Who? Kakubo

Em um cenário onde enxergamos tantos artistas buscando se adaptar em um padrão musical, a figura que apresenta uma abordagem original vem como uma bela e grata surpresa. Katy Kakubo é um desses respiros dentro do cenário eletrônico por sua personalidade sonora ímpar que é construída a partir de suas intuições, linguagens de expressão e uma profunda pesquisa pelo fora do óbvio. 

E quando falamos em fora do óbvio prepare-se para uma fusão intensa, desconstruída, que combina sonoridades industriais com Electro, Jungle, Drum & Bass, Techno, linhas percussivas e outros experimentos. Este patamar musical alternativo e tão abrangente é fruto de uma relação com a música longínqua e intensa. Nascida e crescida no interior do Paraná, Katy iniciou sua jornada aos 16 anos, quando começou a discotecar em pequenas festas em Londrina com sons que percorriam o New Wave e Synthpop. Não demorou muito tempo e ela comprou seu primeiro sintetizador, um Microkorg MK1 e desde então a experimentação musical faz parte da sua vida.

Anos se passaram, outros equipamentos entraram em seu estúdio, mais um bocado de experiência e Kakubo chamou a atenção das pistas dos grandes centros, em especial do cenário independente de São Paulo, sendo hoje integrante do respeitado coletivo queer MAMBA NEGRA, onde participa do movimento de descentralização da cultura eletrônica através de festas em espaços marginalizados e uma expressiva luta pela representatividade feminina, liberdade sexual e de gênero.

Hoje, aos 28 anos, a artista já participou de grandes eventos como o RedBull Music Festival São Paulo, SP na Rua, apresentações em festas de núcleos independentes expressivos e, mais recentemente, deixou sua marca no Boiler Room, pela MAMBA NEGRA, apresentação realizada durante o período de isolamento social. Além disso, Katy ja foi integrante da rádio-coletivo MetanolFM, núcleo precursor no desenvolvimento da música eletrônica avançada no país e lançamentos pelos selos Gowpe, 40% Foda/Maneiríssimo, MambaREC e Tormenta.

Por falar em lançamento, a última novidade da artista é seu álbum Andaluz, apresentado pela gravadora Gowpe. A artista trata a obra como uma viagem dançante que traz uma atmosfera suspensa entre o passado e futuro, em uma viagem que leva o ouvinte à antigas civilizações e subculturas contemporâneas, combinando tambores aborígenes e texturas rústicas à combinações e ritmos urbanos pulsantes. O álbum foi produzido entre 2018 e 2020 em um processo lento e elaborado minuciosamente a partir de máquinas dos anos 80 e 90 e que, na visão de Kakubo, refletem a evolução do seu trabalho ao longo desse período.

O álbum conta com nove faixas, sendo três delas remixes pelos artistas BADSISTA, I.C.G e RHR. Se você é amante das fusões mais originais e intensas da música, está aí uma excelente artista para acompanhar e se deleitar. 

A música conecta.