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A música conecta

O Brasil no som do Jamiroquai

Por Alan Medeiros em Notes 10.09.2026

Depois de nove anos longe dos palcos brasileiros, o Jamiroquai retorna ao país neste fim de semana para duas apresentações: nesta sexta (11), no Rock in Rio, e no domingo (13), no Nubank Parque, em São Paulo. A passagem oferece também uma oportunidade para revisitar uma conexão menos evidente na trajetória do grupo. Por trás do funk, soul, jazz e disco que tornaram sua sonoridade reconhecível mundialmente, referências à música brasileira aparecem em diferentes momentos de sua discografia.

A relação do Jamiroquai com a música brasileira aparece desde os primeiros anos da banda. Em 1996, Jay Kay explicava à Folha de S.Paulo que não considerava o grupo uma banda de dance music e apontava suas raízes no jazz, enquanto o próprio jornal identificava a bossa nova entre os caminhos explorados pelo Jamiroquai naquele período.

Essa aproximação já podia ser ouvida em Stillness in Time, do álbum The Return of the Space Cowboy (1994), faixa construída sobre uma levada associada à bossa nova em meio ao funk e ao acid jazz que definiam a identidade do grupo. Na mesma entrevista, Jay Kay contou que já havia tentado viajar ao Brasil cerca de cinco vezes sem conseguir e que queria muito se apresentar no país. O encontro finalmente aconteceria no ano seguinte, quando o Jamiroquai estreou em São Paulo.

Conforme a discografia avançou, a influência brasileira ganhou contornos mais dançantes. Em Travelling Without Moving (1996), Use the Force incorporou o samba à combinação de funk, soul e acid jazz que já caracterizava a banda. Quando o Jamiroquai finalmente estreou no Brasil, em São Paulo, em 1997, a própria cobertura da Folha descreveu a música como “um flerte com o samba”. Era uma referência brasileira aparecendo justamente no momento em que o grupo alcançava sua maior projeção internacional.

Mais tarde, em A Funk Odyssey (2001), essas referências passaram a conviver com uma paleta ainda mais ampla. Corner of the Earth foi descrita à época por sua levada de bossa nova, embora o percussionista Sola Akingbola identificasse também uma atmosfera norte-africana e espanhola no arranjo. A gravação guarda ainda uma história curiosa: em busca de uma textura específica para a percussão, Akingbola usou um saleiro de cozinha por sugestão de Jay Kay, criando um dos pequenos detalhes sonoros da faixa. 

Mais de três décadas depois de Stillness in Time e quase 30 anos após aquele primeiro encontro com o público brasileiro, essas referências oferecem uma outra maneira de ouvir o Jamiroquai em seu retorno ao país. A bossa nova e o samba nunca definiram sozinhos a identidade da banda, mas encontraram espaço dentro de uma sonoridade construída justamente pela combinação de diferentes tradições — do funk e soul ao jazz, disco e música brasileira.

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