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Alataj entrevista Samuca [River Club]

Alataj entrevista Samuca [River Club]

Você já parou pra pensar como uma boa ideia possui o poder de gerar novas boas ideias? Desde que o mundo é mundo, grandes iniciativas influenciam boas empreitadas e isso é ainda mais forte em campos criativos com o da música. Já dizia Lavoisier: “Nada se cria, tudo se transforma”. O grande barato é que, ao longo desse processo de transformação, pessoas se conectam, ideias amadurecem e sonhos saem do campo da imaginação. Profundo não é mesmo? Traduzindo para a realidade, essa análise pode ser aplicada na história do River, club localizado em Montenegro, região metropolitana de Porto Alegre.

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Fundado por Samuel Jacob Lamb as margens de dois grandes cartões postais da cidade, o River Club é um daqueles lugares que possuem uma magia especial, difícil até mesmo de ser explicada. Com o passar dos eventos, algo ainda mais forte foi se agregando a atmosfera já existente: o envolvimento dos seus frequentadores com o local. Com isso, Samuca e sua equipe ganharam confiança para apostar em eventos e propostas fora da curva, longe do aspecto comercial que tange muito das iniciativas voltadas a música eletrônica do nosso país. O resultado é um começo de 2019 promissor, que fica ainda mais em evidência ao observarmos a maturidade de Samuel, líder do projeto que conversou com exclusividade com a nossa equipe. Confira:

Alataj: Olá, Samuca! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. O River é um club que resgata aquela vibe intimista que muitos dos nossos clubs tinham no passado. É possível dizer que essa é uma das características mais marcantes do lugar?

Samuca: Oi Alan, tudo bem! Acredito que as características que marcam bastante o River hoje, são algo que criamos aqui como uma espécie de família. Muitos amigos que passaram a conhecer o club elogiam muito isso: a vibe com que todos se dedicam e cuidam para que os eventos sejam perfeitos. Desde o início sempre vários amigos colocaram a mão na massa e ajudaram a construir a nossa história. Outro fato que também pesa é o club estar localizado em um ponto turístico da cidade. Isso chama bastante a atenção, já que estamos a beira do Rio Caí e aos fundos temos a vista para o Morro São João, ambos cartões postais de Montenegro. O River resgata uma conexão muito forte com a natureza, um espaço que transmite liberdade aos seus frequentadores, onde não trabalhamos com camarotes ou espaços especiais, aqui somos todos iguais perante o DJ e a música.

A estrutura do club é formada por dois ambientes, certo? Como você descreveria as diferenças principais entre cada um deles?

Sim, exatamente, temos duas pistas. O Club tem uma área total de 1900 m², é dividido de forma estratégica em 3 níveis diferentes de altura, por conta dos meses de cheia do Rio Caí. Isso cria uma atmosfera muito legal, pois as pessoas acessam o Club pelo seu espaço mais alto e conseguem enxergar até o seu final pelo alto. A pista maior, nossa pista externa tem sido explorada num formato mais de Boiler Room, DJ sempre posicionado no meio com livre circulação do publico no seu entorno. O ambiente externo que recebeu uma estrutura nova no início do ano de 2018 se conecta com o jardim, um espaço gramado e cheio de mudas que foram plantadas por nós mesmos. Brinco em dizer que o River é o jardim que todos irão ver crescer.

Já a nossa pista interna é menor, um ambiente climatizado, paredes pretas e vermelhas onde a galera pode deixar registrada a sua assinatura com giz no coração do Club. Não posso deixar de citar a vista que as três janelas do Inside tem e que dão de frente para o Rio Caí, realmente um ponto diferenciado do local. É incrível quando ocorre o encerramento da pista externa, que vai até a meia noite. A sensação que tenho é que uma nova festa começa, as pessoas que não conhecem os dois ambientes se surpreendem com o interno do club, menor, porém, não menos vibrante. Muitos já comentaram esse fato de parecer que são festas distintas, mas no mesmo lugar. Uma experiência muito legal, pois eu mesmo já recebi pais de ex-colegas de colégio vibrando ao som de techno e me questionando sobre “Que lugar é esse? Que música é essa?”. Recentemente começamos a fazer jam sessions no inside do club, convidando todos os DJs que tocaram na pista externa a tocarem juntos por mais duas horas na pista de dentro. Clientes e amigos ressaltam que essa união e alegria que os próprios DJs compartilham no palco reflete sob a pista, levando a galera a loucura.

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A cena do Rio Grande do Sul possui uma tradição histórica de grandes festas e clubs formadores de opinião a nível nacional. No caso do River, quais foram as marcas que mais influenciaram o surgimento do club?

Na verdade a minha porta de entrada para a e-music foram festas com um som mais comercial, acredito que o mesmo para muitos. Éramos acostumados com festas na Save e outros festivais que ocorriam pelo estado. Tudo mudou quando fomos para um Warung ver Sasha. Aquele dia sim foi algo chocante, voltávamos de carro para mais 600 km de trip repetindo “Onde vamos fazer festa agora?”. Foi então que passamos a conhecer as festas que existiam pelo RS. Montenegro tinha a LIFE; Caxias tinha a Matinê, Colours, Albrg, Cirkus; Farroupilha tinha a Freedom, depois veio a A Cabana próximo de nós em Santa Rita. Fomos em festas na Beehive em Passo Fundo, conheci o Muinho em Farroupilha, depois veio a Levels. Tive a oportunidade de fazer uma euro trip e conhecer clubs icônicos como Watergate em Berlin, a Space e Ushuaia em Ibiza, além de outros clubs. Acredito que toda essa trajetória fez com que eu pudesse acumular experiências, criar amizades e acreditar na música, para hoje poder viver essa jornada incrível que está sendo conduzir o River a um lugar de referência dentro da cena do nosso estado.

Como você avalia o atual momento do cenário eletrônico gaúcho? Quais são suas principais resoluções para os próximos anos?

Muito trabalho, inovar, continuar quebrando paradigmas. Aprender cada vez mais e poder transmitir isso tudo ao nosso público. Vejo que o sentimento que eu e amigos mais próximos do River temos, é muito diferente ainda da maioria do nosso público com relação a paixão pela música. Acredito que a maneira de aprofundar cada vez mais isso dentro das pessoas é disseminar o conhecimento, produzir workshops, até agora foi apenas um, mas é algo que quero conseguir realizar na véspera de todos os nosso próximos eventos aqui. Desde que iniciei o trabalho, produzi inúmeros eventos com diversos produtores diferentes, isso também amplia a nossa bagagem, estamos sempre aprendendo e querendo melhorar festa após festa. Nossa estrutura em si demonstra isso, não paramos nunca de tentar criar experiências cada vez mais marcantes para aqueles que vem aqui, assim como o Warung fez comigo na primeira vez que estive lá.

Entre os eventos que você já realizou no River Club, há algum que você considera mais importante ou especial?

Cara, não teria como responder isso escolhendo um. A única coisa que é fator determinante para a continuidade e a atual existência do club são os feedbacks que cada um dos eventos realizados aqui até hoje nos trouxe. Já atuei em diferentes áreas do mercado de trabalho e posso afirmar que não existe nada mais gratificante que o mercado de entretenimento, quando de fato tu consegue entregar a felicidade para as pessoas. É incrível, não há dinheiro que pague, até porque se fosse por dinheiro, poucos produziriam algo tão nichado como o nosso mercado de música eletrônica underground. Que não podendo ser diferente, eu acredito que esteja em franca expansão, pelo menos o nosso público só vem crescendo.

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Quais são as principais novidades que você está projetando para o River Club especificamente para esta temporada?

Festas diferentes, A Chinelada é uma delas onde utilizaremos o gramado do River como pista pela primeira vez, todos de chinelos, podendo dançar descalços no jardim. O convite aceito para trazer de volta nem que seja por algumas horas a energia da A Cabana, projeto esse que eu acredito que se ainda existisse iria ser o big name do estado. Mais parcerias com outras marcas da nossa região que ainda estamos tentando fechar. Incluir mais dinâmicas em nossos eventos, tornar a galera cada vez mais humana dentro do club e levar isso para o mundo também.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Conexão, alegria, energia e celebração. Acho que antes era apenas um hobby e hoje um trabalho também, mas prefiro sempre pensar no hobby por que é muito mais gostoso! [risos]

A música conecta.

 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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