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O árduo trabalho do duo Stekke em prol de uma cena eletrônica mais evoluída no Brasil

Tornar-se referência é algo para poucos. Para chegar a esse posto é necessário muita dedicação, estudo e empenho pelo seu trabalho. Para manter-se lá, renovar energias e reinventar-se é uma tarefa com necessidade quase que diária. Ale Reis e Renee são mais do que referências, são símbolos de um movimento que, pouco a pouco, tem conquistado seguidores pelos quatro cantos do Brasil.

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Embora a linha de som que o duo toca e produz não seja limitado a uma vertente, é inegável que é um estilo focado em um nicho um tanto quanto específico. Variações dub de house e techno, minimal e experimentalismo não são grandes paixões do público brasileiro que acompanha música eletrônica, mas é importante dizer que eles estão ajudando a mudar essa história, ao invés de ficar no eterno vitimismo que muitos insistem em bater na tecla constantemente.

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Nos últimos anos, eles desenvolveram um live act e abriram duas gravadoras (mais uma está por vir em breve). Na sudd records, lançamentos digitais de primeira linha assinados por talentos nacionais como Fabio Ape, Boghosian e Ney Faustini. Na Sketches, suportes e colaboração de nomes como Thomas Melchior e Fumiya Tanaka. Além disso, investiram forte na cena minimal catarinense, com eventos que apresentaram nomes internacionais na MINIM – a próxima edição, por exemplo, recebe o francês Cabanne.

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Para nós é motivo de honra e alegria ter em nosso canal Ale e Renee. Novamente eles nos presenteiam com mix, entrevista exclusiva e uma surpresa também. Confira abaixo:

1 – Olá, Ale e Renee! Obrigado por nos atender. A gente percebe que vocês estão se relacionando cada vez mais com núcleos que são capazes de atingir um público realmente interessado em boa música, ao invés de super clubs. Como tem sido esse processo de aproximação desse público em específico na carreira de vocês?

Alan, nós que agradecemos o interesse pelo nosso trabalho e a oportunidade desta entrevista. O envolvido com os núcleos é natural, afinal, eles nasceram por algumas razões, entre elas o interesse por algo novo. Os artistas minimalistas, estão para música eletrônica em geral, assim como o Jazz está para a música popular. É um nicho de mercado muito específico. Nós trabalhos bastante em estúdio todos os dias, pesquisamos muito, para sempre trazer novas sonoridades que surpreendam quem admira o nosso som. Esse contato com pessoas interessadas nessa musicalidade pra nós é uma satisfação imensa, é muito importante estarmos conectados com eles.
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2 – O que vocês tem buscado extrair de melhor dessa relação com os núcleos?

Nós somos residentes dos núcleos detroitbr e MINIM. O detroitbr surgiu através de um grupo de amigos muito interessados em música eletrônica, sempre bem antenados em tudo que estava acontecendo na cena. Tivemos a oportunidade de tocar em alguns eventos onde surgiu o convite para a residência. Somos muito gratos a eles, que sempre nos tratam com muita educação, respeito e nos ajudam bastante. Temos muita admiração pela determinação e organização deles, os meninos são “fora de série”. Nossa relação é muito saudável e sincera, temos liberdade para conversar, criticar (construtivamente), sempre buscando aprimorar (seja em questões de eventos, label, etc). Tanto de nós para eles como deles para nós.

A MINIM é um coletivo artístico (administrado por Ale Reis, Gui Thome, Doriva Rozek, Dee Bufato e Renee) composto por vários artistas de todo o país. Com identidade forte de carater minimalista, a MINIM começou realizando eventos trazendo artistas de grande importância na música eletrônica (DJ Pi-Ge, ToFu – Thomas Melchior & Fumiya Tanaka, Audio Werner, Birdsmakingmachine – Rudolf, …) e agora está expandindo a marca com a label Vinyl Only, MINIM Into Music Records. Tudo o que planejamos para a MINIM, pensamos e discutimos bastante, tem que ser algo que tenha “meaning”, um sentido de verdade. Desde logos, artes, eventos, fotos (leia-se nossa querida e amada Mar Santos), locais, artistas, etc. Procuramos buscar o máximo “feeling” que representa esta “Brand”.

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Todo esse relacionamento tem ajudado a expor mais nosso trabalho difundindo nossa música para as pessoas que realmente admiram o que fazemos. É uma prazer enorme ter este feedback desse grupo de pessoas.

3 – Falando um pouco sobre lançamentos e gravadoras, o que podemos esperar dos labels Sketches e sudd para 2017?

Sketches 004 está quase pronto, apenas aguardando o Test Pressing. Será um release nosso como Stekke com belíssimo remix do Daze Maxim. Esperamos conseguir lançar mais 2 releases ainda esse ano, que estão bem encaminhados, será uma grande surpresa, pois envolve ótimos artistas nacionais e internacionais.
Sudd e Sudd Dub teremos um número maior de releases. Por enquanto mantendo ainda o selo com releases autorais de artistas brasileiros. Teremos THAR (Gui Thomé e Ale Reis), Abraham e Sancess, estreando nas labels, assim como outros artistas já conhecidos como Stk Ensemble, Galvan, Zaws, entre outros.

Estamos também iniciando a label MINIM Into Music Records (MIM Records) que terá seu primeiro release Vinyl Only ainda no primeiro semestre. A label apresenta o prodígio Abraham, com três belíssimas tracks. Segue em primeira mão o link das demos:

4 – Falem um pouco da relação de vocês com a cultura do vinil… A arte do DJing teria o mesmo peso para vocês sem a existências dos discos?

Nesta pergunta, poderíamos escrever um livro [risos]. Vamos tentar simplificar e ir direto ao ponto. Primeiramente nós amamos discos, e tudo que está envolvido por trás disso. Vivemos uma era digital, onde as músicas se tornaram descartáveis. Quando tocamos discos é algo muito mais pessoal, afinal cada um comprou aquele disco, seja online ou em lojas físicas, e tudo ali tem uma história. Muitas vezes são discos com prensagens limitadas, ou seja, apenas um número X de pessoas tem aquele disco no mundo, tornando algo muito pessoal. Sem falar do prazer e satisfação pela forma de tocar. É algo mais humano, mais real, e com certeza mais individual, tornando os nossos sets sempre exclusivos.
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5 – Dentre tantos suportes especiais que vocês já receberam, há algum que vocês consideram mais importante ou especial?

Nosso primeiro release do Sketches teve “early support” de vários artistas que admiramos, como Zip, Fumiya Tanaka, Daniel Bell, Cabanne, Rhadoo, Petre Inspirescu, Raresh, Cristi Cons, Deniz Kaznacheev, Brawther, Chris Wood, etc.

O release 2 teve um belo review do site Resident Advisor, e o suporte do Crew da ToiToi. O release 3, o Rhadoo tocou em sua apresentação no Terraza. É sempre muito gratificante quando um artista que admiramos e respeitamos da suporte ao nosso trabalho.

São artistas de uma altíssimo grau de excelência, seria injusto considerar algum mais importante que o outro. Sem dúvida todos são muito importante para nós.

6 – O que falta para o mercado brasileiro amadurecer artisticamente dentro da cena eletrônica? A chegada dessas marcas europeias ajuda ou atrapalha o desenvolvimento?

Ajuda, e muito. As pessoas estão cada vez mais em busca de informação, o público vem melhorando seu conhecimento, pesquisando, se informando. Nossa música atualmente é mais conectada ao mercado europeu por diversos fatores que dificultam a difusão na América do Sul. Portanto a vinda de vários artistas e marcas, contribui para nossa cena musical, e consequentemente para o trabalho que fazemos. Para o mercado amadurecer falta um pouco mais de abertura nos clubes, para contratar artistas com uma sonoridade mais madura, sets mais inteligentes, mentais. Porém são artistas que não tem tanto apelo “comercialmente” falando, portanto não são atrativos financeiramente para os clubs. É questão de visão, identidade e preocupação em difundir cultura e constituir uma cena de verdade.

7 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês?

A música é a nossa vida. Vivemos isso todos os dias. Ficamos em estúdio de Segunda a Segunda, saímos apenas para as digs. Pesquisando, produzindo, aprendendo, estudando, nos divertindo, fazendo o que nós realmente amamos.

Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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