Alataj entrevista Bedouin

Você é daqueles que acredita que o cenário que envolve um artista é fundamental para a sua formação? Se sim, certamente é capaz de enxergar o quão positiva é a oportunidade de viver e se desenvolver profissionalmente em Nova Iorque, mais precisamente no bairro do Brooklyn, um caldeirão criativo com culturas das mais diversas partes do mundo.

É justamente nesse cenário propício que Tamer Malki e Rami Abousabe deram início ao projeto Bedouin. A cidade americana é considerada por muitos como a capital do mundo e com pessoas das mais diferentes origens se encontrando diariamente, a possibilidade de boas ideias se unirem é um tanto quanto considerável. Tamer e Rami compartilham uma intensa jornada de discotecagem e produção musical, marcada por ritmos extraídos de gêneros de fora da música eletrônica e melodias emocionantes.

Alguns dos principais sucessos da dupla americana incluem as faixas Set The Controls for the Heart of the Sun Guacamole, lançadas pela Crosstown Rebels; Straight To The Heart, parte do catálogo da All Day I Dream e Hologram, lançada pela Cityfox  – isso sem falar em remixes para nomes como &Me, Nu e Damian Lazarus, lançados por gravadoras do calibre de Bar25 Music e Keinmusik.

O último release do duo marca o retorno do projeto a Crosstown Rebels. Wastelands resume bem o atual momento artístico de Tamer e Rami, com duas faixas originais classificadas como Melodic Techno. No embalo do release, falamos com os responsáveis por dar vida a este belíssimo projeto chamado Bedouin. Confira:

Alataj: Olá, meninos! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Acredito que amizade é um fator chave para o desenvolvimento de uma parceria profissional como a de vocês. Como isso tem funcionado exatamente com vocês?

Bedouin: É verdade, como dupla, o relacionamento desempenha um papel importante. Vocês podem fortalecer um ao outro se vocês entenderem um ao outro. Às vezes, a lição mais importante a aprender é que você tem muito a aprender com o outro.

Melodia parece ser a espinha dorsal da música do Bedouin. Como vocês costumam trabalhar na criação deste elemento específico?

Nós geralmente usamos o piano, mas qualquer outro instrumento tonal pode ser usado. Muitas vezes gosto de usar a guitarra, ou qualquer coisa com cordas.

Nas produções de você é possível observar referências oriundas da cultura musical do oriente médio. O que vocês podem nos contar a respeito disso? De fato, há uma referência nesse sentido?

Nossa referência é o que nossos pais tocavam em casa quando estávamos crescendo. As músicas que odiávamos quando crianças… pedindo para mamãe e papai desligarem e colocarem o novo disco do Daft Punk. É normal na maioria das famílias, os pais tocam música clássica e as crianças simplesmente não entendem. Foi meio que a mesma coisa. Conforme você cresce, seu gosto muda quando você começa a pensar por si mesmo. Agora, ambos somos apaixonados pela música clássica, assim como pela música antiga do Oriente Médio.

Acredito que um dos grandes pontos positivos da carreira de um DJ ou projeto de nível internacional é a possibilidade de viajar o mundo conhecendo novas culturas. Como vocês costumam aproveitar esse privilégio?

Temos muita sorte de fazer novos amigos em todo o mundo e ter o luxo de conhecer algumas dessas culturas a partir de uma perspectiva local, ao invés de aparecer como turista sem contato local. Não conhecemos muito da cidade, mas temos tempo para desfrutar boas comidas antes da gig. Em alguns raros casos, ficamos alguns dias extras.

O universo de um DJ e produtor possui dois lados um tanto quanto antagônicos: em uma face, clubs e festivais cheios de energia. Do outro, a solidão dos hotéis e aeroportos. No caso de vocês, quais caminhos são utilizados para buscar o equilíbrio emocional em meio a essa intensa trajetória?

É verdade que ficar no hotel pode ser muito chato, por isso geralmente tentamos fazer a viagem o mais curta possível. Acabamos deixando apenas tempo suficiente para dormir algumas horas antes de precisarmos voltar ao aeroporto. De tempos em tempos, trazemos nossas garotas, o que pode tornar as coisas mais agradáveis.

Como vocês enxergam a música enquanto forma de conexão entre diferentes períodos da humanidade?

Eu sinto que podemos nos conectar emocionalmente com a música com um longo tempo de diferença, embora as primeiras gravações sejam de apenas 100 anos. O que é realmente interessante é pensar quanto tempo essas gravações durarão? E as pessoas terão acesso para ouvir milhares ou até milhões de anos a partir de agora? É um bom questionamento, as pessoas vão se relacionar com a música de hoje no ano 3768 (número aleatório)?

Crossotown Rebels, All Day I Dream e Keinemusik são alguns dos selos chaves no desenvolvimento do Bedouin. Quão importante essas marcas tem sido na caminhada de vocês?

Para nós, é muito importante colaborar e trabalhar com outros que sentimos possuir os mesmos princípios musicais em que acreditamos. A gravadora é o canal em que o seu árduo trabalho será apresentado. Torna-se muito importante quando você coloca muito esforço na música que é apresentada e esses selos são, com certeza, alguns dos nossos favoritos.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em suas vidas?

Eu diria que a música representa o centro ou o coração de nossas vidas. Tudo gira em torno disso. A música é o sol, assim como nossas vidas são o universo.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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