Alataj entrevista Fred P

A indústria da música eletrônica se acostumou a chamar alguns nomes de lenda em um panorama global. Entretanto, sabemos que esse tipo de alcunha tão importante se encaixa de fato a poucos. Fred P é um dos que realmente merecem estar lá.

Ao longo de uma carreira vitoriosa e sólida, Fred P ajudou a consolidar o que hoje chamamos de deep house. Através desse movimento, criador e criatura se fundiram para concepção de algo realmente profundo, como a própria palavra “deep” já entrega e sugere. Longe de ser um novato na cena, Fred entregou um número absolutamente impressionante de trabalhos relevantes produzindo e discotendo sob diferentes pseudônimos – Black Jazz Consortium, The Incredible Adventures Of Captain P, Anomaly, FP197 e outros.

Em sua primeira passagem pelo Brasil em 2015 com a TROOP, este ícone da dance music americana passou por Florianópolis, Curitiba e São Paulo. Agora ele retorna para estas mesmas cidades em busca de novas aventuras. Oportunidade única para o jovem público brasileiro entender por quê ele e a Soul People Music representam um capítulo tão importante nisso que chamamos de house music:

Alataj: Olá, Fred! Obrigado por nos at ender. Na sua opinião, o que faz de uma música um som realmente “deep”?

Fred P: Em primeiro lugar, gostaria de agradecer pela oportunidade de compartilhar meu ponto de vista. Na minha opinião, deep, assim como a definição é algo que está abaixo da superfície. O que isso significa é música que atravessa o superficial, toca além da pista de dança após o momento e permanece com você na sua memória e toca o seu ser.

Sua última passagem pelo Brasil foi repleta de momentos bastante especiais por algumas das pistas mais interessantes do país. Quais são as principais lembranças que você guarda em relação ao público brasileiro? De alguma forma, você se identifica com a atmosfera do nosso país?

As pessoas do Brasil são reais, autênticas e verdadeiras a si mesmas. Elas dançam, festejam e permitem que a música cumpra seu propósito. Fui inspirado a tocar e descobrir que o público estava comigo até o fim. Eu sinto a energia do país e espero entender mais com o passar do tempo.

Falando sobre Nova York: muito é dito sobre as mudanças profundas que a cidade passou durante as duas últimas décadas. Na sua visão, o que há de melhor e pior em relação a isso?

A melhor parte é que a vida noturna se tornou tão popular que está crescendo. Há oportunidade de alcançar pessoas através da música. A pior é que se tornou muito caro morar lá. Sou de NY e não moro lá há 6 anos e não tenho planos de voltar. É uma ótima cidade, gosto muito dela, é onde eu nasci e sempre estará no meu coração, sempre vou tocar para as pessoas de lá.

Uma dos pontos mais impactantes de sua carreira é o perfil humilde que você tem mantido ao longo dos anos, longe do glamour ou dos holofotes necessários. Na sua visão, você sente que a cena eletrônica global está se transformando em algo meio rockstar? Isso é perigoso?

A cena está evoluindo com a tecnologia e uma nova geração de pessoas e artistas que têm valores diferentes do que a geração anterior. A questão é e sempre será sobre valores. Você tem que perguntar a si mesmo o que é importante para a sua experiência. Para mim é a música, é para isso que vivo, apoio com meu trabalho e me esforço para contribuir à cultura. Esse ponto de vista pode ser diferentes para outros que valorizam planos de marketing, etc. Não tem nada de errado nisso, no entanto, ninguém é maior do que a música. Com o passar do tempo, o hype desaparece e o que fica é um artista autêntico que faz o trabalho de espalhar experiências reais no som.

Black Jazz Consortium, The Incredible Adventures Of Captain, Anomaly, FP197. Alter egos não faltam na construção de seu trabalho como DJ e produtor. O que exatamente levou você a cria-los?

A necessidade de criar enquanto passo a maior parte do tempo no estúdio traduzindo o que vem na minha cabeça. Cada nome é uma oportunidade de soltar essas ideias. A música que produzo é para as pessoas que gostam de mim e que vivem para esse som.

Grandes festivais ou clubs undergrounds: qual dessas duas atmosferas te coloca em uma posição mais confortável?

Amo tudo isso. Toco para os dois mundos e encontro meu espaço nos dois ambientes. É tudo sobre as pessoas e como nós podemos ter uma experiência genuína. Isso pode acontecer em qualquer lugar em que a música esteja sendo ouvida.

Como você tem sentido esse novo momento da house music ao redor do globo?

É difícil, porque sinto que o termo “house” está sendo usado tão livremente que a ideia é ultrapassada. A maioria das músicas da variedade eletrônica basicamente repete o passado para ser relevante. Entretanto, há artistas que estão trabalhando comigo que estão fazendo seu próprio som, que eu apoio completamente e vocês vão escutar em breve, eles fazem músicas que refletem os momentos. Você precisa saber o que isso significa e que vem de ser autêntico ou verdadeiro a si mesmo. Então, eu me vejo em meu próprio espaço fazendo as minhas coisas, tentando empurrar novas músicas e minha marca de som, sem olhar muito para o que está acontecendo. Se preocupar com relevância não é legal, é a coisa mais corriqueira que você pode fazer enquanto pessoa criativa. Então, minha esperança é ouvir mais músicas originais que refletem os momentos.

A última: alguma coisa que você possa compartilhar conosco em torno dos seus projetos para que possamos acompanhar?

2019 será o ano para me acompanhar enquanto artista e selo. Estive parado por um tempo, pois troquei de agência e distribuição, então havia muito trabalho sendo feito nos bastidores. De qualquer forma, estou animado e motivado pelos projetos e novos artistas com quem tenho a sorte de trabalhar. Como sempre, estou ansioso para as tours ao redor do globo e servir às pessoas com as músicas que elas amam.

A MÚSICA CONECTA. 

+ Fred P na TROOP em Floripa
+ Fred P na Tribaltech em Curitiba
+ Fred P no Gare em São Paulo


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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