Alataj entrevita Frankey & Sandrino

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Quando duas mentes criativas se unem no mundo da música, a curiosidade despertada no público é sempre alta e as expectativas são maiores ainda. Frank Beckers e Sandrino Tittel se conheceram enquanto ainda estavam consolidando suas carreiras solo em seu país natal, a Alemanha, e o resultado do projeto criado por eles foi muito além do que a indústria eletrônica poderia prever.

Prestes a fechar uma década de história, o duo Frankey & Sandrino chegou ao grande ponto de virada de sua carreira em 2015, após o lançamento da faixa Acamar pela label Innervisions, um dos seus maiores sucessos, que ultrapassou a marca dos 3 milhões de audições no Spotify e definiu a temporada de verão europeia daquele ano. No Brasil, a faixa também foi um sucesso absoluto e responsável por popularizar o projeto por aqui.  

A ótima performance da dupla nos estúdios é reforçada pela assinatura de selos como MoodMusic, Kompakt e Suara. O talento do duo domina também as pistas, com um live act poderoso que revela todas as camadas obscuras do som proposto por eles, flutuando do deep house ao techno. Desde 2016 Frankey & Sandrino também estão à frente da própria gravadora, Sum Over Histories. O Brasil é um destino frequente na agenda dos artistas que percorrem o mundo com suas turnês e nós aproveitamos sua última passagem por aqui para conduzir essa entrevista inédita e exclusiva:

Alataj: Olá, rapazes! Tudo bem? É bom falar com vocês. Quase que simultaneamente ao boom do techno mundial, vocês arrebataram a indústria com o lançamento de Acamar pela Innervisions. Sei que vocês já devem ter falado muito sobre isso, mas qual o sentimento principal que paira sobre este release e as portas que ele abriu?

Sandrino: Olá, olá. Igualmente! Acamar nos colocou no mapa global. É realmente fascinante quantas pessoas associam memórias positivas a essa música. Minha esposa também diz que lembra quando ouviu a primeira vez e como a tocou. Até agora encontramos muitas pessoas nos contando suas histórias. Uma que me tocou foi um casal, em uma festa no Oriente Médio, que nos disse que Acamar foi a música do seu casamento. Gosto de imaginar se eles irão celebrar as bodas de ouro e relembrar a música de seu casamento, isso é tão bonito.

Frankey: Com certeza o impacto de Acamar foi inesperado e abriu muitas portas. Mas agora, 4 anos depois, o efeito mais satisfatório é, que não importa onde nós vamos no mundo, quase todo fim de semana encontramos alguém que compartilha sua história pessoal sobre Acamar. Onde e como ouviram pela primeira vez, como os tocou em um nível emocional. Estou orgulhoso por termos criado algo verdadeiramente universal, uma faixa com que todos podem concordar.

Vocês dois possuem uma história muito interessante frente a cena da dance music global mesmo antes da formação do projeto. Em quais aspectos a experiência de ambos foi importante ao longo dessa caminhada como Frankey & Sandrino?

F: Tudo que eu faço hoje é, com certeza, um resultado de experiências anteriores. Ao mesmo tempo, sempre tento não repetir as coisas, encontrar novas formas de expressão musical. Essa é a beleza da música eletrônica: ela continua evoluindo.

S: É simples, eu diria que “tudo o que fizemos antes nos trouxeram ao presente e nos fizeram ser quem somos”.

Percebo que muito de tudo que vocês conquistaram até então está ligado a consistência dos lançamentos enquanto dupla. Como explicar essa sinergia do estúdio se transformando em resultados?

F: É verdade, praticamente todas as vezes que vamos ao estúdio, conseguimos resultados. Acho que isso é baseado em um certo mindset, que tenta deixar basicamente tudo que não seja relacionado a música fora do estúdio. Nunca pensamos em labels, se as pessoas vão gostar, ou em copiar outros artistas. Nada. No estúdio precisamos de criatividade pura sem barreiras. Eu mesmo não quero analisar muito o processo, pois simplesmente funciona. Claro que eu tenho um lado muito mais músico/produtor, enquanto Sandrino é um selector e foca mais na energia e atmosfera de uma faixa.

Vocês já estiveram no Brasil algumas vezes tocando em algumas das nossas principais festas. De uma forma bem sincera e honesta, como vocês sentem a recepção do público brasileiro frente às suas apresentações?

S: Frankey tem uma longa história com o Brasil, enquanto faz 3 anos da minha primeira vez aqui. Tivemos um bom começo com vocês, galera. Uma das minhas preferidas foi no Warung Tour, na Fabriketa, em São Paulo. Tocamos com Hernan Cattaneo. Foi apenas insano!

F: Sempre amei o Brasil e a cena é intensa aqui. Até agora tivemos a sorte de encontrar os lugares certos onde o público realmente gosta do que estamos fazendo.

Existe algum lugar no mundo em que o som de vocês trabalha melhor? Como vocês lidam com essas questões geográficas frente a música do projeto? Há realmente alguma diferença de país para país?

F: Na verdade, sim. A diferença entre os países é bastante notável. Mas não é algo tão simples como “esse país é ruim e esse país é bom”. Cada país tem uma diferente percepção da música e isso também é lindo. Algumas pessoas enlouquecem, pulam e gritam, outras dançam profundamente a música e permanecem de olhos fechados. Você não pode julgar o que é melhor, apenas ser grato.

S: Sim, na verdade é. A apreciação pela música talvez seja a mesma, mas as reações são diferentes. Por exemplo, no México semana passada as pessoas enlouqueceram da primeira à última música da nossa apresentação. Tão diferente de quando tocamos no Kater Blau, em Berlim, as pessoas estavam flutuando na música com os olhos fechados. No fim, você não consegue dizer qual experiência foi melhor, a extrínseca ou a intrínseca.

Sirius foi recentemente lançado pela Diynamic e pode ser considerado um dos destaques na prateleira de releases do verão europeu. O que vocês podem nos contar a respeito do processo criativo deste EP?

S: Criatividade é algo instantâneo, do momento (pelo menos para nós) e você não consegue falar muito sobre ela. Depende de tantos fatores, como o humor atual, experiências, situações do cotidiano e até mesmo clima. Apenas deixamos fluir quando estamos no estúdio.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês?

S: A vida sem música seria um tédio. Ela conecta as pessoas, te dá esperança, faz você se sentir melhor e une emoções a memórias.

F: Sou um pouco estranho, pois vejo a música diferente da maioria das pessoas: para mim é como se a música fosse um mundo abstrato e na sua mais pura forma, nesse mundo não há pessoas. Então todas as horas da semana em que passo ouvindo e produzindo música no estúdio, é somente eu e a música. 

Eu gosto muito desse relacionamento intimista, e esse também é o motivo por eu não ser uma pessoa muito sociável. Desde que eu possa estar nesse mundo abstrato, estou feliz e não preciso de seres humanos. Mas também é sempre uma surpresa quando saio nos fins de semana e compartilho meu mundo musical com pessoas ao redor do mundo.

A música conecta.


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