Papo de Estúdio | Seed Selector compartilha seu workflow com synths analógicos no estúdio

Bruno Henriques de Carvalho, ou melhor, Seed Selector, é um nome que vem ganhando um importante destaque no cenário nacional. Comprometido em apresentar uma identidade original, que mescla suas paixões pela música brasileira e por beats eletrônicos, ele conseguiu chamar a atenção no ano passado do Warung Recordings, gravadora do templo da música eletrônica que abraçou sua faixa Amolador, lançada no VA Solitude.

Agora, mostrando uma evolução ainda maior em suas habilidades dentro de estúdio, ele estreia ao lado de L_cio o catálogo da Levels Rec, assinando a faixa Workaholic Insights. Para celebrar este importante lançamento, convidamos Seed Selector para dividir um pouco de suas experiências de produção no Papo de Estúdio de hoje falando sobre como ele utilizou sua família de synths analógicos na criação de alguns sons que ouvimos no lançamento.

Seed Selector

Workflow! É a primeira coisa que penso quando falamos de produção analógica. Sintetizadores analógicos geram ondas sonoras através de fonte elétrica, esse sinal é trabalhado em um circuito de tecnologias de tubo de vácuo eletromecânico, que possibilita moldar a onda sonora. A partir disso, foram criados diversos tipos de synths com características diferentes como polifônicos, monofônicos, drum machines e até modulares, onde se é possível modificar o circuito através de cabos externos. Hoje em dia, com o avanço da tecnologia, é possível ter tudo isso dentro de um computador, ou pelo menos emulações digitais, muitas delas com uma qualidade sonora realmente muito boa e às vezes sendo até superior que o original/analógico. Porém, é notável algumas diferenças de timbragem. Ambos são interessantes trabalhar e há quem defenda cada um, eu sou apaixonado por synths analógicos, mas sempre trabalho misturando com os digitais e samples.

Por que eu gosto tanto? Pra mim, muda totalmente o workflow na hora de produzir, é tudo na mão e na hora. É explorar todas as possibilidades, testar sonoridades e sempre que chegar em algo interessante, já gravar direto. Depois de algumas alterações, pode não ser mais tão fácil chegar na mesma timbragem. Também acredito que ajuda a desvincular um pouco de pensamentos muito perfeccionistas. Tenho reparado em músicas atuais — que são feitas apenas com computador — características um pouco artificiais por estar tudo muito certinho, com timbragens limpas demais, inclusive o que a maioria dos plugins mais busca é trazer características dos sons analógicos. 

A Workaholic Insight surgiu em uma jam session em que eu utilizava meu synth polifônico da Korg, o Minilogue, que me possibilita criar diversos timbres, desde bass lines, strings, plucks e acordes com até quatro notas e também minha drum machine da Roland TR-8, que me possibilita sequenciar grooves de bateria com as timbragens clássicas da 808 e 909. Esses meus dois principais synths tiveram grande participação na maioria das minhas músicas.

Na criação desta faixa, lembro de ter trabalhado primeiro na melodia de piano elétrico, desenvolvi o timbre no minilogue enquanto criava uma linha de bateria na drum machine, gravei o piano fazendo modificações nos parâmetros do equipamento já começando a desenvolver a ideia do arranjo. Depois explorei algumas melodias mais curtas e ritmadas, brincando bastante com a ressonância e envelope do filtro para trazer características mais “acid”. Na hora de gravar também fiz diversas alterações, possibilitando movimento para música e auxiliando na hora de fazer o arranjo final. 

Com a participação do L_cio, a faixa ganhou mais um integrante analógico, o bass line que foi gravado no Vermona Mono Lancet, ele traz um timbre gordo e firme, bem característico das produções do Laércio. Além do bass, sua participação na faixa trouxe um kick quebrado e mais um euro synth nativo do Ableton, sequenciado em 1/16 nos possibilitou trazer mais movimento para a faixa fazendo automações no decay e em alguns outros parâmetros. A junção de ideias dos artistas, misturando equipamentos analógicos, plugins externos e nativos e alguns samples, formou um fit muito satisfatório no projeto que vínhamos trabalhando juntos. 

A música conecta.