Basta uma rápida olhada por toda identidade visual do Dekmantel e você irá perceber que tudo o que é feito por ali tem como objetivo algo que vai muito além de apenas informar. De certa forma, a parte gráfica e visual do coletivo holandês é como um complemento do que é proposto no campo musical e de eventos. Ou seja, há um preocupação artística em 360 graus.

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Um dos nomes por trás desse trabalho tão eficiente é Michiel Schuurman, um renomado designer gráfico holandês formado na Gerrit Rietveld e especializado em tipografia e design de cartazes. Sua abordagem destemida e ousada talvez tenha sido o que captou os olhares da crew Dekmantel para o seu trabalho. Há uma certa lógica, embora nem tudo obrigatoriamente faça sentido. Há referências científicas, embora algumas vezes é nítido um perfil orgânico e natural. Michiel é o tipo de artista que propõe confrontos em sua cabeça, mas no fim tudo faz sentido.

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Seu processo criativo inovador, uma escolha de cores poderosa e conceitos do design sendo usados de maneira revolucionária deram a ele indicações e troféus em prêmios conceituados do design da Holanda, França e Estados Unidos. Empurrando os limites entre o 2D e o 3D, Schuurman emplacou seus próprios conceitos e hoje é um designer gráfico requisitado e de muito sucesso, seja colaborando em cartazes, trabalhos em 3D, moda ou com o próprio Dekmantel. De forma exclusiva, Michiel falou conosco:

1 – Olá, Michiel! Tudo bem? É um grande prazer falar com você. Sua formação acadêmica aconteceu no renomado Gerrit Rietveld Academie. Fale um pouco sobre as experiências adquiridas ao longo dos estudos e o que você tirou de melhor desse período.

A Rietveld foi um período confuso, para ser honesto. Ingressei na academia no meu terceiro ano e isso significa que perdi os primeiros anos da escola que, na minha opinião, são essenciais para realmente entender sobre. Tive grandes professores: o Experimental Jetset, Will Holder, Jop Van Bennekom e Stuart Bailey. Conhecer e conversar com esses designers na vida real foi muito importante para mim. Ainda penso em suas lições e trabalho regularmente.

2 – Ao longo dos últimos ano você tem colaborado com o conceito visual poderoso do Dekmantel. Como surgiu esse convite? Como é o seu relacionamento pessoal com a música e os eventos que esses caras produzem?

Amsterdã é uma cidade não muito grande e com uma pequena cena artística, por isso é quase impossível não conhecer nenhum desses caras. Eles apenas me enviaram um e-mail e fui ao encontro deles. Lembro de avisá-los que eu tinha um histórico muito mal sucedido projetando artes para músicos. Eu acho difícil criar arte para outros artistas, mas os caras do Dekmantel riram e estavam convencidos de que eu poderia ser bem sucedido. Agradeço a eles por isso, todo o processo foi realmente muito agradável, trabalhar com Bufiman e Dekmantel foi uma brisa.

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3 – É possível dizer que sua abordagem estética incorpora um perfil ousado e destemido, certo? Como foi chegar até essa identidade? Todos os pequenos detalhes são importantes na construção desse perfil?

Sou extremamente interessado em matemática e física. Acho que é por isso que meus projetos se destacam, eles parecem maximalistas (palavra feia, desculpa), mas sempre há um princípio simples por trás de toda a violência visual.

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4 – Eu li em algum lugar que toda base de seu trabalho é criado com a lógica. Explica um pouco mais sobre isso pra gente:

A ferramenta mais utilizada no meu estúdio é a minha calculadora. Uma arte deve ser como visitar um planeta estrangeiro. No começo, tudo o confunde, mas depois de um tempo você começa a entender os princípios básicos que formam esse design particular.

5 – Falando um pouco mais sobre música… o que você costuma ouvir quando está trabalhando? Em algum momento de sua carreira, algum artista ou movimento musical exerceu influência na criação de suas obras?

Escuto muita coisa diferente, mas em geral:

– Estou na área quando você pode ouvir Gabber vindo do meu estúdio.

– Provavelmente estou chorando e duvidando de toda a minha carreira quando Sonic Youth está no repeat.

6 – Praticamente todo movimento artístico foi impactado pelo boom tecnológico gigantesco das últimas décadas. Produzir músicas ficou mais fácil, trabalhar com o cinema se tornou mais acessível, mas e na pintura, de que forma esse cenário foi atingido?

Tudo o que eu preciso é um computador, um smartphone, uma cadeira e uma escrivaninha. Isso é literalmente tudo o que eu preciso para ganhar a vida.

7 – Em sua bio, você cita desenhos animados, grafitti e o skate como grandes influenciadores do seu trabalho. Essas foram suas paixões na infância?

Sim, brincar com Lego também foi uma grande influência. Eu era uma mistura estranha entre um garoto sempre brincando fora de casa e um garoto sempre brincando dentro de casa.

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8 – Além do Dekmantel, você já colaborou com outras marcas do universo musical? Se sim, quais?

Fiz uma cópia oficial de edição limitada com letras do Radiohead alguns anos atrás.

9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. Nós enxergamos as artes como uma forma de expressão da alma. Como você vê isso?

Arte é uma das coisas que faz a vida valer a pena.

A música (e a arte) conecta as pessoas!