Alataj entrevista Kiwi

Kiwi é a alcunha artística do DJ e produtor londrino Alex Warren. Após o lançamento do EP Orca pela Futureboogie no ano passado, Alex chamou os holofotes para si e captou a atenção de selos como 17 Steps, Life and Death, Disco Halal e Moda Black, que apoiaram suas produções na sequência. Seu perfil sonoro é fruto de uma mistura entre house e techno, marcado por ambiências melódicas.

Muito do sucesso que o projeto Kiwi conquistou recentemente deve-se a um trabalho feito junto ao cenário britânico, um dos mais tradicionais da história da dance music. A terra natal de Alex é um campo fértil para experimentações e ele não tem deixado de aproveitar isso a seu favor. Seja nas pistas ou no estúdio, Alex é um artista em constante movimento e uma prova disso são as peças que forma seu extenso catálogo.

Em Novembro, Kiwi lançou o EP A Peruviam Dream pela Correspondant. Além de 4 faixas originais e inéditas, o release ainda conta com um remix do sempre pontual Rex The Dog para faixa Condor, que abre o EP em sua versão principal. A nosso convite, Alex respondeu algumas perguntas que envolvem alguns dos principais tópicos e desafios de sua jornada na música. Confira a seguir:

Alataj: Olá, Alex! Tudo bem? É um grande prazer falar com você. Particularmente, sou um grande admirador da escola britânica na house music. Como parte deste cenário, qual a sua opinião sobre passado, presente e futuro em relação a cena eletrônica por aí?

Fomos abençoados por nossa herança na dance music ser tão profunda. A cena rave dos anos 90 ainda me inspira até hoje. A música de Manchester e do Hacienda, a cultura do soundsystem em todo o sudeste e sudoeste devem ter sido especiais de se viver. É emocionante que a cultura rave ilegal tenha visto um ressurgimento nos últimos anos, acho que muitas das restrições e leis impostas aos clubs fizeram a cena voltar ao underground e as festas estão prosperando. A busca do hedonismo está viva e não vejo essa mudança tão cedo.

Acredito que uma das características mais importantes em um bom DJ é saber construir histórias com ritmos e movimentos musicais diferentes de uma forma que tudo faça sentido. Como você enxerga essa questão? Ter um perfil forte de discotecagem é uma de suas prioridades?

Com certeza. Eu gostaria de construir meu perfil como DJ, pois sou mais conhecido por minhas produções. Vejo como a pintura de um quadro, você tem um objetivo, onde você quer chegar, mas ao longo dessa jornada você comete erros, decisões e a imagem muda. O resultado final pode ser muito melhor do que a imagem que você imaginou inicialmente.

No mundo todo, tem sido cada vez mais raro observar DJs tocando long sets de verdade, com 8, 9 ou até mesmo 10 horas ou mais. Pra você, o que significa esse formato de apresentação? De uma forma geral, é mais fácil ou mais complexo se comunicar com o público após longas horas na cabine?

Para mim, é muito mais fácil e é terapêutico, vou tocar até ser expulso. Acho que eu tento colocar muita coisa em sets curtos, é realmente difícil se estabelecer em um espaço, você precisa desenvolver um relacionamento com o lugar e isso leva tempo. Eu gosto de tocar devagar e gosto de tocar rápido, e para assumir riscos e fazer escolhas ousadas você primeiro tem que ganhar a confiança de um espaço, não há nenhum jeito de fazer isso em duas horas. A menos que cada pessoa nesse lugar esteja lá apenas para vê-lo, o que geralmente não acontece.

De que forma sua residência no XOYO ajudou a te posicionar melhor enquanto DJ? Quais foram os principais aprendizados que você obteve por lá?

Aprendi muito! Como tocar para públicos diferentes, a verdadeira arte do warm up, que para mim, são as horas mais importantes de uma noite e realmente dá o tom para os procedimentos a seguir. Também aprendi a ser corajoso, acho que é importante arriscar para empurrar a si mesmo e ao público. A vida é curta, é importante lembrar que as pessoas estão lá para dançar e se divertir, deixe a arrogância em casa, é uma festa!

Seu próximo trabalho, A Peruvian Dream, será lançado pela Correspondant e conta com um belíssimo remix do Rex The Dog. O que você pode nos contar sobre cada uma dessas faixas que compõe o EP?

Bom, é um EP bastante amplo em termos de energia. A faixa principal, Condor, tem uma sensação de trance meio etéreo, Rex pega isso no remix. Vicuna é provavelmente a que eu mais toco. A minha favorita no EP é Windland muito inspirada em ítalo e super divertida.

Disco, funk, house e techno. Qual o segredo para construir uma identidade tão sólida flertando com estilos tão variados?

Afro, balearic, italo, rave, breakbeat… acho que eu toco tudo isso. O segredo é apenas ouvir música pelo que é e não ficar preso em qual caixa você pode colocá-la.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

É a minha carreira, meu passatempo, a única droga que sempre posso usar para mudar meu humor, seja para me encontrar, acalmar ou me ajudar a refletir. É uma ferramenta muito poderosa.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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