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A música conecta

Pemax: rejeitando rótulos e abraçando a autenticidade

Por Marllon Eduardo Gauche em Trend 03.04.2025

Quando pensamos em artistas que buscam fazer um som realmente diferente, autêntico, é normal que eles fujam dos padrões e das tendências da indústria — Pemax é um deles. Pedro Henrique Maximo é autodidata e já soma 20 anos de experiência na área do design, ilustração e da criatividade. Hoje, é DJ na Europa, produtor musical, e diretor criativo/engenheiro de áudio de seus projetos: Pemax, Sounds Of The Streetz, Clube do Snare e Pomadex Productions, ocupações que refletem sua busca por essa liberdade criativa: “Alguns me chamam de nerd, mas nunca fiz cursos, todo meu conhecimento foi criado através de curiosidade e experiência”, diz. Sua música é experimental e urbana, tanto que ele mesmo se recusa a se prender a rótulos ou comparações com outras sonoridades. 

Pode ser que Pemax seja um nome novo pra você, mas a verdade é que ele já vem estabelecendo sua identidade pelo mundo há um bom tempo. Nos últimos anos, estampou músicas em selos importantes como Solid Grooves Raw, Purism Waves, Mr. Nice Guy e até lançou seu primeiro vinil na Dailycid, gravadora de DJ W!ld, trabalhos que lhe renderam suportes de Mochakk, DJ W!LD, Michael Bibi, Marco Carola, Carl Cox, Jamie Jones e outros. Além disso, teve suas faixas tocadas em programas como a BBC Radio 1 e Rinse FM, já se apresentou no Surreal Park, abrindo para East End Dubs, tocou no CUFF Showcase, na Usina 5, e atualmente segue em atividade na Europa. Pela frente, no dia 26 de abril, toca na Soundmate31, em Dublin, com o projeto WAREHOUSE “Boiler Room”. 

Falando do seu DNA, podemos dizer que é uma fusão de influências que rodeiam os sons urbanos, indo do Hip Hop ao Jazz, do House ao Techno. Ele não se enxerga dentro de nenhum estilo em específico, já que o que importa é a experiência do som e a criação de algo que o represente fielmente. “A música sempre foi um escape do mundo pra mim, uma forma de dar um pause do tempo e, por uns minutos, ser apenas um ritmo, um movimento, um flow, sempre se descobrindo”. É assim que Pedro mantém a busca constante por uma expressão genuína que vai muito além da técnica — algo que ele não se preocupa tanto assim, afinal, a música que ele cria não é pra ser perfeita, mas para ser real. 

Essa filosofia é especialmente evidente em seu mais recente lançamento, R.A.D.I.C.A.L., que também marcou o início de um novo projeto: a sua própria gravadora, S.O.T.S. Records (abreviação de Sounds Of The Streetz). Com o selo, Pemax quer abrir as portas para um novo movimento de artistas que prezam pela originalidade, com uma proposta clara de trazer músicas que refletem a mesma visão que a sua, sem rótulos e sem a necessidade de se encaixar em algum lugar específico. A gravadora — que já tem data marcada para o primeiro showcase, em Junho, nas terras irlandesas de Dublin —, iniciou focada em lançar música de artistas brasileiros e planeja expandir suas operações a partir de 2026, com a ambição de gerir carreiras e realizar o booking de DJs e produtores, tanto no Brasil quanto na Europa

Neste EP de estreia, ele fez questão de lançar algo que reflete muito bem suas influências musicais. A faixa que dá nome ao release revive a estética dos anos 90, misturando sintetizadores nostálgicos e vocais gravados de forma simples, mas com muita intensidade. “Essa música foi criada numa tarde de sábado, com aquela energia de querer explodir uma pista”. Pemax conta que a track ficou 6 meses sem vocal, mas por estar testando incorporar sua voz em alguns sons, fez em apenas um take o vocal de R.A.D.I.C.A.L. “Eu queria algo que fosse o mais verdadeiro possível, sem edições, um resultado orgânico, real“, pontua. O resultado foi uma música que apresenta uma estética old school flertando com o Electro, projetada para desafiar os padrões do que geralmente se ouve por aí. 

O EP R.A.D.I.C.A.L. carrega também uma espécie de simbolismo, já que se conecta com sua história de vida e com a cultura urbana. Entre 2010 e 2015, o skate desempenhou um papel importante na vida do artista, algo que ficou impossível desvencilhar das músicas que cria atualmente. “O skate sempre foi uma parte fundamental da minha vida, e é algo que continua a influenciar a minha música até hoje. A liberdade que senti no skate, o movimento, o som da rua, tudo isso se reflete no que eu faço agora na música”, diz o artista. Para Pedro, a música é um reflexo de tudo o que viveu e de como ele vê o mundo ao seu redor. 

Ao longo deste ano, com o selo, ele planeja lançar mais de 18 releases. Entre os trabalhos está Skateboard Club Vol. 1, um álbum compilado planejado para a metade do ano com tracks que representam os diferentes ritmos, frequências e ambientes que Pemax explorou nos últimos 7 anos. Além disso, há um trabalho em parceria com Raul Silter, Poesia de Calçada, e o relançamento de R We Havin A Party, track lançada originalmente em 2017 que ainda se mantém viva nas pistas até hoje, mas que agora vai ganhar uma nova roupagem. Em resumo, a música é uma extensão da identidade de Pemax, e sua trajetória não é sobre o sucesso que pode ser alcançado, mas sobre permanecer fiel à própria essência e criar algo que possa tocar as pessoas de uma forma que elas continuem dançando e embalando as pistas mundo afora.

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