Alataj entrevista Blue&Red

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Conhecido pelas apresentações energéticas com percussão ao vivo, Blue&Red carrega uma linha musical característica com elementos orgânicos, batuques variados e sonoridades baleáricas, mas sem perder a essência do house e techno 4×4. Projeto idealizado pelas DJs Brisa (B-Waves) e Elisa (Lizz), atualmente compõem o casting da Sabiá Agency, além de fazer parte dos coletivos MaddaM (PE) e Tisck (RN). 

Destaque no cenário mais conceitual de Natal-RN, são também ativas na produção cultural local, buscando uma maior inserção de DJs mulheres nos line-ups de festas de música eletrônica através do evento Girls ON, em que mantém residência. Estão prestes a lançar, pela Sabiá Records, a faixa Get Out, assinada em parceria com o DJ produtor Dan Cunha, que em breve estará nas plataformas digitais.   

Antes da participação da dupla no festival MADA, semana passada, tivemos a oportunidade de bater um papo com Brisa e Elisa. Confira abaixo o resultado:

Perguntas por Alan Medeiros

Alataj: Olá, meninas! Tudo bem? Obrigado por falarem conosco. A mistura de percussivo com orgânico parece ser uma das chaves do Blue&Red. Como exatamente vocês buscam combinar isso na prática? 

Blue&Red: Olá! Então, aos poucos fomos descobrindo nossa identidade baseada em vivências pessoais e na nossa pesquisa musical individual. Nossa primeira apresentação foi algo bem experimental, usamos guitarra, percussão e vocal no live. Porém, percebemos que o uso da percussão vibrava de forma diferente na pista e de certa forma, também sentíamos uma certa euforia toda vez que escutamos referências que se assemelhavam à sonoridade que estávamos nos propondo chegar. Hoje nossas referências se baseiam mais no afro house, latin house e outros diversos ritmos latinos, canções indígenas e outras canções ancestrais. Para montar o live act, acrescentamos os instrumentos quando achamos necessário para incrementar as faixas e nosso set. 

Percebo que vocês já possuem uma presença bastante significativa no Nordeste, fato este que tem permitido alçar voos cada vez mais frequentes para outras regiões. Desbravar o Brasil é uma das prioridades do projeto ou vocês não tem pensado muito em questões como essa atualmente? 

Sim, gostaríamos muito de estar tocando por outras regiões do Brasil e de certa forma é uma prioridade, porém é um processo difícil até chegar a esse reconhecimento. Se só dependesse da gente, já estaríamos tocando por todo o mundo (risos). 

Sempre fui muito curioso sobre o workflow de duos e trios de música eletrônica. Como isso funciona pra vocês? 

Funciona de forma muito tranquila, nosso processo criativo e nossas pesquisas musicais se assemelham muito, o que facilita a montar nosso set de forma bem livre. A inserção dos instrumentos ocorrem de forma mais intuitiva que técnica e geralmente levamos os ensaios de forma bem humorada. 

Artistas que vivem em uma área diferente do epicentro da música eletrônica em seu país são capazes de imprimir uma identidade diferente em suas obras. Como tem sido pra vocês trabalhar junto ao background histórico de Natal? O que a cidade oferece melhor e pior para música eletrônica? 

A cena eletrônica de Natal, embora seja bastante rica no tocante à artistas e produtores, ainda possui pouco reconhecimento nacionalmente. Tem momentos de altos e baixos, de muitas festas e de escassez. Também somos produtoras culturais inseridas na cena underground e um dos maiores desafios em Natal é convencer o público a ir às festas, escutar outras vertentes diferentes e pagarem um preço justo pelo evento. 

Admiramos muito os produtores locais que persistem em trazer a cultura clubber e movimentar a cena, dando visibilidade à uma galera super talentosa que muitas vezes não tem o reconhecimento que merece. Além disso, sentimos falta de mais espaços públicos onde possam acontecer eventos culturais com música eletrônica. 

Acreditamos que a valorização do artista que é DJ e produtor ainda é um aspecto que precisa melhorar na cidade, mas em contrapartida temos um bom relacionamento e parceria entre os coletivos daqui, o que é um ponto positivo. 

No que diz respeito a lançamentos, quais são os principais planos e prioridades do Blue&Red para os próximos meses? 

Nós temos uma previsão de lançamento da nossa primeira track em parceria com o DJ e Produtor Dan Cunha pela Sabiá Records autointitulada Get Out. Passamos 4 anos sendo apenas DJs e pretendemos investir agora mais na produção musical. Queremos lançar essas novas músicas e expandir nossas gigs para fora do Nordeste e quem sabe do Brasil. 

Já há um certo tempo vocês têm trabalhado em parceria com a Sabiá Records. Em quais aspectos o time da agência/gravadora tem somado no dia a dia de vocês? 

Tivemos uma calorosa recepção pela Sabiá Records, que nos ofereceu além do agenciamento, toda uma estrutura de estúdio e espaço para nós ensaiarmos, que antes ficava um pouco difícil pela falta de lugar. Estar em contato com os meninos também tem nos ajudado muito na área de produção musical, pois eles já tem mais experiência e sempre que precisamos de alguma ajuda ou orientação, eles estão disponíveis, o que faz toda a diferença para nós como artistas. 

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês? 

B: A música sempre esteve presente na minha vida desde muito nova, sempre fui curiosa em aprender a tocar instrumentos, a conhecer novas bandas e novos estilos. De certa forma, o contato com a música sempre me possibilitou ir para outros lugares fora de mim e dentro de mim, não só como um movimento de expansão, mas de conexão com meu íntimo, como autoconhecimento. Através dela, pude encontrar formas de expressão quando as palavras ou o silêncio não conseguiam ser suficientes e sou muito grata por isso, de poder ter a arte disponível quando eu mais preciso e precisei. Se eu fosse resumir, é como se a música representasse uma amiga que sei que posso contar e que ela me dará a resposta perfeita para cada momento da minha vida. 

E: Minha relação com a música aconteceu desde muito nova, o mundo dos diversos instrumentos sempre me despertou bastante curiosidade. O violão foi o primeiro instrumento que aprendi a tocar sozinha, e consecutivamente me impulsionou a começar a cantar e compor, posso dizer que até hoje uso esses recursos para externar o lado mais sensível que existe em mim. Por meio dela, comecei a compreender a importância de se conectar e expressar com meu íntimo, é como se ela me escutasse, e me levasse para um lugar paralelo onde posso confidenciar os meus sentimentos sem nenhum julgamento. Particularmente e resumidamente, a música representa o grito preso na garganta, o movimento que vira dança, o silêncio que pode se transformar em sorriso ou choro, o sentir ser regada de amor e arte, o existir e resistir, e por fim, o melhor alimento para a alma. 

A música conecta.


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