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A música conecta

6 artistas de MEPB para ficar de olho em 2026

Por Elena Beatriz em Notes 03.03.2026

A Música Eletrônica Popular Brasileira é um encontro entre tradição e inovação. Os artistas partem das matrizes que estruturam o gênero para sustentar suas criações, como o House, o Techno e o Trance, e incorporam ritmos que atravessam o Brasil, a exemplo do Funk BR, integrando elementos como percussões mais incisivas, gingado, vocais em português e uma boa pitada de vivências culturais e realidades sociais. É um tempero que só tem aqui.

Vivemos em um país e em um continente de enorme diversidade cultural, e essa riqueza passou a ser reconhecida mundialmente. Artistas brasileiros ocupam cada vez mais espaços internacionais levando essa identidade consigo. Reconhecer e valorizar essa produção dentro de casa é parte fundamental desse processo, pois legitimar o que é nosso também fortalece a presença lá fora.

Para esta série especial, convidamos Clementaum — uma das maiores representantes desse movimento — para selecionar seis nomes da Música Eletrônica Popular Brasileira para ficar de olho em 2026. Suas escolhas recaem sobre artistas que desenvolvem sua própria assinatura, constroem repertório autoral e contribuem diretamente para a consolidação dessa identidade brasileira na música eletrônica contemporânea.

DJ BRUM

Bárbara Brum, conhecida como DJ Brum ou DJ Brum do Baile, é produtora musical, cultural e DJ nascida no interior de São Paulo e radicada em Florianópolis. Com raízes no Hip Hop e nas danças urbanas, construiu sua identidade a partir da vivência na Zona Leste paulistana, onde o Funk sempre esteve presente em sua formação musical. Reconhecida nacionalmente pela energia na cabine, técnica afiada e sets que combinam faixas autorais e exclusivas, já percorreu a maior parte dos estados brasileiros e, em 2025, realizou duas tours pela Europa, passando por 10 cidades em 8 países, incluindo Londres, Paris, Berlim e Amsterdam.

Como produtora, lançou recentemente Bolha da Bey (feat. MC PR) e Baile da Brum (feat. DJ Alexia), ambas superando 45 mil plays. À frente da festa Baile da Brum, criada em 2019, também se destaca na produção cultural, tendo recebido medalha da Assembleia Legislativa de Florianópolis por sua atuação no fortalecimento da cultura periférica e preta no Sul do país.

GA DUTRA

Gadutra é uma artista interdisciplinar, produtora e curadora nascida no Rio de Janeiro, que vive atualmente entre Berlim e Lisboa. Com visões distintas e complementares, que transitam entre música, tatuagem, direção de arte e design gráfico, ela constrói uma identidade que articula ambientações imersivas e uma estética ritualística própria embalada pela sonoridade do Baile Funk experimental.

À frente da TroubleMaker Records, gravadora fundada em 2018 voltada a artistas emergentes, e co-fundadora da festa Safada — dedicada a ampliar a presença de sons e artistas latinos em Berlim —, fortalece uma rede que conecta Brasil e Europa a partir de perspectivas periféricas e contemporâneas.

LAZA

Nascido em Goiás e radicado em São Paulo, LAZA desponta como um dos nomes centrais do movimento Latin Club no Brasil. Seus sets combinam Funk BR, Guaracha, Tribal, Techno e ritmos percussivos em construções de alta intensidade. Em 2025 realizou sua primeira turnê europeia, com passagens pelo WHOLE Festival, Razzmatazz e Outra Cena.

Co-fundador do selo Passaçãum, LAZA iniciou sua trajetória como produtor em 2019 com o EP Mergulho, lançado pela gravadora berlinense Dissolute, e desde então vem consolidando uma discografia que reafirma sua identidade dentro do Latin Club. Lançamentos como 137, pela label colombiana Trampa, o EP Fronteira e o single REBOLA, ao lado de Rafael Rosa e MC GW, evidenciam uma construção autoral que dialoga com diferentes núcleos da cena brasileira e latino-americana.

Suas colaborações com artistas como Clementaum, Urias e Carlos do Complexo, assim como a presença em coletâneas de selos como Mamba Negra e International Chrome, reforçam uma trajetória marcada por consistência e crescimento exponencial.

DANDARONA

Dandarona, projeto de Dandara Luz, vem se destacando por um repertório que engloba Techno, Breakbeat, Jersey Club, Guaracha e Funk em sets marcados por ritmo acelerado e sinergia com a pista. A DJ e produtora recifense já passou por eventos como o Festival MADA e a Mamba Negra, integrou o VA Paz na Terra e também desenvolve suas próprias plataformas culturais, como as festas ATRACK e a DANDARONA CLUB, iniciativas que ampliam representatividade e fortalecem sua atuação autoral dentro da cena.

LOFI HOUSE BOY

Inserida no underground belenense, LOFIHOUSEBOY, produtora e multi-instrumentista paraense, vem construindo uma identidade própria a partir do que define como Tecnomandelody, envolvendo Rock doido Experimental, Funk bruxaria, Mandelão, Tecnobrega e as raízes da música eletrônica em releituras que dialogam diretamente com o som nortista. Já colaborou com nomes como Pabllo Vittar e Anitta, integra o coletivo Humildes e segue fortalecendo uma produção que conecta Belém ao circuito nacional de música eletrônica, reafirmando o Norte como polo criativo e inovador dentro da cena.

RAFAEL ROSA

Rafael Rosa é um dos nomes já consolidados na cena tribal do Brasil, Europa e América Latina. Com mais de uma década de trajetória, construiu uma presença marcada por intensidade em cabine, carisma e conexão direta com a pista, transitando entre o Tribal House, Funk BR e Guaracha. Suas turnês o levaram a cidades como Colônia, Paris, Madri, Londres, Lisboa, Bruxelas e Dublin, além de países como Chile, Colômbia e Peru.

Enquanto produtor musical, vem se destacando em colaborações com artistas como Jeani Tracy, Greg Queen, Clementaum e Isma, reforçando sua inserção em diferentes frentes da música eletrônica popular brasileira, somando mais de 70 mil ouvintes mensais no Spotify.

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