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A música conecta

Warung Day Festival e a consolidação de um dos principais encontros de música eletrônica do Brasil

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 29.04.2026

A Pedreira Paulo Leminski ganhou um novo significado com a chegada do Warung Day Festival, em 2015, que desde então toma conta de Curitiba uma vez por ano e redimensiona o que significa um encontro de música eletrônica no meio de uma cidade. Tudo começou a partir da decisão de expandir a experiência do Warung Beach Club, em Itajaí, para Curitiba, e a Pedreira se mostrou  ideal para isso. O local oferece uma configuração que favorece a imersão e a possibilidade de fazer um festival diurno ao ar livre, com sua geografia funcionando como parte ativa da experiência. Ao mesmo tempo, permite a operação em escala maior, com múltiplos palcos e uma circulação mais ampla de público.

Nos primeiros anos, o festival precisava provar que era viável, que a comunidade clubber estava pronta para abraçar esse modelo e que a qualidade musical justificava o deslocamento de pessoas de toda a parte do Brasil, especialmente do Sul. Para isso, a curadoria sempre foi rigorosa, com uma seleção cuidadosa que mistura headliners internacionais junto a figuras importantes da cena brasileira, mostrando que o festival também acreditava na força dos artistas locais. Dez anos depois e com seu formato já consolidado, o WDF realizou sua 10ª edição em 2025, reunindo mais de 20 mil pessoas e se provando como um dos principais encontros de música eletrônica do país.

Num aspecto mais mercadológico, a relevância do Warung Day Festival também vai muito além da pista de dança. O evento influencia diretamente a economia de Curitiba, com hotéis e restaurantes lotados, deixando a cidade com uma vida muito mais ativa. Também influencia a moda, o comportamento, a forma como as pessoas se relacionam com o espaço público e com a música eletrônica. O Warung Day se tornou um lugar onde diferentes formas de ser e estar encontram aceitação. Pessoas que não são naturalmente “clubbers” também frequentam, gente de todas as idades e diferentes contextos encontram no festival um motivo para se reunir.

Hoje, em sua 11ª edição, o evento, assim como o Warung enquanto club, é mais uma prova de que é possível construir algo significativo na música eletrônica do Brasil fora do eixo Rio-São Paulo. Que é possível criar uma instituição que resiste, cresce e que tem muita importância para a cena como um todo. Que a eletrônica não precisa ficar confinada em clubes fechados para ser relevante — mas que também pode ocupar a luz do dia e transformar a atmosfera de uma cidade inteira. O desafio, a partir de agora, é o de manter a qualidade, continuar se renovando sem fugir das raízes e seguir dando espaço aos novos talentos enquanto mantém os headliners que o público espera a cada nova edição, como acontece neste sábado, dia 02.

Mais uma vez, o festival traz três palcos e uma curadoria que mistura o que há de melhor na cena internacional com os principais nomes da geração brasileira e sul-americana. Entre os headliners, estão Monolink, Guy Gerber, Enrico Sangiuliano, Charlotte de Witte, Guy J e Deep Dish, que chegam para escrever mais um capítulo dessa história, oferecendo ao público uma jornada que transcende o convencional. O que começou como uma extensão do Warung hoje se sustenta por si só, e pelos próximos anos deve manter viva a essência do clube da Praia Brava após o seu encerramento oficial.

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