desses cenários e depois disso fizemos as coisas finais em nosso estúdio. Alguns sintetizadores e baterias, gravando vocais. Portanto, toda a combinação desses elementos criou a boa oportunidade de compilar oito faixas + a história contada da primeira até a última faixa. Temos um bom relacionamento com a Permanent Vacation e tivemos a coragem de enviar este pack. Eles disseram imediatamente que sim, podemos fazer isso, e o resto é história. Agora pensando no momento de fazer isso? Sim, depois de quase 10 anos de Zombies em Miami esta é uma boa chance de apresentar algo realmente especial. Mal posso esperar para ter o vinil conosco e dançar essas faixas com todas as pessoas em clubes, festas e festivais. Também é um material bacana para ouvir em casa, no carro ou em qualquer lugar.

Não podemos deixar de comentar esse gap no mercado da música e do entretenimento, aliás no mundo. Como tem sido para vocês em termos de criação? Essa onda de isolamento tem gerado bons frutos? Quais os planos para o futuro?

Em termos de criatividade, no início tivemos um momento muito sombrio porque por algum motivo não estávamos com vontade de estar no estúdio e estávamos deprimidos por causa do panorama incerto e tínhamos quase todo o ano planejado para viajar para promover o álbum e ficamos muito chateados com isso. Mas nos últimos dois meses tivemos uma boa corrida de inspiração até mesmo agora que ainda não está claro quando vamos viajar novamente como de costume, mas temos vibrações mais positivas. Estamos tentando produzir muito e começar a planejar alguns novos lançamentos futuros em outras gravadoras familiares e trabalhando em nossa própria gravadora, Creatures of the Night. Ainda são dias difíceis para pensar no futuro em pistas de dança e turnês, mas estamos muito otimistas. Vamos esperar!

E para fechar, uma pergunta clássica do Alataj.O que a música representa pra vocês?

MÚSICA É VIDA!!

A música conecta.