Criada em 2024, em Curitiba, a Mental surge com a proposta de trabalhar a house music de forma mais democrática, acessível e aberta ao ecletismo. Desde janeiro de 2024, quando trouxe em sua primeira edição a lenda de Chicago Ron Trent, a marca já sinalizava o recorte curatorial que a guiaria: buscar DJs que trazem verdade em seus sets e que constroem seus trabalhos a partir de uma relação profunda com a arte da discotecagem. A partir dessa lógica, sua curadoria une nomes históricos do circuito internacional com talentos locais que respiram a cultura brasileira, criando uma sinergia onde ambos os lados se enriquecem.
Influenciada pelo movimento do house de Nova York do final dos anos 70 e início dos 80 — especialmente a festa Love Saves the Day de David Mancuso — a Mental escolhe artistas que sabem tocar as pessoas através das transições sutis e da escolha musical para cada momento. É uma abordagem que vai contra a superficialidade e foca essencialmente em três pilares: som, estrutura e locação de qualidade.
Após um hiato de dois anos, a Mental retornou no último sábado (28) em Curitiba com Nicola Mazzetti, DJ italiano fundador da Serendipity Records e conhecido por seus sets fluidos em vinil. Ao lado dele, estiveram Fred OG, Ana Cmp, Carrot Green e Gigioss. O retorno positivo do público deixou claro que existe espaço para essa proposta: uma pista que se sustenta na experiência, sem precisar recorrer a promessas vazias.
Se a primeira edição marcou o que a Mental poderia ser, essa volta com Nicola Mazzetti confirma que a marca sabe para onde vai. A agenda que segue comprova isso: em maio, dia 22, Alex Barck — alemão, membro fundador do coletivo Jazzanova e figura central da cena de Berlim desde os anos 1990 — desembarca em Curitiba. Reconhecido por uma abordagem altamente musical, Barck construiu sua trajetória a partir da fusão entre house, jazz, hip hop e soul, tanto nos palcos quanto como A&R do selo Sonar Kollektiv, responsável por moldar parte importante da música eletrônica mais sofisticada das últimas décadas.
Em junho, dia 26, a festa traz DJ Spinna diretamente do Brooklyn, um dos responsáveis pela efervescência da cena de house em Nova York desde os anos 1990. Para agosto, outra lenda do house americano deve ser confirmada, enquanto novas edições ao longo do segundo semestre deste ano e também em 2027 já estão em planejamento.
Para além de Curitiba, a Mental também deve atuar com uma frente no Rio de Janeiro, onde a proposta ganha uma dimensão adicional: o house como forma de conexão entre a cultura brasileira e a estrangeira, um encontro de mundos. A dobrinha entre as duas cidades demonstra a ambição do projeto, com a ideia de trazer festas gratuitas em certos momentos para tornar democrático o acesso à curadoria oferecida.
Assim, aos poucos, consolida um projeto que cresce de forma orgânica, sustentado por escolhas sólidas e um público fiel que confia em cada decisão.





