Top 5 Alataj

deGust indica 5 álbuns/EPs de Techno que flertam com o lado conceitual da música eletrônica

Com a popularização da música eletrônica nos últimos anos e principalmente do Techno, estilo que tem atraído cada vez mais adeptos, aumentou-se também, consequentemente, o número de produtores criando no estilo. O resultado disso foi o surgimento de músicas cada vez mais parecidas, já que muitos entraram nesse mercado baseando-se em suas principais referências musicais, distanciando-se da criação de algo realmente novo e criativo, ou seja, ficou “mais do mesmo”.

Mas claro que nunca se pode generalizar, afinal, até mesmo dentro do Techno há milhares de possibilidades diferentes de como produzi-lo, seja ele mais rápido, melódico, obscuro, quebrado… engana-se quem delimita o Techno apenas pelo que está dentro do gênero tradicional do Beatport, o peak yime, existe Techno muito além do que as plataformas de vendas mostram e bons exemplos não faltam — um que pessoalmente gosto muito e que considero se enquadrar dentro do Techno é o álbum Song For Alpha, do britânico Daniel Avery.

Hoje convidamos o DJ e produtor deGust — que acabou de lançar seu EP Odyssey pela Three Hands Records — para selecionar e comentar alguns trabalhos que justamente caminham no campo conceitual e fogem de padrões que estamos acostumados a ouvir. A ideia foi buscar por EPs e álbuns que vão te surpreender pelo dinamismo, pela aparição de elementos inesperados, de sons e ruídos que você não encontraria em uma música “comum” — uma experiência sonora à parte. 

deGust

Mark Broom ‎– Angie Is A Shoplifter

Mark Broom é um cara que acompanho há algum tempo e diria que é daqueles produtores que vale a pena ouvir toda a discografia, desde os seus trabalhos mais recentes até esse álbum, Angie Is A Shoplifter, que foi lançado em 1996. Sempre toco músicas dele e me impressiona como ele abrange várias vertentes dentro da sua singularidade. 

Goma Rec VA 002 – Vol B

A Goma é um selo de Porto Alegre que vem crescendo bastante. Penso que foram eles que me ensinaram a apreciar música eletrônica lá por volta de 2016. Nesse VA, a curadoria foi muito bem elaborada. Mesmo se propondo a abraçar vários gêneros, o “raw” permeia a identidade da label.

Edit Select – Phlox LP

Tony Scott é produtor de música eletrônica desde os anos 90 e já lançou usando vários pseudônimos diferentes. Edit Select é o seu projeto que veio a se tornar também um label em 2007. Com atmosferas bem originais, as vezes mais dark, as vezes mais etéreas, Phlox é um álbum que não se prende em melodias, mas constrói sua narrativa com sobreposições de camadas harmônicas e ruidosas.

Mary Yuzovskaya – Sleeping Beauty Working Beast

É uma produtora e idealizadora da label Monday Off que vem explorando muito bem o Techno Hipnótico. Geralmente o Hypnotic Techno acaba indo pra um lado mais atonal. Mas uma característica interessante dela é justamente conseguir explorar o oposto: manter uma certa ordem tonal ao mesmo tempo que alcança a hipnose. Pra pessoas que, como eu, curtem as duas coisas, isso soa muito bem.

Ten Walls – Lights for the Dreams

Finalizo com um álbum que não descobri através de pesquisa, quem me apresentou foi o Thito Fabres, e sigo ouvindo no repeat desde seu lançamento. Lights For The Dreams, lançado em 2020 pela Runemark, é tão singular na sua proposta que chega a ser difícil de classificar. Misturando elementos orgânicos com eletrônicos, pitadas de jazz, sopros, bateria acústica, recortes, foi certamente um álbum que me marcou.

A música conecta.

Compartilhe