Em 2013, Gui Boratto deu início a sua jornada na DOC Records. Após uma longa história construída ao lado da Kompakt, Gui decidiu dedicar um pouco de seu trabalho para encontrar e revelar artistas brasileiros em uma plataforma com força mundial. Para isso, optou pela criação de uma nova marca, criada com a concepção de entregar algo inédito.

A DOC já nasceu grande – não poderia ser diferente com Boratto no comando – e se propondo a fazer um trabalho mais profundo do que é habitualmente realizado por selos made in Brazil. Mais do que pensar nos lançamentos em sequência, a DOC busca um alinhamento de filosofia de trabalho junto aos artistas lançados, para que a relação se prolongue além da música.

O resultado disso é um espírito familiar no trabalho da gravadora, que já catapultou a carreira de alguns artistas e projetos brasileiros. Elekfantz, L_cio e Shadow Movement são alguns bons exemplos desse trabalho. Tais artistas estão construindo uma ligação forte com o selo, através de uma sequência de lançamentos e showcases espalhados pelo país.

Ao lado de Gui Boratto, Pedro Suchodolski também executa papel fundamental no trabalho do selo. Como manager da gravadora, é dele a responsabilidade de organizar a casa e fazer a engrenagem andar enquanto Gui cumpre sua agitada agenda mundial. Falamos com Pedro, que nos deu boas respostas sobre a identidade do selo, planos para o futuro e showcases. Confira abaixo:

1 – Olá, Pedro! Tudo bem? Obrigado por nos atender. O trabalho da DOC é marcado por uma filosofia de equipe, onde o label procura dar sequência aos lançamentos de um mesmo artista. Na sua visão, essa metodologia é positiva na busca de uma consolidação da marca?

O trabalho do DOC é marcado pela busca de musicas atemporais onde o objetivo é levarmos ao mercado “canções” que serão apreciadas pelo publico hoje, amanhã e daqui a 15/20 anos. Neste sentindo quando fazemos lançamentos de um mesmo artista é porque acreditamos que a expressão musical dele esta em linha com nossa filosofia de “garantia de origem” e “atemporalidade” musical.

2 – Após alguns anos de trabalho, qual a avaliação que a equipe da DOC faz do trabalho até aqui?

Estamos muito contentes com os resultados que temos obtido nestes anos de trabalho, o DOC desde seu inicio se propôs a ser uma plataforma para lançar artistas de forma global cuidando dos pilares “Lançamentos”, “Publishing” e “Management” e temos tido reconhecimento e sucesso na nossa proposta de trabalho.

3 – Quando o label foi criado, muita gente imaginou que haveria uma curadoria artística mais profunda, quando na verdade o selo tomou um caminho de apelo popular mais fácil, no sentido bom da expressão mesmo. Há uma razão por essa escolha?

Como disse acima, a busca do DOC no sentido artístico foi sempre por sonoridades e “canções” atemporais que tocam o publico independentemente da sua idade e momento de vida, portanto a curadoria é muito profunda apesar de parecer para os mais leigos que temos um apelo mais popular. O que temos feito é buscar por verdadeiros músicos que estão evoluindo de forma consistente com sua expressão artística seja ela de apelo mais popular ou não.

4 – Hoje em dia, é muito difícil você monetizar uma gravadora independente no Brasil. Quais são as estratégias adotadas pela DOC para não operar no vermelho?

Realmente hoje em dia é muito difícil monetizar uma gravadora independente no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. Basicamente nossa estratégia consiste em trabalho, trabalho e muito trabalho, buscando justamente artistas que trazem musicas originais e atemporais e que estão de fato trazendo um identidade legitima e genuína para sua arte, sem se pautar por modismos.

5 – Os showcases tem sido uma marca registrada da gravadora tanto no Brasil, quanto na Europa. Fale um pouquinho sobre a concepção desses projetos.

Nós concebemos os showcases como uma forma de levar ao publico uma boa amostra do universo sonoro que o DOC possui em seu catalogo. Desta forma quando o publico vai a um Showcase do DOC, ele tem a oportunidade de escutar diversos artistas do nosso selo em uma única noite e com isso entrar em contato com todo o universo musical que o DOC tem desenvolvido.

6 – Há comentários nos bastidores que a DOC trabalha recebendo porcentagem de vendas dos artistas que lança. Como funciona isso? Há também uma preocupação com o management dos artistas lançados?

O DOC atua em 3 frentes de trabalho com seus artistas, somos a Gravadora deles, a Editora deles e também o Manager deles. Com isso nos tornamos o primeiro selo eletrônico independente brasileiro a fazer efetivamente um trabalho 360 graus com nossos artistas. Com isso, nossos artistas recebem uma assessoria pessoal e muito próxima em todas as frentes que eles precisam. Ou seja, desde o planejamento de seus lançamentos, do planejamento de seus shows, do apoio financeiro e jurídico, do apoio em marketing e no desenvolvimento de negócios para cada um deles. Essa forma de trabalho permite com que a carreira de cada artista do DOC se sustente no longo prazo permitindo ao artista se sustentar ao longo da sua vida produtiva.

7 – O Gui é um artista que passa boa parte do ano viajando em tour para fora do país. Mesmo com essa agenda lotada, ele consegue manter um bom nível de envolvimento com o selo?

Sim, o Gui é super próximo do dia a dia do selo. Ele participa semanalmente da reunião de acompanhamento de tudo que estamos desenvolvendo além de ser a mente artística por trás dos lançamentos.

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8 – Para 2017, quais são os principais planos da DOC? Quais são as expectativas para a parceria com a Austro?

Para 2017 nós pretendemos aumentar o numero de showcases, fazer 12 novos lançamentos inéditos entre EPs e Albuns. Assinar com mais 2 ou 3 artistas e consolidar o DOC como uma das referencias em musica eletrônica atemporal. A parceria com o Austro vem em linha com essa estratégia.

9 – Fale um pouquinho a respeito das estratégias da DOC para possuir um maior envolvimento com o público.

O que posso dizer aqui é que teremos um investimento maior neste envolvimento com o público através das nossas redes sociais e canais adicionais que estamos criando.

10 – Por fim, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Musica representa o “alimento para minha alma” em minha vida.