Estávamos com saudade de mergulhar nos álbuns da nossa rica e empolgante cultura musical. Nos últimos meses não tivemos reviews de álbuns de obras do século passado no panorama musical brasileiro, mas agora oficialmente estamos de volta e o primeiro remember do ano na coluna Vitrola traz o álbum Di Melo, do próprio Di Melo, lançado em 1975.

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Roberto de Melo Santos nasceu em Outubro de 1949 em Recife. Cantor e compositor, despontou para o mercado nacional em 75 com o lançamento do álbum que carrega seu nome. O disco de 12 faixas contém participações de nomes como Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. Algumas canções como Pernalonga, Kilariô, A Vida em Seus Métodos Diz Calma e Se o Mundo Acabasse em Mel conquistaram considerável sucesso a nível nacional. Mas, diferentemente de outros ícones da época, sua história não segue um roteiro dos mais imagináveis.

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Antes do lançamento do álbum, Di Melo contou com alguns acasos do destino para emplacar seu som. Logo em sua segunda passagem por São Paulo conheceu Jorge Ben, que naquela altura já gozava de um considerável sucesso. Ao tocar suas músicas para o célebre artista brasileiro, ganhou além da aprovação, um cartão do empresário Roberto Colossi, que mais tarde seria o responsável por trazer o pernambucano em definitivo para São Paulo.

Na Augusta, Di Melo estabeleceu residência e começou a fazer shows. Por lá ele conheceu o diretor da gravadora EMI-Odeon, o senhor Moacir Machado, uma das mentes por trás da gravação do álbum de 75. Quando o convite surgiu para produzir o disco, o cantor pernambucano não titubeou e em apenas uma semana o trabalho estava finalizado. Apesar da indiscutível qualidade atemporal do álbum, Di Melo não conquistou sucesso e respaldo financeiro com o lançamento. Além disso, desavenças de posicionamento com o staff da gravadora o afastaram de cena.

Na década de 90, as músicas do álbum voltaram para as pistas e a peso de ouro. Com sucesso e desejo despertado em países como Japão e Holanda, os discos remanescentes de 75 chegaram a ser vendidos por 700 euros. Em 99, Roberto foi convidado para cantar na Ásia e uma premiação o colocou entre as 10 melhores vozes do planeta – era o começo da nova jornada do brasileiro, agora com um olho bem aberto para o exterior.

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Uma história curiosa sobre Di Melo circulou no fim do século passando, quando uma notícia sobre sua morte em um acidente de moto ganhou a boca do povo. O engano motivou o lançamento do documentário Di Melo – O Imorrível, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro. Além disso, seu disco teve uma rápida aparição no clipe de Don’t Stop the Party do Black Eyed Peas, uma das bandas chaves do pop no século XXI.

Roberto retornou ao estúdio em 2016 para o lançamento do álbum Imorrível, seu primeiro disco desde 75. Apesar de Di Melo sempre fugir de qualquer categorização, vale ressaltar que ele é um dos maiores expoentes da soul music brasileira, isso sem deixar de lado aspectos da disco e do samba, muito bem inseridos em canções de sucesso de ambos os álbuns. Atualmente o cantor segue sua rotina de shows e vende quadros de diversos artistas para complementar sua renda. “Tudo que é arte me fascina” confessa Di Melo para a revista Trip.

A música conecta as pessoas!