Em Maringá, uma faísca incendiou a noite e deu vida ao Douha Club, um espaço que nasceu da urgência de oferecer uma experiência musical autêntica e despretensiosa em um lugar onde a música eletrônica ainda é pouco explorada. Essa história, porém, começa muito antes do que você imagina. Desde os 15 anos, o sócio-fundador e curador João Menezes já estava em contato com a cultura de pista, primeiro como DJ, depois ao ser apresentado à cena eletrônica pelo próprio Vintage Culture, que era seu vizinho. A partir dali, uma paixão tomou forma e foi sendo lapidada ao longo dos anos.
Em março de 2024, então, o Douha ganhou vida oficialmente. Mais do que apenas um novo club no circuito nacional, o local surgiu para oferecer uma experiência imersiva que conecta música eletrônica, natureza e consciência ambiental. Posicionado fora dos grandes polos da música eletrônica e com menos de um ano de atuação, o Douha tem se consolidado como um reduto musical que resgata e fomenta a cultura clubber no Paraná. Lá, o que se ouve e se sente é um reflexo da personalidade de quem está por trás do projeto, uma sintonia entre curadoria musical cuidadosa — que não se prende a tendências — sustentabilidade e uma atmosfera diferente por conta da sua estrutura open air.

Diferentes vertentes da música eletrônica têm espaço, do Afro House ao Techno, do Progressive House ao House clássico, passando também pelo funk “mais underground”, semelhante ao que o Boiler Room apresenta em algumas de suas edições. Cada noite é estruturada com uma linha de evolução musical que respeita o estilo do headliner e mantém a fluidez da pista, como uma narrativa bem costurada. Como descreve João: “Meu objetivo na curadoria do eletrônico é sempre ter uma harmonia de estilo. Estamos desenvolvendo o gosto sonoro dos frequentadores, algo que eu busco desde o início. É muito gratificante ver as pessoas indo atrás de artistas que conheceram aqui”.
Entre alguns dos nomes que já passaram pela cabine, estão Gui Boratto, Sarah Stenzel, Illusionize, Eli Iwasa, Antdot, Rooftime, Jessica Brankka, Binaryh, ZAC, Marco Lys, Aline Rocha, Bhaskar e Mila Journeé. Para João, um dos principais desafios é entregar um serviço de qualidade e uma experiência completa que esteja nos mesmos padrões dos big clubs que existem no Brasil e no mundo – algo que está sendo devidamente alcançado até o momento.
Tanto que um dos principais diferenciais do club é justamente sua abordagem aberta e inovadora. O conceito open air faz parte da essência, proporcionando um equilíbrio entre a experiência do som e o contato direto com o meio ambiente, já que o espaço fica em uma faixa preservada da Mata Atlântica em Maringá. Não por acaso, o club tem um projeto especial com plantas: alguns artistas que passam por lá deixam sua marca ao plantar uma muda, simbolizando a conexão com o espaço. Curol, Eli Iwasa, Gui Boratto e Rooftime já fizeram parte dessa iniciativa.

Olhando para o futuro, o Douha planeja expandir ainda mais. A busca por melhorias sonoras e estruturais está em curso, e há planos de realizar festivais e eventos maiores, ampliando o impacto na cena eletrônica local. Para 2025, o calendário promete uma programação intensa e cheia de surpresas. No último dia 22 de março, o club celebrou seu aniversário de um ano recebendo o italiano Durant e o b2b entre Eli Iwasa e Paulete Lindacelva. Pela frente, estão confirmadas apresentações de Beltran, nesta sexta, dia 04 de abril, além da presença de D-Nox & Beckers, Lee Foss, Ratier, Alex Gaudino, Zulan, Kamilo Sanclemente e outros nos próximos meses.
Com uma identidade realmente autêntica, compromisso genuíno com a cena e uma filosofia conectada ao meio ambiente e a ecologia, o Douha segue se consolidando como um ponto de convergência para os amantes da música eletrônica e da cultura clubber. Em meio a tantos desafios e transformações, é na combinação de arte, natureza e vanguarda musical que o club encontra sua força e cria sua relevância.