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House, tech, melodic e além: como entender Chloé Caillet?

Na vastidão do cenário musical contemporâneo, são poucos os artistas que conseguem transcender os rótulos e desbravar territórios sonoros de maneira tão destemida quanto Chloé Caillet. Com uma carreira que se desdobra entre diversos ritmos da música eletrônica, Chloé não é apenas uma DJ e produtora, mas uma alquimista musical que desafia limites pré-estabelecidos, explorando os matizes da música eletrônica. Mas afinal de contas, como entender uma artista de sonoridade tão plural?

Sua trajetória é uma trama culturalmente intrincada e sua criação intercontinental concentrada em Manhattan, mas que também incluiu Paris e o interior da Inglaterra, foi realmente influente na formação do seu caráter culturalmente robusto. “Eu cresci em uma casa onde falávamos francês, inglês, espanhol, e minha avó cozinhava comida marroquina – havia tantos sabores do mundo”, ela comentou em entrevista à DJ Mag. E a música não ficava de fora do seu ambiente familiar… jazz, ópera, rock clássico e músicas de diversos cantos do mundo preenchiam os dias da família, o que naturalmente fez com que Chloé desenvolvesse o ecletismo.

A adolescência chegou e com ela, a vontade de fazer música foi aflorando. Ela estudou piano e piano jazz, aprendeu sozinha a tocar guitarra (e inclusive tocou em uma banda em Bristol, na Inglaterra) e depois de concluir o ensino médio, retornou a Nova Iorque para cursar a faculdade. Enquanto estudava music business na NYU, Caillet se encontrou em meio a uma cena musical triunfante, que alimentou sua alma musical eclética. Ela teve múltiplos trabalhos conectados à música, mas um dos mais significativos foi um estágio na Universal Republic Records, que logo evoluiu para uma proposta para atuar como diretora criativa de A&R na Lava Records. “Eu tinha 21 anos e tinha tarefas como voar para Los Angeles para encontrar faixas para nossos artistas trabalharem, e ajudar com ideias criativas para videoclipes, estilizando e implementando artistas no espaço da moda”, contextualizou Caillet.

Após a graduação, Chloé se desdobrou em incontáveis funções como a direção musical de um hotel, a criação de uma agência que fornecia direção criativa a artistas, conciliando com outras atividades após anoitecer, como de hostess e promoter. Fazendo a curadoria de muitas coisas diferentes em Nova Iorque e especificamente na cena noturna, seus amigos a incentivaram arriscar-se como DJ para fazer um troco extra, e com um pique que muito provavelmente só uma nativa de Manhattan consiga sustentar, ela não pensou duas vezes e somou mais essa função. Não demorou para sua primeira gig no Soho House aconteceu.

Rapidamente as apresentações deixaram de ser locais e spots pela Europa entraram em seu currículo, como o fabric em Londres e Pacha em Ibiza — onde ela teve residência ao lado de Dixon. Não levou mais muito tempo para que o DJing assumisse o posto de função principal, ao mesmo passo que seu trabalho em estúdio também começou a ser consolidado. Seu remix para Chemical, de Beck, lançado em 2021, foi importante para anunciar sua destreza na produção. Alguns meses depois, ela lançou seu primeiro single original, Love Ain’t Over, por meio de seu selo auto lançado, XCESS Records. A faixa foi um sucesso e ainda ganhou versões por Gerd Janson, Carlita e No_4mat. O EP Intro, lançado em maio do ano passado pela CircoLoco Records, a consolidou de vez como uma artista para acompanhar de perto. 

Tendo Ibiza como a sua atual base, Caillet soma a profunda apreciação pelas mais diversas culturas enquanto vive novas experiências em uma ilha obcecada pela vida noturna, onde ela organiza festas queer e faz apresentações regulares em clubs como o DC-10. Frente ao coletivo queer XTRA (que faz festas em grandes clubs e outras pop-up parties por capitais ao redor do mundo) e a label party e rádio SMIILE, a artista mantém a curadoria afiada enquanto também promove uma extensão da sua própria filosofia proporcionando espaços seguros em nome de uma conectividade artística autêntica.

O apreço pela música em todas as suas formas e tonalidades somado a habilidade em costurar camadas sonoras enraizadas na sua afinidade natural com as culturas mundiais foi basilar para destacá-la como um farol em meio a um contexto musical onde, muitas vezes, as categorias musicais limitam a apreciação de algo mais extenso e complexo. Ao explorar as facetas do house, indie dance, tech house, se estendendo a outros tantos ritmos, ela desafia convenções e desenha novos horizontes enquanto expressa uma mistura única de criatividade e herança cultural. Chloé Caillet é uma força que transcende os rótulos e nos convida a mergulhar em um universo sonoro multifacetado… 

Não à toa, 2024 trouxe a ela uma programação repleta de apresentações ao redor do globo e para a nossa sorte, o Brasil está na lista! Ela começa a turnê pelo Brasil na sexta, dia 26 de janeiro, no Warung Beach Club e depois, no próximo sábado, 03 de fevereiro, durante a segunda edição da label party Closer by Eli Iwasa, no CAOS. No domingo de carnaval, 11, ela compartilha a cabine do Carnaval Gop Tun 2024 ao lado de Iwasa, e finaliza a tour na segunda-feira, 12, no CARNARARA

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A música conecta.