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A música conecta

Richie Hawtin e a última noite de Techno da história do Warung

Por Alan Medeiros em Xpress 09.02.2026

A sexta-feira de Carnaval marca um ponto um tanto quanto marcante na história do Warung Beach Club. Richie Hawtin retorna ao Brasil para uma última apresentação no clube, em um contexto que carrega um peso enorme: esta também tende a ser a última noite explicitamente dedicada ao techno na pista principal do Warung. Ainda que Laurent Garnier, escalado para o dia 18 de abril, seja um artista plenamente capaz de transitar pelo gênero, Hawtin representa o último headliner cuja trajetória é intrinsecamente ligada ao techno enquanto linguagem central.

O estilo criado em Detroit sempre ocupou um lugar relevante na construção da identidade do Warung, sobretudo dentro do Inside. Historicamente, o DNA da pista se conecta de forma mais longeva ao progressive house, mas isso nunca impediu que, em diferentes ciclos da casa, o techno assumisse o protagonismo. Em alguns dos momentos mais marcantes da história do clube, foi justamente essa tensão entre grooves hipnóticos, repetição e densidade rítmica que ajudou a redefinir o que o famoso pistão em formato de templo poderia ser.

Neste percurso, Richie Hawtin se destaca como o artista que construiu a relação mais íntima e continuada com o Warung entre os grandes nomes do techno global. Ídolo consolidado junto ao público do clube, Hawtin coleciona episódios que fazem parte da história local: dos long sets que atravessaram a madrugada até o amanhecer à cena quase folclórica do chinelo arremessado na pista, em um daqueles instantes caóticos que só fazem sentido em lugares onde a relação entre artista e público supera o convencional. Sua presença sempre simbolizou um techno menos rígido e mais aberto ao risco, à experimentação e à leitura sensível do espaço.

Para o público que acompanha o gênero no litoral de Santa Catarina, a noite ganha contornos ainda mais raros quando observada à luz do presente. Nos últimos quatro anos, o techno perdeu espaço de forma perceptível na programação do Warung. Ter Hawtin neste last dance de Carnaval tem contornos de uma despedida dupla: do artista em relação ao club e, de forma mais ampla, de um estilo musical que foi peça fundamental na construção da aura que sustenta os mais de 23 anos de história da casa.

O encontro, portanto, carrega sim uma simbologia de fechamento de ciclo. É um momento bastante nostálgico para quem viveu o Warung em diferentes fases e reconhece no techno um dos pilares silenciosos de sua narrativa. No lineup de suporte da noite, Aninha e Tarter dividem a cabine com Hawtin no Inside, enquanto o Garden recebe um showcase assinado em conjunto pelas labels curitibanas Radiola e Laguna, com Julian Fijma, Albuquerque, Laguna Sound Department e Foletto no lineup — um contraponto que reforça a intersecção entre house e techno dentro da história do Warung.

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