Surgido no Reino Unido no fim dos anos 1990, em diálogo direto com o House, o Jungle, o R&B e a cultura dos clubs londrinos, o UK Garage se consolidou como uma das matrizes centrais da música eletrônica britânica. Sua assinatura está associada a padrões rítmicos quebrados, menos lineares que o House tradicional e com uma presença melódica mais evidente que a do Breakbeat. Essa combinação, profundamente ligada ao cotidiano urbano e à circulação entre diferentes públicos, ajudou a formar uma identidade própria e abriu caminho para desdobramentos como o 2-step Garage e o Grime nos anos seguintes.
+++ Mais uma vez, a hora e a vez do UK Garage?
Após um período de menor visibilidade no circuito internacional, o UK Garage voltou a aparecer de forma mais consistente ao longo da década de 2020, impulsionado por mudanças na forma de produzir, distribuir e consumir música. A ampliação do acesso a arquivos históricos, a circulação mais fluida entre cenas e o impulsionamento de rádios, selos e plataformas digitais dedicadas ao gênero em algum grau contribuíram para r
ecolocar o Garage em conexão com novas pistas. Nesse processo, artistas passaram a revisitar referências fundadoras do estilo ao mesmo tempo em que incorporam influências contemporâneas, seja da própria música eletrônica ou até mesmo de estilos como o Pop.
Esse reposicionamento também se reflete no interesse crescente de clubs, festivais e públicos que buscam outras formas de experiência na pista, abrindo espaço para novos nomes e propostas ligadas ao UK Garage. A partir dessa leitura, selecionamos 6 artistas de UK Garage para ficar de olho, nomes que ajudam a entender como o gênero segue encontrando novos caminhos sem romper com as bases que o constituíram.
Natural de Brasília e radicado em São Paulo, o DJ e produtor LZR explora uma pesquisa que engloba diferentes vertentes da Bass Music a partir de uma leitura localizada do UK Garage. Além de atuar como uma das mentes por trás da festa GRAU e como membro da Tijolo Records, ele também está à frente da 2Step Mafia Brasil, gravadora pioneira dedicada ao UKG no Brasil. Em suas produções, elementos do UK Garage, Dubstep, Breakbeat e Jungle se articulam com vocais de Rap e Funk brasileiros, criando faixas que dialogam tanto com a tradição da música eletrônica inglesa quanto com a cultura de pista local.
Nome artístico de Camila Alda, Akila é DJ, fotógrafa e designer nascida em Belo Horizonte, cuja trajetória na música se desenvolveu a partir da afinidade com UK Garage e seus desdobramentos contemporâneos. Atuando como DJ desde 2018, ela passou a aprofundar sua pesquisa nos gêneros Garage, Grime e Drill, incorporando influências de Trap, Rap, House, Afrobeats, e Funk, combinando a curadoria à uma leitura crítica sobre a presença feminina dentro desses estilos. Seus sets já circularam por plataformas e espaços como Boiler Room, Brasil Grime Show, Rinse FM (Reino Unido e França), Baile Room e MASTERPLANO, além de uma primeira turnê internacional em 2024, com apresentações em Paris, Londres e Amsterdã.
Nome recorrente em alguns dos principais festivais e clubs do circuito internacional, como Dimensions Festival, Gottwood Festival, fabric London, Club der Visionaere e Half Baked, Alec Falconer construiu uma trajetória sólida tanto como DJ quanto como produtor. Suas faixas integram o repertório de artistas como Nicolas Lutz, Laurine & Cecilio e Eris Drew, evidenciando uma sonoridade situada entre o House e o UK Garage, marcada por grooves quentes, tons alegres e referências pontuais do Reggae ao Dub, gêneros que dialogam diretamente com as raízes do UKG. Além de comandar a Ba Dum Tish, Falconer mantém residência na Rinse.fm, rádio britânica fundamental para a cultura eletrônica desde os anos 1990, onde desenvolve programas e b2bs com convidados, ampliando sua atuação como curador e articulador de cena.
Nascida na Nova Zelândia e radicada em Berlim, DJ Fuckoff construiu sua trajetória a partir de uma relação intensa e precoce com a cultura eletrônica, marcada tanto por experiências em pequenas raves, conhecidas como bush doofs, que eram organizadas por seus pais. Seu nome ganhou projeção em 2022, após um b2b com DJ Narciss na plataforma HÖR, e se consolidou a partir de sets enérgicos, apresentações em Live PA, produções que articulam referências de UK Garage, Hard House, Techno e Breakbeat, e colaborações com nomes como Jensen Interceptor.
DJ e produtor baseado em Londres, Bullet Tooth desenvolve sets e faixas que promovem a junção entre UK Garage, House e Grime, uma combinação que posiciona seu trabalho dentro do atual movimento de retomada do UK Garage no circuito britânico. Seu nome passou a circular com mais frequência após um Boiler Room que ampliou sua visibilidade, e desde então suas produções vêm aparecendo em repertórios de artistas como Jamie xx, Bicep e Chris Stussy.
A DJ e produtora italiana Saint Ludo, construiu sua trajetória a partir de sets de alta energia que articulam UK bass, Grime, Garage, Jungle e outras vertentes uptempo, frequentemente ancoradas em vocais de Rap e conduzidas por BPMs elevados, que avançam de 140 até a faixa dos 170. Sua atuação também se estende à curadoria: ela apresenta um programa mensal na Rinse FM, onde conecta produções de Bass e Jungle de diferentes cenas globais. Com passagens por palcos e festivais como Alexandra Palace, Wireless Festival, Boiler Room, Glastonbury, Parklife, Boomtown e Outlook Origins, além de turnês pela Austrália e Nova Zelândia, Saint Ludo se afirma como um nome destaque na circulação contemporânea do UK Garage.