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Deixe-se envolver pelo som maravilhoso do Detroit Swindle. Falamos com eles!

Lars Dales e Maarten Smeets iniciaram o Detroit Swindle em 2011 e por mais que o nome do projeto remeta a outro estilo musical, esses caras são um dos nomes mais bacanas da house music no momento. Juntos, eles estão movimentando a cena clubber de Amsterdam, entregando sets para festas de ponta de todo mundo e colocando muita coisa boa nas prateleiras através do label Heist Recordings.

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Maarten e Lars refletem uma preocupação constante em conectar diferentes estilos musicais. Talvez por isso, sua música não soe, nem de longe, engessada. Grooves típicos, boa qualidade técnica e um swing como poucos são capazes de desenvolver são características marcantes do som produzido por esses dois jovens holandeses nascidos na década de 80. O olhar e cuidado que eles possuem para Heist Recordings também é digno de menção, já que por lá passaram produtores do calibre de Fouk, Max Graef, Nachtbraker e Brame & Hamo.

O Detroit Swindle também ficou conhecido pela vontade insaciável dos meninos em encontrar discos preciosos perdidos por toda e qualquer cidade que eles estão passando – isso inclui algumas pérolas de música brasileira. Nesse bate-papo exclusivo, falamos sobre identidade musical, Amsterdam, sintetizadores analógicos e muito mais. Vem com a gente:

1 – Olá, meninos! Tudo bem? É um prazer realizar essa entrevista. A diferença de idade entre vocês é de apenas um ano, certo? Ser parte de uma mesma geração contribuiu para que a música do Detroit Swindle adquirisse uma identidade mais facilmente?

Olá! Sim, não estamos nem um ano de distância, então vocês podem ver semelhanças no que sabemos e gostamos musicalmente, no que pensamos quando falamos de “clássicos” para nós. Ser uma criança nos anos 80 e crescer nos anos 90 significa que o hip hop desempenhou um papel importante na nossa infância e a música dos anos 70 estava ao nosso redor porque nossos pais curtiam isso sem parar. Nunca pensei nisso sendo uma influência direta sobre a “coerência” em nossa música ou tornando-a mais reconhecível, mas é verdade que conseguimos criar essa clara identidade musical e pode ser por isso.

2 – Em quais pontos as preferências pessoais de vocês convergem e divergem? Como reunir isso e tornar funcional no processo de produção musical?

Há muitas diferenças apesar de termos crescido no mesmo período. Lars foi a clubes muito cedo e era um verdadeiro fã de hip hop, enquanto eu escutava coisas mais como punk e indie. Na house music de hoje, também temos nossas preferências e ideias, algumas faixas são mais “Lars” e outras são mais eu. Nós sempre procuramos um compromisso, seja em uma produção, ou em um lançamento completo, para ter ambas as nossas influências lá e conseguir esse equilíbrio que faz o som Detroit Swindle.

3 – Percebo que a cena house de Amsterdam está passando por um grande momento, com excelentes produtores lançando suas faixas em grandes selos. Como vocês avaliam esse atual cenário da cidade?

Sim, Amsterdã está indo muito bem, com muito apoio à vida noturna local e muitos jovens que colocam energia na cena musical, dentro e fora do palco. A sustentabilidade é um grande tópico para que você veja pessoas inteligentes como as que estão por trás do DGTL, concentrando-se realmente nisso, e a musicalidade livre de gênero em geral está realmente grande agora. Esse tipo de mentalidade aberta é incrível para nós, porque, basicamente, você pode tocar o que quiser e as pessoas estão realmente indo com você para uma viagem musical. Espero que essa energia se espalhe e essa sensação de liberdade musical dê espaço para mais liberdade em geral.

4 – Sabemos que o estúdio de vocês está recheado de ótimos sintetizadores analógicos. Esses equipamentos tem feito a diferença no processo criativo de vocês? Como tem sido as gigs no formato live act?

Considerando que nossos primeiros lançamentos foram feitos exclusivamente com samples e VSTs do antigo macbook, sim, você pode dizer que a expansão do nosso estúdio fez muita diferença. É ótimo mexer em uma máquina real em vez de trabalhar atrás de uma tela e o grau de imprevisibilidade de alguns sintetizadores é excelente. Além disso, quando você está em 2 caras, é bom poder se mover um pouco, gravar algo, mudar de lugar e usar todo o espaço, ao invés de compartilhar uma tela de computador e  ficar brincando com um mouse.

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5 – Recentemente vocês lançaram um ótimo remix para o produtor britânico Tom Misch. Como foi trabalhar nessa faixa? A posição de remixer é confortável para o Detroit Swindle?

Sim, isso foi divertido. Tom se aproximou de nós e nos disse que era um grande fã. Não tínhamos ouvido falar dele antes (que vergonha!), mas adoramos a faixa, então aceitamos. Seus vocais são surpreendentes e o trabalho de sintetização dessa faixa é muito especial. Acho que demos à música um toque legal, estamos felizes com isso. Eu acho que ele também está, porque acabamos de trabalhar juntos em uma faixa original para nosso próximo álbum.

Nós adoramos fazer remixes, mas às vezes eles nos deixam loucos. Ou talvez nós nos deixemos loucos. Esse foi muito rápido, mas para o último remix que fizemos, tivemos que fazer aproximadamente 10 versões diferentes até encontrarmos aquela que realmente ficou especial. Graças a Deus nós conseguimos.

6 – O trabalho de vocês com a Heist Recordings é realmente encantador. Acho que a melhor maneira de explorar esse assunto, é através de um depoimento de vocês sobre tudo o que foi feito até aqui e claro, planos para o futuro…

Obrigado pelo elogio. Heist é realmente o nosso bebê e nós trabalhamos duro para tornar cada lançamento o mais especial possível. Neste momento, estamos trabalhando no quarto “round-up”, que é um lançamento anual onde cada artista que lançou um EP nesse ano remixa outro artista desse ano. É um projeto muito divertido e todos os anos recebemos remixes realmente incríveis. No próximo ano, provavelmente lançaremos o primeiro álbum no Heist, que é um grande passo para o label. O próximo ano também marca a 5ª temporada, então definitivamente vamos fazer algo especial para comemorar.

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7 – Além da Heist, sabemos que vocês cultivam um bom relacionamento com outros selos, como Freerange, Future Classics e Dirt Crew, por exemplo. Quais pontos vocês consideram essenciais para manter um bom relacionamento entre aristas e selo?

Foram labels que nos ajudaram a crescer no começo e ficamos próximos desde então, apesar de termos avançado para começar nosso próprio label, Heist. As pessoas por trás desses labels, como Peter da Dirt Crew ou Jimpster da Freerange são incríveis em suas visões musicais e são pessoas realmente agradáveis para estar perto. Realmente faz a diferença se você é legal e vale a pena fazer um esforço para se manter conectado. No melhor dos casos, vocês podem se ajudar mutualmente a crescer musicalmente e, no pior dos casos, você fez amigos para a vida toda.

8 – Sabemos que vocês são grande entusiastas da cultura do vinil e que o mercado está mais aquecido do que nunca para este cenário. Na visão de vocês, o que este momento está trazendo de melhor e pior?

Sim, nós tendemos a gastar muito tempo em lojas de discos e muito dinheiro em discogs, mas nós precisamos. É muito divertido! A vantagem mais óbvia é que há mais atenção ao aspecto físico da produção musical agora do que há algum tempo. Para alguns labels, todo esse “hype” é difícil porque os tempo do processo de produção pode subir bastante.

9 – Música brasileira… o que vocês sabem ou conhecem a respeito? Há algum artista que tem chamado a atenção do Detroit Swindle nos últimos tempos?

Para ser sincero, estamos começando no estilo. Graças a caras como Floating Points e Antal, há muita atenção para a música brasileira mais antiga e com toda a cultura de re-edição tão forte agora, muitas joias (esquecidas) estão se tornando disponíveis novamente. Na última vez em que estivemos no Brasil, tivemos bons momentos passando pelas lojas de discos, estamos ansiosos para voltar e cavar mais.

10 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês?

Música é a nossa vida.

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A música conecta as pessoas! 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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