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Um bate-papo com Kojake, que fala sobre seu primei...

Um bate-papo com Kojake, que fala sobre seu primeiro álbum

O curitibano Felipe Kojake é DJ, produtor, baixista e está envolvido com música desde 1997. As linhas de som que o influenciam variam desde o downbeat, nu jazz, grooves, breaks e funk, passando também pelo house e disco. Em 2015 ele iniciou parceria com a gravadora canadense MSLX Recordings, pela qual lançou um EP – vinil 7` – prensado com duas músicas autorais. Ao lado do Francês Stephanie Deschezeaux, produziu a faixa Only You, que entrou no top 3 do Beatport, do gênero “Funk e R&B”. Esta track foi lançada pela gravadora Springbok Recs, referência em nu disco e funk. Agora, as vésperas de lançar seu primeiro álbum, Kojake concede entrevista exclusiva os nossos brothers do tudobeats aqui no Alataj.

TUDOBEATS: Quem conhece o teu trabalho sabe da ampla influência musical que te faz transitar entre o Rock, o Funk e a música eletrônica. Diz aí então cinco músicas que estão no som do teu carro hoje.

Kojake: Eu acabo ouvindo muito tipo de som diferente, rock, funk, blues, house. Cada dia pede um feeling, mas normalmente dou uma viciada em alguma gravadora ou artista e fico ali por um bom tempo. Tenho ouvindo muito vinyl, bateu aquele paixão pelas bolachas. Não consegui citar 5 apenas. Cito alguns DJs e tracks, mas primeiro cinco bandas de rock.

Truckfighters
Royal Blood
Nine Inch Nails
The Faint
Queens of the Stone age

Eu sempre ouço as minhas produções, mas acabo passando muito mais tempo tentando compor do que ouvindo música na verdade. Aqui segue alguns DJs e tracks

Stéphane Deschezeaux – Standing Room
Ali jamieson – Pepper (Moustache machine remix)
The Family´s Jam – I Got find a way
SBTRKT – Wildfire
Kespar – Dakota
Fischerspooner – Never Win
Spiltmilk – Promisse the funky
Brothers Cup – Disco Flasher
Crazy P – Twisted

TUDOBEATS: É muito diferente tocar numa banda e como DJ? O que te deixa mais feliz enquanto músico? Independente do lugar…

Pensando a fundo a sensação e a função é a mesma, que é transpor alguma energia pela sua música. Tentar agradar o público e levar algum informação e sensibilidade sonora para as pessoas. No caso de uma banda você tem toda uma troca de emoção com seus companheiros de palco e isso é uma parte muito legal pois você vive aquela relação, ligados pelo som. Sendo DJ e produtor sozinho, no meu caso, eu acredito que a parte boa é que você toma toda as decisões, as idéias, conceitos, timbres. Depende unicamente da sua vontade, gosto e ideal, mas eu realmente tenho prazer na mesma proporção nos dois cenários, só em determinados momentos preciso focar mais em um e mais em outro de acordo com a situação, como no caso de algum lançamento novo, clipe, época de composição, essas coisas, que são apenas um ciclo sem fim. Mas a correria e a dificuldade de mercado, são as mesmas pode ter certeza.

TUDOBEATS: Quando você começou a produzir música eletrônica e o que te influenciou a tomar essa decisão?

Cara, na verdade eu comecei tocando contra baixo na banda na escola, chamada “2hars”, aí lembro que fui nas primeiras festas e conheci o chill out, bem provável vendo o Schasko tocar, aí descobri outro mundo musical: trip hop, downbeat , nujazz, groove puro.

Minha escola musical vem muito do groove, do funk: Motown, Pure Funk, George Clinton, Bootsy Collins, James Brow, etc.. Gostava muito de Prodigy, Daft Punk, Fat boy também. Quando vi, comecei a me envolver no estilo de som, estudar mais, de repente – ao lado do velho parceiro Delatorre – criamos o Groovefall e foi uma época muito boa. Em menos de um ano tínhamos um live e estávamos tocando por todas festas e festivais do país. Só que a cena mudou e os chill outs que eram super bonitos e agradavéis deram uma sumida do mercado. Aí começa uma nova fase, criar festas, tocar em lounges, se reinventar, foi então que comecei a produzir mais sozinho e focar o som para uma linha mais Nu funk, Nu disco, e vamos ver apra onde vai. Eu sou meio ruim para guardar datas e anos, mais o primeiro Universo Paralello que tocamos foi em 2004, eu devo ter começado a produzir sozinho em 2009.

TUDOBEATS: Todos sabem que não é fácil viver de música. Qual a principal dificuldade na tua visão?

Realmente. Qualquer tipo de arte é super difícil, se você realmente quer e ama esse tipo de vida, já deve estar preparado pelos dois lados da moeda. No Brasil ainda, tanto pelas dificuldades mercadológicas quanto pelo perfil da maioria do povo, que em geral não faz muita questão de buscar informação e gostar de uma musicalidade mais evoluída.

Outra dificuldade além da financeira, é que a maioria dos artistas são super mal remunerados. É o próprio mercado que cresce cada vez mais, aquela concorrência e corrida por fama, muitas vezes falta de respeito e de postura de uns artistas frente aos outros, respeito e união nunca será demais.

Eu tento fazer minha música, do jeito mais puro e que eu acredito que seja boa, claro que o objetivo é agradar ao máximo de pessoas, mas sem forçar barra, tem que ser natural. Música é um aprendizado sem fim. Uma dificuldade pra mim é a divulgação, fazer com que as pessoas escutem seu som, é algo meio constrangedor sabe, você ter que pedir pra alguém ouvir seu som, vender seu peixe essas cosias são bem xaropes de se fazer.

Eu busco ser uma pessoa tranquila, tentar viver em paz e fazer um som que transmita isso. Saber o lugar que estou e crescendo passo a passo, apreciando cada conquista dentro da guerrilha que é tentar viver de música e sempre respeitar e manter uma postura simples e honesta. Música em primeiro lugar.

TUDOBEATS: Recentemente você esteve na Europa, se apresentou em vários clubs e, inclusive, na rádio “max Fm” de Grenoble. Como foi essa experiência?

Poxa! Esse foi um momento bem bacana pois fui fazer uma eurotrip com um amigo a princípio, as coisas foram acontecendo e acabei me tornando grande amigo de um dos DJs que mais gosto e admiro. Toquei na Fetté de la musique, uma especie de virada cultural da França, num lugar lindo. É muito legal tocar para outras pessoas, outra cultura, viveria fazendo isso fácil! Toquei em Barcelona junto com meu amigo Spiltmilk o qual tenho muito a agradecer pois sua gravadora prensou um vinyl com duas músicas minhas.Acabei dando uma canja com uma banda de jazz com uma baixo de pau, foi irado! Esses tipo de situações e momentos que faz tudo valer a pena e dar força pra continuar a correria.

Da França acabei voltando com produções em parceria com o Stéphane Deschezeaux o que foi uma honra, poder produzir ao lado de pessoas que eu tinha como super referência. Quando percebi, eu fazia parte definitivamente da Springbok Recs, gravadora que eu mais vinha comprando músicas a meses e logo mais está pra sair novas bombas em parcerias com alguns artistas franceses. Agora integro o CAST da Rádio francesa max fm, onde tocam alguns sets meus mensalmente.
Ver a música girando o mundo é algo fenomenal. Além de diversos músicos e DJs que conheci, pude trocar boas informações e experiencias.

TUDOBEATS: Hoje, você lança o teu primeiro álbum, intitulado “Cooking Grooves”. Conte mais sobre esse disco que vem com 16 músicas.

Este disco é um compilado de produções dos últimos 5 anos. É difícil decidir e achar que as tracks estão prontas e finalizadas, mas ou você toma uma atitude e lança logo seu material ou vai ficar esperando o tempo passar e nada acontece.

O primeiro disco é uma mistura de estilos e influências sonoras e conceituais de tudo que se passou nesses anos de composição. Muitos instrumentos como: baixos, guitarras, violões, samples, loops, sintetizadores, capellas e etc. Tudo que possa soar agradável e dançante. Buscando a modernidade sem esquecer as origens que fizeram a música eletrônica estar aonde está atualmente.

TUDOBEATS: O álbum, “Cooking Grooves” conta com participações do Brasil e de fora, caso do Stephanie Deschezeaux e do Spiltmilk. Essa convergência é muito bacana, o que você agregou pro artista Kojake com todo esse trabalho?

Nesse album, além dos dois ‘gringos’, e de grandes parceiros, tenho a participação do Dj ZEL. A gente ta na luta e é tipo irmão mesmo a muitos anos, ele não poderia estar de fora desse meu primeiro álbum. O álbum tem um remix meu da track original do Daniel Costa – que manja muito de disco music – e tem participações dos cantores Rene Singer (black pipe) e da Naína Carvalho em jams no estúdio. Produzir junto é sempre muito bom, você troca idéias, mistura influencias. Aqui vai um faixa a faixa do disco – tem umas curiosidades engraçadas até:

Faixa 1 – Only U: Música produzida em parceria com Stéphane deschezeaux. Os baixos foram gravados em Curitiba por Kojake e a música finalizada em Grenoble pelo francês Ste. Dee, major da gravadora Springbok.

Faixa 2 – Goall: Está música foi lançada em vinyl pela gravadora canadense MSLX. (Spiltmilk) e tem um clipe disponibilizado no Youtube com imagens que misturam a cultura de rua de Vancouver e Curitiba.

Faixa 3 – Radar: Leva esse nome em homenagem a festa Radar, referência em vertentes grooves e de vanguarda. A música foi lançada na compilação Roller Disco da gravadora Royal Soul records.

Faixa 4 – Funk the Police: Versão remixada por Spiltmilk (Canadá) a música tem um clipe disponível no YouTube, uma mistura de sátira com homenagem a Polícia.

Faixa 5 – Dangerous: Remix de Kojake para a música original de Daniel Costa, baixo Gibson gravado ao vivo, segue uma linha funky deep.

Faixa 6 – Diskolove world: Como em quase todas as músicas os baixos são originais gravados por Kojake, essa música tem samples dos vocais de Trent Reznor (NIN) banda que me influenciou muito na carreira.

Faixa 7 – After Effects: Produzida junto com o amigo Rene Singer, vocalista da banda Black Pipe. A música remete a banda de rock Kasabian, pelos vocais com vocoders. Algo que viaja do disco house ao indie com pitadas de rock.

Faixa 8 – Runky: Música original com uma pegada bem funky old, já foram lançados remixes de Zel e Jayl Funky.

Faixa 9 – Shake Babe: Groove suave, trompetes, bass, e feelings diferentes.

Faixa 10 – Tajazz: O nome remete ao bar do qual sou residente a anos, TAJ bar, e por ter uma ideia melódica mais para o jazz. Scratch e Slap são a base da música.

Faixa 11 – Soul Bad: Música tem a participação super especial da cantora Curitibana Naína, em uma gravação ao vivo em estúdio.

Faixa 12 – Profounding: Praticamente produzidas em sintetizadores e guitarra, tenta mostrar um lado mais profundo do house introspectivo.

Faixa 13 – Tennis Day: Produzida ao lado do super parceiro e produtor Zel Abud, após partidas de tênis em São Paulo

Faixa 14 – Elefunk: Essa canção já conta com remixes de Spiltmilk, Stephane Deschezeaux e Jayl funk será o primeiro lançamento da nova gravadora “Nudiscool”, em breve nas web stores.

Faixa 15 – Brazilian French Disko Dance: Track influenciada pela linha de som chamada de French house, baixos rasgados e sintetizadores espaciais.

Faixa 16 – A Droite A Gauche: Vocal sampleado da banda Stereo Mcs, “to the left to the right”, sendo uma homenagem ao french touch, groove refinado e dançante com influência dos timbres dos anos 90 e 80.

TUDOBEATS: Depois de todos esses lançamentos. O que mais vem por aí? O que o público pode esperar para os próximos meses?

Quero aproveitar esta boa fase, dar um gás. Inclusive, já tenho alguns lançamentos futuros prontos, tanto pela MSLX Recordings quanto pela Springbok Recs. Mas a grande novidade é que em breve surge a nova label NUDISCOOL e já temos alguns artistas bem fortes dessa linha produzindo com a gente. Vamos botar toda a energia pra parada render frutos e sair várias pérolas sonoras.

Confira algumas imagens abaixo.

SERVIÇO

LANÇAMENTO DO CD “COOKING GROVES”
Pocket Show e bate-papo na Fnac Curitiba
DATA: Dia 23 de outubro – sexta-feira
HORÁRIO: 19h30
ENTRADA: franca
INFORMAÇÕES: www.kojake.com | facebook.com/kojakemusic

Texto e perguntas por: Nazen Carneiro – Tudobeats


Equipe de reação do portal Alataj, focada em levar conteúdo cultural ao público antenado na música eletrônica.

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