Sexo e arte: grandes trabalhos que marcaram época

Conteúdo co-assinado pela Pornograffiti

Se tem uma coisa que todos(as) nós aqui curtimos pra valer é arte. Admiramos, criamos e também compartilhamos a nossa com vocês através da música, seja com nossos conteúdos no site, dos podcasts no Soundcloud e por aí vai. Melhor ainda é quando a arte, em suas variadas formas, vem acompanhada daquele toque ácido e apimentado através do erotismo, uma prática que sempre foi muito comum entre grandes artistas ao longo dos séculos.

Arte sempre foi uma forma de expressão onde anseios e desejos eram inseridos de forma direta ou indireta, com um ou vários significados que poderiam ter infinitas formas de interpretação. Muitos trabalhos também tinham (e têm ainda hoje) o objetivo de desconstrução, principalmente de conceitos mais rígidos que nem sempre são vistos com bons olhos pela sociedade, como o sexo, que (pasmem!) ainda não é visto com naturalidade nos dias atuais.

Portanto, o tema do nosso primeiro conteúdo em parceria com a Pornograffiti traz algumas peças que unem estas duas esferas, uma oportunidade para você conhecer trabalhos fantásticos que marcaram época e sempre serão tidos como uma importante referência para o trabalho de criativos ao redor do mundo.

Francisco de Goya, A Maja Nua | 1790 – 1800

Uma das mais célebres obras do espanhol Francisco de Goya — que também pintou A Maja Vestida, dois anos depois. A segunda versão deveria cobrir a nua como se fosse uma “tampa”. O quadro entrou para a história como o “primeiro retrato totalmente profano de uma mulher nua em tamanho natural na arte ocidental” – acredita-se que ele contenha uma das primeiras representações explícitas dos pelos pubianos femininos.

Peter Paul Rubens, Leda e o Cisne | 1598-1602

Para o público do começo do século 17, provavelmente era mais aceitável que uma mulher fosse retratada em atos explícitos com uma ave que com um ser humano. Portanto, Leda e o Cisne é baseada na lenda grega em que Zeus toma a forma de um cisne e “seduz” uma mulher. Essa é apenas uma das várias releituras que a obra recebeu, originalmente criada por Leonardo da Vinci por volta de 1505 e 1507.

Katsushika Hokusai, A Planta Adonis | 1815

Muito provavelmente você já viu ou conhece a obra A grande onda de Kanagawa, assinada pelo artista japonês Katsushika Hokusai. Porém, além desta que é uma das peças mais icônicas da série Trinta e seis vistas do monte Fuji, Hokusai também participou de um movimento que retratava o erotismo, Shunga, “impressões eróticas concluídas em woodblock, apresentando casais copulantes com genitais geralmente ampliados”. Um dos trabalhos mais marcantes é A Planta Adonis, de 1815.

Pablo Picasso, As Senhoritas de Avignon | 1907

Esta obra levou nove meses para ser concluída e tornou-se uma das responsáveis por revolucionar a história da arte, formando a base para o cubismo e a pintura abstrata. A cena tem como inspiração o interior de um bordel da rua Avignon, na cidade de Barcelona, local bem conhecido do pintor e seus amigos. Na época em que Picasso a pintou, ele tinha completa noção de que este era o quadro mais importante que havia pintado até então.

Gustave Courbet, Origem do Mundo | 1866

Coubert teve a ideia de, em 1866, retratar em um close as partes genitais femininas e, até hoje, a obra causa alguns escândalos — ela foi e ainda é até hoje o centro das atenções em alguns momentos. Em fevereiro de 2011, o Facebook tirou a pintura depois que um artista de Copenhague a publicou. Em um show de solidariedade contra a censura, outros usuários do Facebook mudaram suas fotos de perfil para The Origin of the World.

Annie Sprinkle, Post-Post Porn Modernist | 1990-1993

Bem, diferente das obras apresentadas até aqui, Annie Sprinkle não entregou nenhuma pintura à óleo ou coisa do tipo, mas foi uma artista que influenciou muita gente com seus shows burlescos. Ela é uma sexóloga americana certificada, stripper, editora de revista adulta, atriz, produtora de filmes pornôs, apresentadora de TV e muito mais — conhecida como a primeira estrela pornô que se tornou educadora sexual e entrou no mercado da arte com sucesso.

Em seu show intitulado Post-Post Porn Modernist, ela faz uma apresentação em paródia de sua vida como performer sexual, que inclui um convite aos membros da plateia para iluminarem seu útero com uma lanterna através de um espéculo (imagem abaixo). 

“Annie Sprinkle mostra que, dentro do domínio sexual, performances de dança dos seios, da ejaculação feminina, e dos orgasmos de seis minutos podem às vezes fazer maravilhas. A sexualidade hoje é uma arena totalmente diferente de autoajuda e autorrealização, exigindo níveis de autocontrole e atividade que assombrariam até mesmo os gregos. Embora uma vez a divisão entre mente e corpo tenha relegado o homem ao domínio do espírito e a mulher ao domínio do corpo, colocando a culpa do desejo masculino na mulher, hoje o prazer sexual é um produto importante demais para que as mulheres não busquem seu próprio prazer e sua própria representação nele” – WILLIAMS, Linda.

Fontes: Huffpost, Arteref, Virus da arte, Arte e artistas, Performatus

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