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Carta de Redação | Fechamento do 2021

Fim de ano, sempre é um convite para uma reflexão sobre as águas que se passaram. Ao mesmo tempo, é também aquele momento que você senta, faz as contas, traça planos, estratégias e previsões do que pode ser esperado do ano que se aproxima. 

Eu sempre me pergunto: será que essas previsões, expectativas, precauções e adiantamento de contas, realmente nos tornam preparados para os novos ares que estão por vir? Ou funciona como um alimento placebo para saciar nossa constante incerteza quanto ao futuro? Isso é um dilema eterno do próprio ser humano, antecipar-se, e funcionando de fato ou não,  dificilmente deixaremos de bancar os “preparados para o que der e vier”, já que é mais “seguro” pensar dessa forma.

2020 e 2021 mostrou que muitas vezes essa nossa armadura contra incertezas pode cair por terra. Nós só nos tornamos realmente preparados para a guerra, quando de fato nos vimos frente a frente com ela. Sem sermos avisados, sem manual de instruções, sem treinamento, ou qualquer tipo de “preparação de defesa” anteriormente projetada. E acredito, que apesar do imenso e doloroso combate, nos tornamos muito, mas muito mais fortes. 

Talvez uma palavra defina como conseguimos, mesmo que despreparados ou desavisados, chegar até aqui: união. Já parou para perceber o comportamento dos pássaros, formigas, peixes e tantos outros animais que andam em bando? Diversas espécies trabalham em grupo visando a proteção de todo o bando, seguindo regras estabelecidas para que tudo saia de maneira organizada e eficaz. Os estorninhos, por exemplo, são um tipo de pássaro que desenham uma formação no céu durante o seu voo. Esse trabalho em equipe serve para criar uma ilusão de uma só unidade, podendo confundir possíveis predadores naturais. A cooperação entre esses animais deve ser muito bem executada e seguir regras, uma vez que os estorninhos voam em alta velocidade e a colisão de um com os outros pode danificar todo o grupo.

Bom, mas o que isso significa claramente para o nosso contexto? O que eu quero dizer, é que juntos, somos capazes de enfrentar as mais complexas adversidades. E foi dessa forma que adquirimos força neste ano, até chegarmos até aqui. A frase: “juntos somos mais fortes” é algo que sempre explicitamos em nossa coluna homônima, Juntos, que apresentamos todas as segunda-feiras aqui no Alataj, desde que esse turbilhão começou no ano passado. 

A cooperação, coletividade e o trabalho em equipe são fatores que foram cruciais para a travessia de todos nós, do cenário artístico e musical, neste ano tão desafiador. Foi necessário, mais do que nunca, que toda essa rede fosse sustentada pelo suporte de todos nós, para com nós mesmos. Um grande artista estendendo a mão para os pequenos produtores, uma grande festa estendendo a mão para seus colaboradores, um DJ em ascensão segurando firme o braço daquele que dava seus primeiros passos, a experiência das grandes estrelas nos ensinando a nos manter firmes e focados em nossa trajetória, e o público em seu fiel apoio para com seus clubes e artistas, mesmo diante do silêncio e das portas fechadas. Foi, e está sendo, assim que estamos vencendo esse grande desafio. 

Somos uma equipe que chegou até aqui, justamente por causa da força dessa união. O Alataj vem ao longo de seus quase 10 anos de trajetória, pautado na colaboratividade e no esforço conjunto, acreditando no poder essencial que rege nossa conduta: o de que a música conecta.

Podemos não estar avisados do que está por vir em 2022, ou mesmo munidos de previsões concretas, mas temos uma certeza: estaremos juntos, nos apoiando de braços dados com uma comunidade cada vez mais forte, representativa e extremamente virtuosa. 

A música conecta.