Alataj entrevista VNTM

Dos subúrbios de Amsterdã nasceu um projeto de Techno com melodias progressivas, contemporâneas e com o objetivo de proporcionar uma atmosfera obscura com uma identidade única. Tom van de Ven, ou VNTMdemonstra cada vez mais qualidade em seu trabalho, principalmente por conta do seu live act que combina música com visuais fortes, proporcionando a público uma experiência completa.

O artista já emplacou diversos lançamentos em gravadoras de renome como Stil Vor Talent, de Oliver Koletzki, Filth on Acid, Weiter Records, Gem Records entre outros, tem aparecido em lineups dos gigantes Awakenings, Afterlife, Basis Festival, além de já receber o apoio de Tale of Us, Nicole Moudaber, Joris Voor e Sam Paganini, para citar alguns.

Emplacando mais um lançamento no início de 2020, Tom bateu um papo com a gente sobre diversos aspectos da sua carreira e vida pessoal. Acompanhe:

Alataj: Seja bem vindo Tom, obrigada por falar com a gente! acredito que seja a primeira vez que você conversa com um veículo de mídia do Brasil, correto? Conte-nos um pouco como foi seu primeiro contato com a música eletrônica.

VNTM: Ei pessoal! Sim, de fato, minha primeira vez conversando com a imprensa brasileira, haha. Meus primeiros contatos com a Dance Music em geral foram principalmente na televisão e no rádio. DJs como o Tiësto já eram famosos na televisão holandesa quando eu tinha cerca de 12 anos, eu acho. Uma das faixas da MTV que realmente despertou meu interesse foi Pjanoo, do Eric Prydz.

Seu live act é muito elogiado, bem como suas produções musicais. Você escolheu sentiu trabalhar suas próprias faixas desde o início da sua carreira ou sentiu essa necessidade ao longo da sua trajetória?

Bem, meu primeiro interesse foi apenas em discotecar, mas logo descobri que fazer música era talvez ainda mais divertido do que ser DJ. Também sinto que hoje em dia o sucesso ou a habilidade de um DJ está sendo medido em sua música autoral, portanto, fazer música é essencial para a maioria de nós.

Eu realmente mergulhei no Ableton e comecei a acompanhar um curso de produção musical chamado “Herman Brood Academy” na Holanda, que é um curso completo de 3 anos. Fazer música tem sido uma parte vital da minha carreira até agora e não consigo imaginar não fazer mais música.

Quais foram suas referências musicais enquanto produtor e live act quando iniciou sua carreira? E hoje, pode nos recomendar artistas que tem escutado ultimamente?

Comecei a me interessar por música eletrônica entre os 13 e 14 anos, naquela época era muito mais influenciado pela música comercial que era facilmente acessível via rádio e televisão. Ao longo dos anos, muitos artistas vêm e vão e eu sou inspirado por nomes diferentes, eletrônicos e indie ou clássicos. Mas um dos nomes que apareceu desde o início e ainda é uma inspiração é Eric Prydz, ele continuou tendo um som tão distinto e, especialmente, seu novo show ao vivo HOLO é impressionante.

Alguns outros que vale a pena mencionar que hoje em dia me inspiram são Tale Of Us, Recondite, Mind Against, Richie Hawtin, Adriatique, Olafur Arnalds, James Holden, Woo York e Bicep!

+++ O que há de especial por trás da identidade de Mind Against? Leia aqui!

Awakenings, Afterlife, Basis, Toffler, são apenas alguns festivais onde você se apresentou nos últimos tempos, além de estar em lineups junto com artistas de peso no mercado mundial. Existem clubs e festivais que você possui o sonho de tocar? Tem algum artista que gostaria de trabalhar em algum projeto?

Bem, eu vi vídeos do clube Ahm em Beirute, aquelas luzes e toda e toda a pista parecem incríveis, o Green Valley no Brasil também parece bem legal. Recentemente, perguntei aos meus fãs com quem eles gostariam de me ver coincidentemente muitos deles solicitaram o Recondite, que também é um dos meus favoritos, seria muito legal de fazer algo com ele no futuro!

O engraçado é que também estou trabalhando em duas faixas com um cara talentoso do Brasil chamado Against The Time. Ele me enviou alguns sons no ano passado e instantaneamente que começamos a trabalhar nelas senti que deveria ficar de olho em seus trabalhos.

+++ Fizemos a premiere do remix de Against The Time para Beyond The Masks, do Bayma. Ouça!

Dia 1º de janeiro você lançou seu mais novo EP Dark Night, o último de uma série de bons lançamentos desde 2017. Como você trabalha seu processo de produção? possui uma rotina determinada ou trabalha livremente quando se sente criativo?

Bem, eu tento sentar no estúdio o máximo que posso, meio que tenho duas abordagens: uma é quando eu tenho uma ideia de antemão e aí tento desenhá-la o mais rápido possível, tirando ela da minha cabeça e passando pro computador. A outra abordagem é mais baseada em tentativa e erro e surge quando ainda não tenho uma ideia. Nesse caso, gosto de testar diferentes sequências em sintetizadores e brincar com acordes até ter algo que possa construir e então progredir a partir desse ponto para uma faixa completa.

Não existe um processo real que funcione todas as vezes, mas eu tenho alguns patches que já parecem muito bons, então quando eu preciso de um som decente, começo com aqueles para garantir que o som seja agradável a partir da primeira nota em vez de ter que encontrar o caminho certo.

Falando em produções, o que podemos esperar do VNTM em 2020?

Alguns remixes novamente, como no ano passado, e atualmente trabalhando em novos episódios para 2020 e, claro, novos lançamentos em Apparition. Também estarei focando na música que não é destinada à pista de dança e será mais experimental!

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que é música para você?

Para mim a música é uma linguagem universal que as pessoas de todo o mundo entendem. Poder contar minha história fazendo as pessoas dançarem e sorrirem em todos os lugares é o melhor sentimento que existe. A música me dá a capacidade de me conectar e me comunicar com pessoas de todo o planeta e recebo muitas mensagens de pessoas falando que minha música as ajudou na vida delas, essa é a melhor recompensa que existe. É para isso que eu amo dedicar todo o meu tempo e continuarei fazendo isso o máximo que puder.

A música conecta.


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