Alataj entrevista Brian Cid

A efervescência musical do Brooklyn fica explícita na quantidade de artistas que bairro nova-iorquino tem revelado para a comunidade internacional – Anthony Parasole, uma das crias mais emblemáticas de lá já passou por aqui. Entre tantos nomes interessantes, destacamos hoje Brian Cid, DJ e produtor dono de releases em labels como microCastle, Lost&Found, Get Physical e Knee Deep in Sound – além de seus próprios selos Endangered Records e Extinct Records.

Brian tem se aventurado por diferentes mares na música eletrônica e já entregou trabalhos de ponta dentro do house, techno e especialmente no progressive house. Seu catálogo é formado por uma série de releases que desafiam as barreiras de gênero e caem como uma luva no dance floor – seu start na produção musical foi logo as 14 anos de idade. O começo prematuro permitiu que ele bebesse direto da fonte de diferentes movimentos musicais e logo se interessasse mais a fundo pela parte técnica que envolve a aspecto criativo da cena.

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Não muito depois disso, Cid começou a trabalhar como engenheiro de áudio para alguns dos maiores nomes da indústria fonográfica mundial. Entretanto, o grande destaque de sua jornada cabe a suas próprias criações, amplamente tocadas por nomes como Richie Hawtin, Pete Tong, Hernan Cattaneo, Joris Voorn e Tale Of Us. Nesse bate-papo exclusivo, Brian Cid fala sobre alguns dos principais pontos de sua carreira e, de quebra, nos entrega um mix exclusivo. Confira:

Alataj: Olá, Brian! É um grande prazer falar com você. O fato de você residir no Brookly, influenciou de alguma maneira a forma como você produz e enxerga a música?

Brian Cid: O prazer é meu! Brooklyn me influenciou muito, sua energia acendeu um fogo em mim. A diversidade na música, pessoas, arte de rua e grafite, assim como os warehouses, rooftops, porões, tudo isso reflete no que eu crio e no que eu represento como artista.

Você começou a produzir música eletrônica ainda muito jovem, com apenas 14 anos. O que te levou a fazer isso? Naquela época era diversão ou você já sabia que podia ir além disso?

Bom, na verdade eu comecei com outros gêneros como dancehall, reggae, hip hop e até rock antes de entrar na música eletrônica. Sempre tive computadores em casa desde que me lembro. Meu pai era engenheiro de sistemas, então os computadores faziam parte da minha vida, eu estava sempre desmontando, instalando softwares, programando, hackeando redes e experimentando. Meu amor pela música me levou a pegar um monte de softwares musicais e brincar com eles por diversão – nenhuma programação em mente. Nunca considerei uma carreira na música, foi só mais tarde na faculdade, quando decidi ir em frente depois de perceber que era a única coisa que eu dava toda a minha atenção.

De que forma sua experiência como engenheiro de áudio impactou seu formato de trabalho quando voltado para a dance music?

Sempre gostei de música eletrônica e ritmos, então decidi montar um EP. Meu conhecimento como engenheiro de áudio facilitou a abordagem na produção. Usar toneladas de efeitos, incluindo delays, reverbs, EQ, compressores, foi como um playground para mim. Além disso, eu não queria depender de ninguém para lançar música, então aprendi a fazer o processo completo por conta própria, desde a gravação, edição, mixagem e masterização.

Lost&Found, microCastle, Knee Deep In Sound e Get Physical são apenas alguns dos selos que você já colaborou. Quão importante essas marcas foram no seu desenvolvimento?

Esses selos me ajudaram a aumentar meu alcance, principalmente para um pensamento avançado, inteligente. Eles foram cuidadosamente selecionados e meu relacionamento com eles é muito especial. Especialmente com microCastle, baseado em Toronto.

Muito se fala sobre a cena clubber de NY, certamente uma das mais importantes para a história da dance music. Mas e agora, como as coisas estão por aí? Há uma leva de jovens interessados em consumir algo mais profundo no panorama musical?

NY está sempre mudando, isso é o que a torna especial. Agora o underground encontrou mais oportunidades no mercado, locais como o The Mirage e todas as grandes warehouses, como o Teksupport, contribuíram para isso também. O underground está tomando a liderança novamente, não apenas em NY, mas em todo o país. É um lindo momento na música.

Endangered me parece um projeto bem interessante e fora da curva. Você poderia falar um pouco mais sobre ele e os lançamentos que já saíram?

Endangered é meu novo projeto musical que inclui uma gravadora e showcases ao vivo, com arte e visuais de alta performance. É uma experiência sensorial completa e também espiritual. A gravadora começou seus primeiros lançamentos recebendo uma incrível aceitação dentro da comunidade. Nosso último projeto assinado foi o EP Kingdom, do produtor Justin Marchacos, que alcançou o Top 20 na categoria techno melódico e house. Isso mostra quanto apoio já estamos recebendo. Endangered levará seus eventos em todo o mundo, então aguente firme.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música é um estilo de vida para mim, é a única coisa que me mantém são (ou insano?), é o único trabalho que eu tive em toda a minha vida. Minha terapia, minha meditação, a única maneira de me comunicar verdadeiramente. Tornou-se minha carreira muito depois que já estava encaixada em mim como pessoa. É cura, é o instrumento mais poderoso da vida. Sou abençoado e grato por poder abraçar quem eu sou através da música.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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