// On Air é a série de entrevistas do Alataj

Em um cenário tão disputado como o da música eletrônica internacional, é natural que haja uma espécie de revezamento de artistas que se encontram no topo ao longo dos anos. Se focarmos na cena house e techno então, isso ainda é mais evidente, já que temporada após temporada novos artistas surgem com potencial de sobra para acompanhar os veteranos e já consagrados DJs e produtores nos principais eventos do mundo.

Flutuando entre o house e o nu disco, Miguel Campbell tem conseguido se estabelecer no hall dos principais artistas internacionais do gênero e há mais de 5 anos goza de uma boa reputação em terras brasileiras. Com o lançamento de Something Special pela Hot Creations em Setembro de 2011, Miguel passou a ser um nome adorado nas pistas dos principais clubs do país e não demorou para que seu nome aparecesse nos flyers dos mesmos. Paralelamente a isso, ele seguiu com seus trabalhos na Outcross Records e ainda apareceu em grande forma lançando por selos como Exploited, Astrx e Hedonism Music.

Após a consolidação de seu nome em diferentes polos e algumas gigs sold out pelo Brasil, Miguel viveu um período de aceitação maior em outros países e depois de um pequeno hiato, voltou a se apresentar no por aqui com turnês organizadas pela Division Bookings. Ano passado o DJ e produtor britânico esteve por aqui no fim do ano e logo no começo de 2018 marcou presença novamente. Em meio a uma rotina intensa de viagens, aeroportos e hotéis, Campbell separou um tempo para um bate-papo com o Alataj. Confira abaixo:

Alataj: Olá, Miguel! Tudo bem? É um prazer falar com você. Como parte ativa da cena internacional desde a década de 90, certamente você tem muitas histórias pra compartilhar. Falando mais especificamente sobre o seu começo: quais foram as principais dificuldades que você enfrentou nesse período?

Miguel Campbell: Olá! Estou ótimo, obrigado. É bom estar de volta ao Brasil e um prazer falar com vocês. Na época em que comecei a fazer música, a tecnologia disponível era muito diferente. Desde programas que usávamos para produzir música até a maneira como fazíamos aquela música chegar às pessoas. Tudo era tão caro… fazer um CD ou disco para distribuir em lojas custaria muito dinheiro. É por isso que muitas vezes era difícil conseguir assinar com um selo. Agora, é muito mais fácil lançar músicas e, assim, com esse obstáculo fora do caminho, temos a liberdade de fazer o que quisermos.

Sua música é bastante conectada com a house music, não é mesmo? Qual sua avaliação a respeito da evolução do estilo nos últimos anos? Quem são os novos artistas que estão repaginando esse cenário?

Nos últimos anos, não me concentrei tanto em música nova e na evolução do estilo, ao invés disso, foquei em minhas próprias músicas e onde elas estão chegando. Fui influenciado por diferentes tipos de movimentos e gosto de tentar incorporar essas influências nas minhas faixas. Tenho trabalhado com meus parceiros Matt Hughes e Iain O’Hare e juntos nos divertimos muito explorando nossos próprios sons, estamos felizes em nos concentrar apenas no que está acontecendo em nosso estúdio.

Seu lançamento pela Hot Creations colocou sua carreira em um patamar diferente há alguns anos. Como foi trabalhar com o selo? Quão diferente está seu som atualmente, quando comparado à época do release?

Acho que a característica principal do meu estilo permaneceu o mesmo desde que comecei a fazer música e é algo que me recusei a comprometer ao longo dos anos. Produzo a música que gosto e transmito as emoções que sinto e isso é algo que nunca vou deixar de fazer. Minha música vem do coração e enquanto estiver usando sons mais fortes e eletrônicos no meu novo álbum, sinto que estarei fiel ao meu som.

Quanto ao seu trabalho com a Outcross Records. Quão importante a gravadora tem sido para o seu crescimento enquanto artista?

A Outcross Records não só foi importante para mim como artista, como para toda a equipe desde que lancei o label. Originalmente, era apenas uma plataforma para lançar música e, ao longo dos anos, a família Outcross se uniu e criou alguns dos melhores relacionamentos com nossos artistas, parceiros e amigos. É muito bom poder fornecer uma plataforma para a nossa equipe lançar seus trabalhos. Chega um momento na busca pela grandeza que você percebe como a vida é ótima e o quão bom é poder ajudar um ao outro enquanto realiza os seus sonhos. À medida que olhamos para o futuro, continuamos abraçando esses sonhos e a Outcross Records é o que nos manteve juntos durante todos esses anos.

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Alguns de seus mais importantes trabalhos foram lançados através de remixes. Como você se sente trabalhando nessa posição?

Sim, trabalhei em remixes muito legais. Nunca pensei que iria trabalhar com artistas como Janet Jackson, Imany Basement Jaxx, Miike Snow e outros – isso ainda é louco para mim quando penso sobre. Sempre gosto de criar remixes, pois muitas vezes tenho uma visão completamente diferente de como posso fazer à minha maneira e simplesmente flui. Acho que é por isso que algumas das minhas faixas mais bem sucedidas foram remixes, as pessoas podem ouvir e sentir o que mudou, mas é claro, o poder dos grandes labels desempenha um grande papel nisso.

Sinto que seu som é bastante aceito aqui no Brasil e tem muita conexão com o que o público brasileiro ama. Dito isso, quais são suas impressões sobre as festas daqui?

Tive muita sorte de ter visitado o Brasil no passado, então tenho uma compreensão dos diferentes tipos de locais e dos diferentes tipos de públicos nos shows. Meu som sempre funcionou aqui no Brasil, principalmente por causa das minhas linhas de baixo. Sei que não só no Brasil, mas em todo o mundo, as pessoas estão gostando de música com mais energia e sons eletrônicos estão acontecendo, sempre considero isso quando estou no estúdio e quando estou em tour.

Particularmente, você se enxerga um artista diferente no que diz respeito a discotecagem e produção musical? Qual caminho seguir para que essas duas partes se conectem de forma efetiva?

Essa é uma boa pergunta, algo que tenho parado pra pensar constantemente. Por fim, me vejo como o mesmo ser humano. Meu trabalho no estúdio muitas vezes difere às minhas performances como DJ, dependendo da situação e de como estou me sentindo no momento. A forma como eu asseguro que essas duas partes se conectam efetivamente é simplesmente ser eu mesmo e fazer do meu jeito.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. Na sua visão, qual o real papel do DJ em uma festa?

Tocar músicas.

A música conecta as pessoas!