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Terr comenta seus últimos releases e celebra novo EP com remix de Prins Thomas

No último dia 10, o mundo recebeu com aplausos o mais recente release da DJ e produtora brasileira Terr, atualmente baseada em Berlim. Tale Of Devotion marca a sua estreia pela Phantasy Sound, flerta com o synth pop com extrema classe e fecha com chave de ouro ao receber um remix de ninguém menos que Prisn Thomas.

Romance, energia e cadência são características fundamentais deste lançamento, que marca uma nova fase na carreira de Terr, reconhecida por suas entregas anteriores na Hotflush, label do conceituado Scuba. Tale Of Devotion ganhou versões tanto em digital, quanto em vinil. Além da versão original e do remix de Prins, o material também é composto por uma versão dub, um instrumental mix para o remix de Thomas e um edit com foco no Spotify.

Scuba é um artista e tanto! Leia aqui nossa entrevista exclusiva com ele.

A nosso convite, Terr comentou cada um de seus releases até aqui, assim como este, que segundo ela é leve, bonito e romântico. Nós amamos:

Burn the Past (HotFlush, 2016)

Meu primeiro EP, aqui o Terr nasceu para o mundo, depois de alguns meses existindo apenas na minha cabeça e no meu estúdio. Minha favorita aqui é Metropolis, uma espécie de electro disco futurista introspectivo. Eu passava dias e noites sozinha no estúdio cercada de máquinas testando cada timbre, cada efeito, tudo que era possível, acho que isso acabou influenciando a música em si, no geral acho que é meu EP mais obscuro e distópico, com um clima mais sci-fi e claustrofóbico que o resto da minha discografia. Se o Kraftwerk inventou o Man Machine nos anos 70, esse é foi meu momento Woman Machine, sem muita distinção de onde eu terminava e onde as máquinas começavam.

Have You Ever (Permanent Vacation, 2018)

Eu já tinha usado vocais antes no Terr, mas nunca tão claramente como aqui. Usei um vocoder dos anos 70 para dar uma camada a mais na voz, criando uma textura um pouco mais robótica e suja. A música no geral tem uma vibe meio synthpop, com direito a riff de teclado. A letra é possivelmente a coisa mais positiva que eu já escrevi na vida, um chamado à consciência e à coletividade da humanidade, algo tão esquecido nos dias de hoje.

Acho importante que a música eletrônica, além de fazer dançar, possa também estimular o pensamento. Se a música foi influenciada pela sonoridade dos anos 80, certamente a letra vem na tradição Flower Power dos anos 60. O resto do EP – Memoir e 20.000 Leagues vão um pouco em outras direções, do house à uma viagem setentista inspirada em Kraftwerk e Julio Verne.

Classe é com ele: Gerd Janson! Fizemos uma matéria especial sobre o perfil do alemão.

Neuromancer (Correspondant, 2018)

Neuromancer é uma das minhas canções favoritas. É uma amálgama de sintetizadores analógicos, com muita melodia e frases fortes de teclado, num clima futurístico e contemplativo. É a trilha sonora de um filme de ficção científica que não existe.

A segunda música, Multiverse, é um pouco mais leve, mais psicodélica, mais vai pelo mesmo caminho dos synths melódicos como elemento principal da música. Para fechar o EP tive a alegria de ser remixada pelo Krystal Klear, produtor incrível que fez um dos maiores hits de 2018 e que deu um novo tratamento para faixa título, que também ficou incrível.

Fiquei muito feliz de poder lançar esse EP pela Correspondant, um dos selos que considero mais interessantes e vanguardistas do momento, muito mais ligado à arte e ideias do que em seguir tendências.

Dust (Clash Lion, 2018)

Depois de vários EPs com um clima mais alegre e psicodélico, resolvi passear de novo pelo lado sombrio da força. Dust é a antítese de Have you Ever, vai fundo na distopia e nas questões que afligem a humanidade atualmente. A letra pode ser entendida de várias formas, pode ser um desabafo pessoal, uma crítica social, política, ecológica, etc… Musicalmente, a faixa é basicamente só a bateria, a voz em primeiro plano e uma linha de baixo discreta. Queria que ela fosse bastante hipnótica, sem muita coisa pra distrair.

Esse EP eu quis lançar pelo meu próprio selo, Clash Lion. Ao invés de fazer um EP cheio, preferi chamar outros artistas para fazerem suas próprias interpretações da faixa. Cada um dos remixes tem uma onda diferente, desde o techno do Daniel Watts até o quase industrial do Cardopusher, passando pelo electro-post-punk do Curses.

Quando o EP estava pronto resolvi viajar um pouco mais com o vocal, fiz uma programação simples numa bateria eletrônica, um arpeggio num Moog e saiu uma nova versão, totalmente eletro clássico. Quis que soasse do jeito mais cru possível. Cinco versões da mesma história.

Leia aqui um bate-papo exclusivo sobre o Clash Lion com Daniel Albinati.

Tales of Devotion (Phantasy, 2019)

Esse é provavelmente meu EP com uma sonoridade mais pop e colorida até aqui. Resolvi explorar uma sonoridade mais Space Disco, dançante, cheia de melodias e vocais. O baixo foi feito num Moog original dos anos 70, porque eu queria exatamente aquele som cheio de harmônicos e pequenas imperfeições.

Depois eu gastei um bom tempo na composição dos violinos, queria algo que desse um contraste total com a base eletrônica, algo totalmente orgânico e humano. E por fim, compus e gravei as vozes – sou bastante perfeccionista com voz no geral, gravo quantas vezes forem necessárias até que eu fiquei satisfeita.

Esse disco saiu pelo selo Phantasy, do DJ inglês Erol Alkan, um nome peso na cena mundial da música eletrônica indie. Quando ele sugeriu o Prins Thomas pra remixar eu quase morri de alegria, porque sou muito fã da música dele. Adorei os remixes que ele fez. É um EP leve, bonito e romântico. Sem medo de ser feliz.

A música conecta.

+++ “Quem quer que você seja, seja você mesmo”. Sassy J é inspiradora! Leia a entrevista e ouça o podcast gravado por ela aqui.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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