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A ODD é uma festa pensada para a boa experiência do público

A cena de música eletrônica em São Paulo está a frente do restante do país em alguns pontos fundamentais. Não existe outra cidade no Brasil, com tantos eventos que apostam em um nível artístico mais elevado e criam uma atmosfera especial em torno disso. A ODD, idealizada por Márcio Vermelho – figura experiente da noite paulistana – é um dos grandes símbolos desse momento, em que as pessoas estão dispostas a sair de casa e ir para lugares muitas vezes inusitados, conhecer novas pessoas e dançar ao som de artistas que trazem a pista sonoridades avançadas dentro do house, techno e outros estilos. Desde 2014, a ODD já passou por locações abertas e fechadas, com formatos de festas diferentes, sempre pensando na boa experiência do público, um dos grandes pilares da festa criada por Vermelho e que hoje conta com a participação de Davis e Zopelar no time de curadores. Conversamos com Márcio, que respondeu algumas perguntas sobre o trabalho que vem sido cuidadosamente desenvolvido. Ao decorrer desta entrevista, você também confere algumas imagens captadas durante as festas. Música de verdade, por gente que faz a diferença! 

1 – Olá, Márcio! Tudo bem? Nos conte um pouco mais a respeito da primeira festa da ODD. Como essa jornada começou?
Oi Alan, tudo certo!

A ODD começou no segundo semestre de 2014. Eu vinha de uma experiência com a Laço de produção de um evento grande e a ODD surgiu como ideia de uma festa mais sucinta, focada principalmente na música e experiência das pessoas. Estava sentindo falta de me dedicar a uma nova festa voltada exclusivamente à música.

A primeira edição aconteceu no bar do Cartel 011, em agosto de 2014. Depois de outra edição no mesmo local, comecei a circular por outros espaços da cidade e a festa foi experimentando novos formatos. Na metade de 2015, os parceiros Davis e Zopelar passaram a fazer parte do time de residentes e curadores ao meu lado.

2 – Eu vejo que São Paulo passa por um processo muito importante atualmente de consciência quando o assunto é arte. Há um grande numero de pessoas engajadas em sair de casa em busca de consumir material artístico de qualidade e festas como a ODD contribuem pra isso. Como é o relacionamento da crew com o público que frequenta os eventos?
Estamos em contato com o público o tempo todo, acompanhando as mudanças de perto e trazendo novidades para a festa, sempre conversando com as pessoas que frequentam os eventos ou interagem de alguma outra forma.

3 – Além do forte apelo artístico musical, podemos perceber que há um cuidado bem bacana no que diz respeito ao material fotográfico da festa. Quem lidera esse projeto?
Convidamos fotógrafos diferentes a cada edição, que tem a liberdade de registrar o seu olhar livremente. Buscamos fugir do formato tradicional de registros de eventos, coluna social, retratos de pessoas, etc. Todos os convidados a fotografar capturaram muito bem o clima da festa.

4 – Da mesma forma que acontece com as fotos, podemos citar também a comunicação. Como vocês chegaram nesse conceito visual?
Como já disse, a ODD surgiu com a proposta de uma festa lacônica, com a música e a experiência das pessoas como foco. Conversando com o Bruno, que faz as artes da ODD, achamos que seria interessante explorar esse formato sucinto com a comunicação também, testando possibilidades a cada edição a partir do contraste preto/branco. Os textos também são simples, remetem ao tema de cada edição que surge a partir de interesses/pesquisas diversas que vamos compartilhando, e assim já fizemos edições falando de elementos químicos, planetas anões, estados da matéria ou psicológicos, etc.

5 – Juju & Jordash, Axel Boman, Marcus Worgull, Davis, Zopelar, entre outros grandes artistas já passaram pelo palco da ODD. Como funciona o processo de curadoria artística da festa?
Buscamos artistas que representem a nova música eletrônica e que se encaixem no universo sonoro da festa. A ODD não é só uma festa de house ou techno, a nossa pesquisa vai além, sempre em busca de artistas que, além da qualidade, estejam a frente de algum movimento relevante. Eu, Davis e Zopelar nos reunimos regularmente e discutimos nomes que gostamos e onde poderíamos encaixá-los.

6 – Quais são as principais dificuldade de montar um evento sem portaria?
As limitações financeiras, claro, e em casos de festas na rua a questão burocrática e a obtenção de autorizações

7 – O que só a pista da ODD tem?
Não digo que é uma exclusividade nossa mas a busca por uma experiência musical mais profunda, a relação das pessoas com os espaços que escolhemos para os eventos e a combinação de elementos que temos usado nas festas tem sido características fortes da ODD. Estimular a experiência de pista a partir de uma seleção musical inusitada, uma curadoria bem feita e um soundsystem de alto nível é primordial para nós.

8 – Para finalizar, conte pra gente algumas novidades e projetos da ODD para 2016. Obrigado!
Estamos fechando as atrações de grande parte do ano já, com vários convidados internacionais de tirar o fôlego. E vamos levar a ODD para novos espaços em São Paulo e em outras cidades.

Fotos por: Felipe Gabriel e Marcelo Paixão

Ouça, Márcio Vermelho no Alaplay Podcast: