“Forward ever, backwards never”. As palavras de Wolfgang Voigt, um dos fundadores da Kompkat, dizem muito sobre a história de sucesso da gravadora alemã baseada em Colônia. Um dos segredos do selo para se manter forte e atuante no mercado após mais de duas décadas é a abertura à outras culturas que marca a trajetória de seus releases até aqui. Enquanto muitos projetos não permitiram essa influência de outras partes do planeta, Wolfgang e seu time abriram as portas da marca para o mundo.

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Laurent Garnier, Gui Boratto, Pachanga Boys, Patrice Baume e DJ Tennis não são artistas originais da Alemanha, mas todos eles estão presentes no casting da Kompakt e com suas características individuais, provenientes de culturas de origens diferentes e habilidades adquiridas através de fortes intercâmbios culturais, dão a medida certa para o sucesso adquirido pelo selo. Ou seja: a Kompakt é um marca com padrão de qualidade alemão, mas aberto a culturas e movimentos provenientes de diferentes partes do globo.

Graças a isso, o selo foi capaz de se manter fortemente em renovação, revelando artistas como Kolsch, Fango, Matias Aguayo, Rex The Dog e L_cio a comunidade internacional. Alguns dos maiores hits da história das cenas house/techno pertencem a Kompakt. Quer apostar? Certamente você já dançou ao som de Domino/Oxia, lançada em 2006 pela gravadora de Colônia. Ou ainda Labrador/Terranova, lançamento 323 da Kompakt. Tem também todos os discos da série Speicher, que conta com artistas do calibre de Patrice Baumel, Hunter/Game, DJ Koze, Danny Daze, Gui Boratto, Renato Ratier e Michael Mayer.

O nome de Mayer nos leva a falar dos fundadores e do caráter artístico e empresarial certeiro que a Kompakt construiu graças a melhor parte de cada uma dessas figuras. Ao lado de Michael e Wolfgang, já citados nessa matéria, estão Jürgen Paape, Reinhard Voigt. Traços melódicos, melancólicos, minimalistas e quase sempre atemporais formam a identidade desse selo, que inteligentemente flerta discretamente com o lado pop da música eletrônica sem deixar suas raízes frias e sistemáticas de lado – algo muito adorado pela cena techno como um todo.

A criação de sub labels como Kompakt Pop e Kompakt Extra, aliado ao trabalho com selos parceiros, como Exploited, DOC, DGTL Records, Ellum, maeve e Ostgut Ton, aumentou a gama de trabalhos da marca de Colônia e deu fôlego para a saúde financeira do projeto, já que pelas mãos da Kompakt passam boa partes dos mais imponentes releases da cena europeia. Simon Reynolds, crítico musical alemão, define o label como um dos principais responsáveis pelo domínio da dance music na Alemanha durante o começo do século XXI. Ele provavelmente está certo, já que o selo conseguiu conciliar uma boa evolução artística, sucesso em diferentes frentes e apelo popular.

Atualmente a loja de discos que deu a origem a Kompakt em 1993 segue aberta e em funcionamento no prédio que também é a sede do escritório da gravadora em Colônia. Quanto ao futuro, apesar do sucesso dos negócios, Michael Mayer garante não haver um plano de negócios para os próximos anos. Ao menos foi isso que ele relatou para a publicação Dummy Mag; “Como nos últimos 20 anos, não há plano de negócios afirmando que a Kompakt precisa conseguir isso ou aquilo no período X. Isso não faz o nosso estilo. O que é importante para nós? Independência, paz de espírito e uma tensão viva e criativa”. Nada mal para um selo que segue em alta, ajudou na formação da carreira dos nosso local heroes Gui Boratto e L_cio, e acaba de lançar um EP especial com uma das maiores lendas da dance músic, Laurent Garnier.

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A Kompakt é uma alma pulsante em meio a um catálogo cada vez maior de releases provenientes de diferentes selos do universo techno/house. Sua linguagem clara, efetiva na pista e marcante nos corações das pessoas é apenas o resultado de um histórico de muitos acertos e estratégias inteligentes. A música conecta as pessoas!