Skip to content
A música conecta

Up&Up – Fevereiro 2026 | Simples: artistas que você precisa conhecer mais sobre

Por Elena Beatriz em Up&Up 24.02.2026

Existe uma ideia persistente de que o sucesso artístico segue uma lógica linear: aparecer, se apresentar, lançar, circular, crescer, consolidar. Na prática, quase nunca é assim. Cada história se desenvolve em um ritmo próprio, condicionado por contexto, acesso, escolhas estéticas, redes de apoio e, muitas vezes, por fatores que fogem completamente ao controle do artista. Entender que o tempo do reconhecimento não é universal — e que ele não obedece a métricas imediatas — é uma das etapas mais difíceis de quem constrói um trabalho autoral dentro da música eletrônica.

Enquanto alguns nomes ganham projeção rápida, outros amadurecem de forma mais silenciosa, sustentando pesquisas, construindo público aos poucos e acumulando repertório, experiência e identidade antes de qualquer visibilidade mais ampla. Esse tempo estendido não é sinal de atraso, mas de aprofundamento. Em um cenário guiado por velocidade, ansiedade e respostas instantâneas, escolher respeitar o próprio processo pode ser um ato quase contracorrente e, ainda assim, fundamental para a longevidade do próprio trabalho.

A Up&Up nasce exatamente desse olhar. Um espaço mensal dedicado a observar e destacar artistas que estão em movimento contínuo dentro da cena, cada um a seu modo. Aqui, é possível visualizar trajetórias que revelam consistência, pesquisa e presença real na construção da cena atual, acompanhar seus processos e entender como eles se desenvolvem ao longo do tempo. Esta é a primeira edição do ano e marca também uma mudança no calendário: a partir de agora, a coluna será publicada sempre na última terça-feira de cada mês. 

Edu Mohr

Atenta à dinâmica da pista e aos diferentes contextos em que se apresenta, com uma pesquisa musical profunda e ousada que se traduz em sets pensados como viagens contínuas, Edu constrói atmosferas envolventes a partir de batidas hipnóticas e texturas densas, alternando momentos de introspecção e explosão. Sua trajetória já inclui passagens por pistas como Surreal Park, Terraza, Club Vibe e Troop. Em permanente evolução criativa, atualmente concentra seu foco na gravadora BAIXA, que apresentou um trabalho significativo ao longo de 2025, envolvendo lançamentos e showcases pelo Brasil.

Beth

Beth vem se consolidando como um dos nomes emergentes mais consistentes do House no Reino Unido. Baseada em Glasgow, já dividiu palco com artistas como Patrick Topping, Eats Everything e KiNK, além de circular por festivais e espaços como HÖR, FLY Open Air, Jersey Weekender e o 93 Feet East, em Londres. Em 2023, ficou entre os 20 nomes selecionados no Unsung Heroes, da Defected Records, reforçando sua projeção internacional. No estúdio, estreou com Check It, lançada pela Under No Illusion, faixa que recebeu destaque na BBC Radio 1 por curadores como Pete Tong e Jaguar, e seguiu ampliando seu alcance com lançamentos por selos como Nervous Records e Armada Music.

Dry

Com origem em Sergipe e base em São Paulo, Dry está em atividade na música eletrônica desde 2010. Sua curadoria, que já lhe garantiu passagens por festas e projetos como Sangra Muta, Dando, Avulsa e Hop Pride Festival, engloba Funk BR, referências regionais, elementos do Techno clássico e do House. No campo da produção musical, suas faixas somam mais de 500 mil plays no SoundCloud e circulam amplamente por pistas independentes em diferentes regiões do país. 

Ciana

Natural do Rio de Janeiro, Ciana possui sete anos de atuação como DJ no circuito da música alternativa. Em seus sets, articula Funk BR, Vogue e House Music, construindo narrativas rítmicas focadas em energia, imersão e presença de pista. Já se apresentou em espaços como Veneno, Rinse FM e no festival Rock the Mountain, desenvolvendo performances que conectam corpo, identidade e som.

Letícia Stempi

Letícia Stempi é reconhecida por uma identidade sonora marcada por energia, atitude e personalidade. Seus sets equilibram o calor do House, a precisão do Minimal e a tensão do Acid em narrativas que evoluem e mantêm a pista em estado constante de atenção e entrega. Desde 2021, vem consolidando sua trajetória em clubes e projetos como Surreal Park, Greenvalley Gramado, Beehive Club, Warung Tour, Colours, Levels, Amazon e Sunset Session, além de dividir line-ups com nomes centrais da cena nacional e internacional. DJ residente e fundadora da ANTI-DOPE, label voltada ao fortalecimento do underground no norte do Rio Grande do Sul, atua também como curadora, conectando música, propósito e boas experiências de pista. 

Mich

Matías Zurita, aka Mich, é DJ e produtor de Buenos Aires, com uma pesquisa que transita por Break, House, Techno e Electro. Ao longo de sua trajetória, passou por espaços como Avant Garten, Dune Park, Feuer, Pryma e Interdance, além de ter recebido suporte de nomes DJ Koolt, Raresh, John Talabot, Chris Stussy e Onur Özer. Atualmente, desenvolve seu próprio selo em vinil, Dialektica Records, ampliando sua atuação como artista e curador.

Kobbaia

Com mais de uma década de estrada, Kobbaia já marcou presença em algumas das pistas mais emblemáticas do Brasil, como Warung Beach Club, Surreal Park, D-EDGE SP, Club Vibe, Douha Club, Seas Festival, PARK.ART e Todai-ji. Como DJ, produtor musical e live singer performer, desenvolve uma sonoridade que transita entre House, Progressive House, Afro House e Organic House, articulando percussões orgânicas, atmosferas densas e uma construção narrativa orientada à profundidade emocional, enquanto influências sutis do Techno surgem na timbragem.

A MÚSICA CONECTA 2012 2026