É preciso ter coragem para largar tudo e correr atrás de um sonho. Quando esse sonho trata-se de algo buscado por milhares de pessoas, essa tarefa soa ainda mais difícil. Os empecilhos e dificuldades encontrados no caminho não foram suficientes para abalar o desejo de se tornar um músico reconhecido que residia na mente de Douglas Greed. O DJ e produtor alemão largou uma carreira no design gráfico para buscar espaço na disputada cena eletrônica de Berlim. Parece loucura, mas ele sabia bem aonde poderia chegar.

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Para compreendermos se essa jornada foi guiada, ou não, por uma decisão acertada, basta uma rápida passagem pela discografia de Douglas. Lá, podemos encontrar faixas excelentes lançadas em parceria com selos fortes do cenário europeu – Nervous Records, Hive Audio e Fenou, apenas para citar alguns. Um dos mais impactantes trabalhos de Greed leva o nome de All I Want e foi lançado pela tradicional Exploited. Trata-se de uma abordagem tocante de deeep house, com traços fortes do perfil sonoro desse talentoso artista.

Através desse EP chegamos até Douglas, o convidamos para uma entrevista e de quebra ganhamos um mix exclusivo, que segundo o próprio artista traz o feeling perfeito para um pré-festa daqueles. Confira abaixo: 

1 – Olá, Douglas! Obrigado por nos atender. Quando você começou a produzir música eletrônica sob a alcunha Douglas Greed em 2005, como estava sua vida e seus trabalhos? Esse ano pode ser considerado um ponto de virada na sua carreira?

Naquela época, estudei na Bauhaus University e me especializei em fazer audioplays e audioinstallation. Além disso, estava trabalhando em clubes como promoter e designer gráfico. Quando comecei a fazer meus primeiros releases era tudo diversão – e continua sendo. Depois de um tempo, tive a sorte de poder me concentrar 100% em fazer música, ainda me sinto muito grato por isso.

2 – Em que momento você percebeu que a música era mais quem hobby e que isso poderia ser seu ganha-pão?

Eu estava bastante irritado com meu trabalho diário como um designer gráfico, então eu decidi reduzir todos os meus custos de vida e tentar viver apenas da música. Foi uma situação bem difícil por alguns anos – mas eu tinha que correr o risco ou eu teria sido um cara muito triste pelo resto da vida.

3 – Algumas de suas referências e background musical vem do hip hop, certo? Quem te apresentou esse gênero e quais artistas você ouvia na época?

Meio que entrei no hip hop através do grafite. Quando comecei a fazer grafite estava cercado pela cultura do hip hop, então automaticamente comecei a ouvir bandas como A Tribe Called Quest, Gangstarr, Outcast. Até tive uma pequena banda – o que foi muito divertido.

4 – A música eletrônica, em especial as cenas house e techno, podem soar repetitivas em algumas situações, principalmente por falta de criatividade. Na sua visão, quem são os artistas que estão conseguindo desenvolver um trabalho realmente inovador e surpreendente nesse momento? Ter um identidade que soe de forma diferente é uma de suas preocupações no estúdio?

Bom, acho que a repetição é a chave para o house e techno. Não me importo com links para o passado e acho que há muitas faixas criativas por aí. Mas como sempre foi: apenas algumas pessoas entendem essa nova coisa. Também acho que a música está em uma época de pós-inovação, tudo foi feito – tudo foi combinado. Agora estamos à espera de novas tecnologias para nos ajudar a chegar no próximo nível, como foi com a invenção da guitarra eletrônica e o sampler.

5 – KRL, produzido em 2011, foi um marco em sua carreira. Fale um pouco sobre o processo criativo desse trabalho e como você se encontrava pessoalmente naquele momento.

Naquela época não era minha intenção fazer um álbum. Simplesmente me sentei um dia, estava passando esboços no meu HD e percebi que lá havia um par de faixas que se encaixavam bem. Então as terminei e tinha um álbum.

6 – Seu último EP de originais é uma brilhante interpretação de deep house e minimal pela Exploited. Como tem sido a repercussão dele na pista? Quando e como exatamente você produziu essas faixas?

Eu produzi as faixas no ano passado. All I Want que apresenta a voz de MaMa foi feita no fim do último verão. Escrevi a letra em uma longa viagem de trem de volta para casa em Berlim e perguntei se ela toparia fazer uma sessão de gravação, então fizemos em uma tarde. A outra faixa chamada Beule tem quase dois anos. Às vezes tenho faixas ou ideias que amo, mas sinto que “ainda não é o momento”, trabalhei nela por um tempo e fiquei satisfeito com ela quase dois anos depois.

7 – O que você sabe sobre a cena no Brasil? Há planos para estar aqui em breve?

Infelizmente não estive no Brasil ainda, então não sei muito sobre. Espero ir para lá um dia e aprender tudo que há para aprender, e também para conhecer lugares e pessoas interessantes.

8 – O que você separou pra gente nesse podcast exclusivo?

Tentei montar uma seleção que permita que você tenha o feeling de “Sim… Vamos sair esta noite!”. Talvez algo para ouvir no caminho para um club ou festival, ou talvez algo para ouvir na segunda enquanto se lembra dos bons momentos do seu último fim de semana.

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9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Tudo.

A música conecta as pessoas!