READING

Case | Neanderthal: entrevista com Aninha e Fabø

Case | Neanderthal: entrevista com Aninha e Fabø

A busca pela verdadeira essência, aquele momento inicial, o instinto primitivo, a volta das coisas simples aliada ao ímpeto destemido de experimentação. Essa é a Neanderthal, label despretensiosa e cheia de mistério lançada no ano passado com foco em plataformas como Bandcamp, Spotify e Beatport.

Conheça a Freerange, gravadora criada em 1996 que segue na ativa até hoje.

Aninha e Fabø são os artistas que estão por trás da marca, dois nomes respeitados e que já influenciaram muita gente ao longo de suas carreiras. O label conta com outros artistas até então desconhecidos, como Dryolestes, Joanna Q, Marizza, Flip Mads e Ben Amo. Todos eles não possuem redes sociais e não revelam suas identidades reais, podendo ser artistas consagrados ou ilustres desconhecidos, esse é o grande mistério que iremos desvendar e que também torna o label realmente autêntico. Talvez esse seja um recado para a cena musical, se preocupar menos com o ego e enaltecer o que realmente importa: a música.

Os lançamentos da Neanderthal podem ser encontrados com exclusividade primeiramente no Bandcamp, indo na contramão dos grandes players do mercado e reforçando o conceito genuíno da marca. As artes são desenhos que remetem a arte rupestre. O conceito musical é talhado em baterias clássicas da música eletrônica, com doses ácidas de sintetizadores, baixos cremosos, percussões tribais, num caldeirão experimental brutal. Para ajudar a explicar o que há no passado e no futuro da gravadora, convocamos seus líderes para um bate-papo exclusivo. Confira:

Alataj: Oi, pessoal! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. O que exatamente motivou vocês a criar um novo selo, mesmo possuindo outras marcas estabelecidas no cenário eletrônico nacional?

Aninha/Fabø: Olá, Alataj! Tudo ótimo. Estamos a mais de um ano produzindo juntos, temos muitas ideias, então surgiu a vontade de fazer um selo sem rótulos, que pudéssemos cuidar com mais tranquilidade e liberdade.

Pensando em direcionamento musical, qual exatamente é o caminho que a Neanderthal terá em sua curadoria?

O Neanderthal Music é uma gravadora de música eletrônica, porém não está muito apegada aos estilos. Então vocês podem esperar muita diversidade por aqui. Seguiremos o nosso fluxo criativo.

A identidade visual da Neanderthal merece uma menção a parte. Quem assina a comunicação visual do selo? Há uma preocupação em criar conexão entre o visual e o sonoro que está sendo trabalhado?

Quem desenvolveu a identidade foi a Natalie Nodari, que também trabalha com a gente nos outros projetos. A parte dos vídeos a Aninha desenvolve para os EPs especiais. Tanto o nome quanto os desenhos representam algo mais pré-histórico, ou seja, ligado a nossa base inicial, nossas influências de uma maneira geral, não diretamente à música que estamos criando.

Há a intensão de trabalhar em iniciativas fora do mundo digital para gravadora, como eventos e/ou encontros entre os membros do selo?

Por enquanto nossa vontade é desenvolver a parte musical. Todos os produtores ali somos nós (nossos alter egos), foi uma grande brincadeira que tivemos para poder expandir nossa veia criativa de maneira livre e desapegar um pouco dos nossos nomes artísticos.

Quais são as principais referências, dentro e fora da música eletrônica, para o desenvolvimento do trabalho da Neanderthal?

Acredito que a Neanderthal veio de uma necessidade que tínhamos de poder lançar tudo que fazíamos e criar uma independência daquilo que acreditamos que seja o nosso “estilo”, se sentir livre para lançar coisas diferentes do que fazemos geralmente. Não buscamos nenhuma referência, foi tudo muito rápido, decidimos, criamos a logo e lançamos. Dentro do label você pode encontrar sons com referência em disco, house, breaks etc.

Hoje em dia, é muito difícil você monetizar uma gravadora independente. Quais são as estratégias adotadas por vocês para não operar no vermelho daqui pra frente?

Lançar o maior número de músicas possível e abrir a nossa própria editora. Assim não dependeremos mais de distribuidora, que normalmente fica com uma grande parte da arrecadação do selo.

Para finalizar! O que já pode ser adiantado a respeito dos próximos lançamentos da Neanderthal em 2019?

Nossa ideia é ter pelo menos um lançamento por mês, então vocês podem ficar ligados que mensalmente terá algo novo para ouvir.

A música conecta.

Deixe seu e-mail aqui e cadastre-se em nossa newsletter.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

INSTAGRAM
SIGA-NOS