Nos anos recentes, a cena acompanhou o crescimento meteórico do melodic techno, algo com uma dimensão poucas vezes vista antes. O gênero saiu de um circuito mais específico para ocupar festivais gigantescos, grandes clubs e uma lógica cada vez mais próxima do entretenimento de massa. Ao mesmo tempo, essa expansão acelerada também trouxe desgaste: o som acabou se tornando cada vez mais previsível e copiado a partir de estruturas que se mostraram funcionais; ainda assim, alguns nomes se mantiveram firmes buscando manter o senso artístico sem se curvar aos modismos, como foi o caso de PACS.
Natural do Rio de Janeiro, ele carrega uma formação que muita gente nem faz ideia. Antes da consolidação nas pistas, desenvolveu uma trajetória de mais de 10 anos como pianista clássico, algo que ainda aparece de maneira muito forte em suas produções. Seu trabalho mistura melodias expansivas, harmonias mais elaboradas e uma atmosfera cinematográfica com a energia característica do melodic techno, criando uma assinatura que ajudou seu nome a crescer rapidamente dentro do circuito internacional.
Os primeiros movimentos começaram a chamar atenção em 2022, quando lançou The Innerside ao lado de ZAC pela Purified Records, selo de Nora En Pure. Na época, o lançamento já apontava um movimento importante de artistas brasileiros começando a ocupar espaços maiores dentro da música eletrônica melódica. Mas o salto de proporção veio pouco depois, principalmente através de um edit de Innerbloom, do Rüfüs Du Sol. A faixa — nunca lançada oficialmente — se transformou em uma das mais tocadas do Tomorrowland 2024, alcançando a sexta posição entre as tracks mais executadas do festival, além de receber reconhecimento direto dos próprios integrantes do grupo australiano.
A partir dali, PACS rapidamente passou a circular nos sets de nomes como Anyma, Solomun, Adriatique, Massano, Kevin De Vries, Meduza, Armin van Buuren e Tale Of Us, consolidando presença dentro de um dos ecossistemas mais fortes da música eletrônica atual. Um dos momentos mais simbólicos dessa aproximação aconteceu justamente em um evento da Afterlife no Brasil, quando Tale Of Us tocou uma faixa inédita sua enquanto ele acompanhava a noite no meio da pista. Em 2025, o brasileiro passou oficialmente a integrar o catálogo da gravadora com o lançamento de No Control, single que fez parte do VA Quantum Echoes Pt. I, reunindo outros nomes como Argy, Mind Against, Colyn e mais.
Essa relação com a Afterlife se intensificou ainda com o passar do tempo. Além da estreia no Afterlife Barcelona (em junho do ano passado), PACS vai assumir neste ano, junto com Volkoder, uma importante residência ao lado de Anyma, que apresenta seu show ÆDEN, no UNVRS Ibiza, de junho a setembro. Paralelamente, tem colaborado também em processos ligados à curadoria musical do ecossistema da label, se aproximando de maneira cada vez mais consistente do núcleo criativo que ainda hoje influencia diretamente os rumos do melodic techno.
Mesmo inserido dentro da estética mais “grandiosa” que hoje cerca o universo da Afterlife, PACS evita cair em uma abordagem puramente funcional. No seu caso, a composição ainda ocupa um papel central no momento criativo, onde ele pensa com cuidado na progressão harmônica, na tensão melódica e condução emocional de suas produções, construindo músicas que não dependem apenas do clímax para funcionar, algo muito trazido, naturalmente, da sua formação como pianista.
Hoje, aos 27 anos, PACS ocupa um espaço difícil de ignorar dentro da música eletrônica contemporânea. Suas tours recentes incluem passagens pela Europa, América Latina, Ásia e Norte da África. Participou de eventos como o Time Machine no Brasil, do Agents of Time, tocou no prestigiado Soho Garden, em Dubai, e integrou a nova tour de Anyma nas Pirâmides de Gizé com o show Quantum Genesys.
No Brasil, um dos próximos capítulos dessa trajetória acontece no dia 29 de maio, quando o artista estreia no D-EDGE Rio como parte da Blessed, label própria do club voltada ao melodic house e progressive house. Ao lado de Anton, Doguez, Ed Lopes e Junix, PACS chega em um momento onde seu nome já deixou de representar apenas uma promessa brasileira para ocupar, de fato, uma posição relevante dentro da nova configuração global do melodic techno.