Alataj entrevista Justin Strauss

Por Gabriela Loschi

Não há muito o que questionar: quando se fala em autoridade clubber nova-iorquina, o nome de Justin Strauss é imediatamente associado, não apenas por já ter sido residente da maioria dos clubs da cidade, desde a década de 80, marcando presença desde o icônico Mudd Club em Manhattan até o atual e também icônico Output, club na efervescente cena do Brooklyn que recentemente teve suas portas fechadas. Mas também porque suas habilidades na produção musical alcançaram o mundo, com records pulando nos cases de DJs mais exigentes de house music em todas as pistas.

Foram mais de 300 faixas remixadas ao longo da vida, de artistas do calibre de Depeche Mode, Tina Turner, Jimmy Cliff, Hot Chip, Beyoncé, LCD Soundsystem, Holy Ghost!, Goldfrapp Blood Orange. Em 1989 ele começou uma próxima relação com o Brasil ao remixar Mas Que Nada do Sérgio Mendes – ele também já remixou Renato Cohen através do seu projeto Whatever/Whatever.

Por tudo isso, e por toda a versatilidade e pesquisa que carrega, Justin Strauss foi escolhido para abrir a noite do Caos nesta sexta, 17 de maio, uma das mais importantes do club até então. Espere um set calcado em camadas e sensações alegres, que proporcionará o início de uma jornada profunda que seguirá sendo conduzida por Rødhåd, Murphy, Renato Cohen e Sol Ortega até pelo menos às 10h da manhã. Batemos um ping-pong musical com Strauss antes de sua apresentação em Campinas, confira:

Alataj: Como você consegue manter um artista criativo dentro de você no longo prazo?

Justin Strauss: Eu nunca perdi a minha curiosidade ou entusiasmo por encontrar ou fazer novas músicas. Eu sou constantemente inspirado por artistas, novos e antigos.

O que lhe dá muita energia?

Apenas entrar em um DJ booth ou estar no estúdio, são coisas que sempre me energizam. Meus shows e produções são o resultado disso, e espero que essa energia se conecte com quem os ouve, e os inspire também.

3 faixas que você gostaria de ter produzido:

Massive Attack – “Protection” , Donna Summer “I Feel Love” e The Beatles “Tomorrow Never Knows”.

3 faixas que você produziu e que são memoráveis para você:

A/Jus/Ted “Stay Up Here”, 808 State “Pacific 212 remix”, e o Whatever/Whatever remix do William Onyeabor para “Body and Soul”.

Uma faixa que você nunca remixaria e por quê:

Como alguém que remixou cerca de 300 records, essa é uma pergunta difícil. Geralmente meu sentimento é de que a original está sempre lá para quem quiser ouvir. O remix é apenas uma outra abordagem e não pretende substituir a versão original, por isso não me oponho a ouvir outra ideia de uma faixa. Alguns fazem mais sentido do que outros, é claro.

Um artista com quem você não tenha trabalhado ainda e que você queira:

Eu adoraria trabalhar com o falecido Mark Hollis do Talk Talk. Seu trabalho foi uma grande inspiração para mim.

Um trabalho que você nunca esquecerá:

Quando me pediram para fazer um remix para o clássico do Luther Vandross, Never Too Much, ele estava trabalhando no estúdio ao lado, ouviu o que eu estava fazendo com o remix e disse que adorou. Perguntou se ele poderia cantar e adicionar algumas novas partes de vocais. Ele fez e foi um sonho se tornado realidade.

Whatever/Whatever x A/JUS/TED – que sentimentos cada um representa para você?

Eu sempre amei o processo colaborativo. Eu tive a sorte de conhecer Bryan Mette e logo formarmos o Whatever/Whatever. Poucos anos depois ouvi algumas músicas de alguém chamado Eddie Mars, que acabou por ser Teddy Stuart. Nos conhecemos e logo depois entramos no estúdio e gravamos nosso primeiro lançamento como A/Jus/Ted. Estou muito orgulhoso de ambas as parcerias e amo o trabalho que fizemos juntos.

Uma dica para produtores/remixers: como se manter original?

Seja original e faça o que parecer certo para você. Quando eu entro em um estúdio para trabalhar em um remix ou fazer um record novo que eu mesmo faria, esse é sempre meu objetivo.

Coisas que você aprendeu com François K e Larry Levan:

François foi a primeira pessoa que me mostrou o conceito de beatmatching (sincronizar as batidas das músicas). Foi uma revelação. Com Larry, aprendi a acreditar no que você toca como DJ e caminhar para frente como produtor. Ele realmente me ensinou o que significava ser um DJ. Ele era destemido.

Melhores lugares para encontrar records:

Em qualquer lugar e em qualquer hora.

Alguns dos seus lugares favoritos em Nova York:

Para discos: A1, Academy, Human Head

Um artista brasileiro:

Jorge Ben.

Algumas palavras para os brasileiros que estão esperando seu show na próxima sexta no Caos:

Espere o inesperado.

A música conecta.

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Equipe de reação do portal Alataj, focada em levar conteúdo cultural ao público antenado na música eletrônica.

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