Nos últimos capítulos do nosso Special Series a gente te apresentou mulheres fantásticas do mundo da música eletrônica que merecem o devido respeito, não apenas por seus trabalhos como artistas mas também por conquistarem uma posição admirável dentro do cenário. Conhecer a história de cada uma delas nos faz entender a força que elas têm para atingir seus objetivos dentro de um meio que, até hoje, as obrigam a um esforço muito maior para subir os degraus em cada trajetória. Assim também será conhecendo um pouco mais sobre a carreira de Helena Hauff.
“Eu realmente não me importo com o quão famosa eu sou. Eu nunca tento me tornar mais popular, sempre fiz o meu trabalho e depois aconteceu ”. Palavras de Helena Hauff, essa gigante da música eletrônica que permanece implacável com suas produções de Techno combinadas com muito Electro de uma forma despojada e influências do Acid House, EBM e elementos industriais. A alemã nascida em Hamburgo é uma fonte inesgotável de criatividade dentro do seu estilo e tem em seu currículo faixas aclamadas pelos seus colegas de profissão que, assim como ela, são reverenciados no cenário eletrônico.
Não poderia ser diferente, já que a artista produz apenas usando equipamentos analógicos e geralmente de uma só vez. Apenas por esse aspecto já dá pra entender o poder que carrega em seu trabalho. Toda essa peculiaridade e técnica se justifica com o fato de que ela, antes de dividir seu tempo apenas com criação, tours e gigs pelo mundo, estudou arte, física e ciência da música sistemática, dando-lhe precisão técnica e todo o conhecimento necessário para acompanhar seu talento.
Suas produções, que já eram lançadas por diversos labels respeitados em todo o mundo, foram ganhando cada vez mais espaço a partir do seu álbum de estreia em 2013, que simplesmente foi considerado uma das melhores obras na lista da Rolling Stone dos “20 Melhores EDM e Álbuns Eletrônicos de 2015”. A partir daí, Helena passou a lançar em diversas gravadoras conceituadas como Ninja Tune, Werkdiscs, Lux Rec entre outras, além de seu próprio label, Return to Desorder, que é igualmente respeitado dentro do mercado.
Mas o prêmio da Rolling Stone não foi o único trunfo conquistado por Helena. Ela também foi coroada com o melhor set do ano de 2017 da série Essential Mix da BBC Radio 1 – a primeira mulher a receber esse posto – mostrando que além de produtora é implacável quando o assunto é discotecagem. Seus sets são sempre 100% vinil e seguem ano após ano considerados desafiadores e surpreendentes, se destacando pela diversidade e dinamismo incomparável com que ela toca sua coleção de discos, passeando pelo Detroit Techno para linhas ácidas, para influências Post Punk e até EBM.
Com uma postura incrivelmente despretensiosa e carismática, Hauff é uma potência feminina em forma de música que entende a importância do seu trabalho enquanto artista e mulher e a inspiração que carrega para outras artistas da cultura eletrônica. Em suas palavras: “Toda mulher que é DJ e é visível ajuda a mudar”.
A música conecta.