Falar sobre a história do techno peak time sem citar Adam Beyer é praticamente impossível, já que ao longo de mais de três décadas, seu nome se tornou uma das principais referências do gênero. Desde meados dos anos 90, Beyer ajudou a desenhar as fundações do que hoje entendemos por techno e foi um dos grandes responsáveis por tirar esse som das camadas do underground e levá-lo para os palcos dos maiores festivais do mundo.
O artista sueco entendeu como disseminar o som e trabalhar sua comercialização, transitando entre as origens e o mainstream, algo que permitiu com que o gênero alcançasse uma audiência global sem precedentes, transformando o techno em um fenômeno de massa. Grande parte desse sucesso se deve ao peso da Drumcode, gravadora que ele fundou em 1996 e que se tornou um verdadeiro império, ditando tendências e revelando talentos há quase trinta anos. Alguns anos depois, expandiu sua visão com a criação da Truesoul, selo alternativo para sonoridades mais melódicas, profundas e experimentais, funcionando como um contraponto à identidade mais direta da Drumcode.
Como um dos principais headliners do circuito internacional, sua consistência é o que mais impressiona: Beyer se tornou o primeiro artista a alcançar a marca de 100 apresentações no Awakenings, um dos festivais mais importantes da história do techno. Essa relevância o colocou em uma posição de liderança onde muitos de seus lançamentos e apresentações acabam refletindo movimentos importantes dentro do techno contemporâneo.
Agora, o público brasileiro terá a chance de vê-lo de perto mais uma vez, já que ele aterrissa no Ame Club neste final de semana, sábado, dia 20, para uma apresentação que promete ser histórica em um extended set de 4 horas. Mas, antes desta gig, mergulhamos em algumas histórias que mostram como ele se tornou uma das figuras mais importantes do techno global, revelando um lado humano e “raiz” que muitos nem têm ideia.
O primeiro disco aos 5 anos
A obsessão de Adam Beyer pela música não começou na adolescência, mas muito antes, em uma idade em que a maioria das crianças mal começou a frequentar a escola. Aos cinco anos, ele comprou seu primeiro disco: um álbum da banda de rock Kiss — como ele contou nesta entrevista. O que para muitos seria apenas uma lembrança de infância, para Beyer foi o marco zero de uma trajetória pautada pelo colecionismo e pela conexão com o vinil, algo que se tornaria o pilar central de sua carreira décadas depois.
A herança que financiou o início de tudo
Aos 13 anos, Adam enfrentou a perda trágica de seu pai. O dinheiro que recebeu da herança foi o que permitiu que ele comprasse seus primeiros toca-discos e também aumentasse sua coleção de vinis, uma decisão que ele acredita que seu pai, um homem muito educado e rigoroso com os estudos, talvez não tivesse permitido se estivesse vivo. Foi esse momento de dor que, ironicamente, financiou o início de sua obsessão pela discotecagem.
Do caixa de supermercado para as lojas de discos
Antes da fama, a rotina de Beyer não era nada glamourosa. Ele trabalhava como caixa de um supermercado e repondo mantimentos nas prateleiras apenas para financiar sua paixão pela música. Praticamente todo o salário era gasto em visitas diárias a cerca de sete ou oito lojas de discos em Estocolmo, na Suécia, onde ele garimpava as novidades que moldariam seu gosto musical.
O lançamento que aconteceu sem ele saber
Aos 17 anos, Adam enviou uma fita cassete para o selo Direct Drive, de Nova York. Ele recebeu uma mensagem na secretária eletrônica dizendo que eles queriam lançar o material, mas depois o contato cessou completamente. Ele só descobriu que o disco realmente havia sido lançado quando, 10 meses depois, encontrou sua própria obra à venda por acaso em uma loja na Suécia.
Seus múltiplos pseudônimos
Antes de se consolidar sob seu próprio nome, Beyer utilizou pseudônimos para experimentar gêneros que não considerava “totalmente ele”. Slaughterhouse foi usado para techno extremamente rápido (170 BPM). Genecom e The Syncapator marcaram seus primeiros discos em 1994 com Hard Trance melódico. Tall Guy representou um breve retorno ao Trance Progressivo comercial em 1996.
Mould Impression era seu alter ego para som tribal e atonal. Mr. Sliff focava em techno com groove analógico, tendo “The Riff” (2004) sendo citada como uma de suas melhores produções. Conceiled Project foi seu projeto pioneiro para explorar Tech House e andamentos mais lentos por volta de 2000.