“Aqui eu resumo todas as grandezas e todas as tristezas que já presenciei, é na hora que eu canto. É na hora que me dão um pedaço de palco, que eu sou Marlene”.
Assim começamos a falar sobre Marlene, a mulher que se consagrou como um dos maiores mitos da época áurea das rádios nacionais, ao lado de Emilinha Borba. Conhecida por sua ousadia, força e carisma, a multi-artista – que se chamava na verdade Victoria Bonaiutti -, estreou na rádio Bandeirantes em 1935 com apenas 13 anos. Como a arte era muito mal falada naquele tempo, a jovem Victoria precisou se esconder atrás de um codinome, Marlene.
Artista de teatro e televisão, a também cantora ascendeu ao som do Samba, Carnaval, Bolero e Tango sem perder o seu título de “extraordinária”, concedido pelos imortais Nelson Motta, Sérgio Bittencourt e Vinícius de Moraes. Há ainda quem diga que a força de Marlene conseguia superar até mesmo a força do próprio Carnaval, com sua presença deslumbrante como intérprete, coisa que poucos, como Chiquinha Gonzaga, conseguiram fazer.
Assim, “A Maior”, como Marlene também ficou conhecida, foi a primeira brasileira a cantar no teatro Olympia, em Paris – a convite de ninguém menos que Edith Piaf – numa temporada de quatro meses, em 1958. De volta ao país, Marlene conciliou a carreira musical com papéis em espetáculos teatrais e atuações na televisão e no cinema.
Porém, foi na virada da década de 60 para 70, que um dos grandes marcos não somente para a carreira de Marlene, mas para a história da música brasileira como um todo, foi executado durante um show criado por Fauzi Arap e Hermínio Bello de Carvalho, trazendo a extraordinária artista, que mesmo já longe dos tempos áureos do rádio continuava a fazer sucesso.
A gravação do show deu vida à pérola É A Maior, um álbum de dez faixas além de Pot-Pourri de outros 16 clássicos do Samba brasileiro. Neste, temos ainda a participação dos grandalhões como Arthur Verocai, que foi o diretor musical do show e que também fez parte do conjunto que acompanha a cantora, Helvius Vilela (piano), Novelli (baixo) e Gegê (bateria).
O disco conta com interpretações fabulosas de composições de Mário Lago, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Marcos e Paulo Sérgio Valle, Milton Nascimento e outros que repousam sobre as cadeiras cativas da imortalidade da música popular brasileira.
A música conecta.