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A música conecta

Faixa a Faixa | RHR – Linha de Ofício 93 [Tijolo Records]

Parece não haver limites para o horizonte de possibilidades rítmicas no qual RHR consegue trabalhar. Sua imaginação corre solta no diálogo, com tradições e convenções que reinventa e mistura com uma maestria difícil de atribuir a alguém tão jovem. Mas assim que notamos como ele opera divertidas concatenações de elementos díspares, e recombina de modo arrojado padrões aparentemente incompatíveis para gerar texturas e levadas únicas, notamos que seu maior trunfo é realmente essa singular abordagem cheia de frescor, que a experiência sozinha não consegue replicar. 

Neste mais novo EP Linha de Ofício 93” pela gravadora Tijolo, sediada na região do Brazuklyn novaiorquino, temos um apanhado bem generoso de seus mais recentes experimentos sonoros que revelam uma nova fase de desenvolvimento de seus talentos. Cada faixa aqui é um concentrado sônico que carrega dentro de si uma rica narrativa psicogeográfica das experiências de seu criador, que vive numa metrópole tão inspiradora quanto impiedosa como São Paulo.

E aqui temos a oportunidade de conferir muitos dos mais interessantes aspectos das poderosas faixas que compõem o EP, direto da fonte criadora, mostrando as impressões que o impeliram, os processos que o orientaram e os princípios que o guiaram na elaboração deste marco em seu amadurecimento artístico.

Mente e Drama | A faixa que abre o disco foi uma das primeiras que fiz no fim de 2020, o momento onde eu tava passando por alguns problemas psicológicos por causa da pandemia sem ter exatamente um rumo pra onde eu poderia ir com meu trabalho, ao mesmo tempo que a faixa tem um tom caótico e energético o flow da melodia leva pra um lugar de esperança. Eu sampleei produções minhas antigas.

Esse som era pra ser um Jungle na realidade, mas com o passar do tempo, eu gostei dele mais lento e acabou virando uma fusão de Electro e baterias distorcidas no gravador com essa melodia repetitiva pra dar uma sensação de mantra.

Na Captura | Nesse aqui a fusão é do baile Funk Oldschool volt mix, tamborzao com Electro de Drexcya. Eu usei alguns samples atuais do funk com alguns antigos e algumas melodias que eu mesmo criei, a bateria eu distorci usando um gravador de rolo porque eu queria que ela tivesse um som comprimido porem com o subwoofer denso com energia ate 20hz. Eu gosto dessa características nos sons, treme soundsystem haha.

Linha de Ofício | Esse foi o primeiro som onde coloquei minha voz pra game e meti uma rima. O som nasceu como um Rap, acabou virando uma fusão de Electro Jungle e na parte onde entra a rima, eu coloquei uma cadência de Drill. Foi louco ver que eu posso, em alguns sons, me gravar e tentar por mais vezes a voz pra game.

Muita Pose | Parecido na Mente e Drama nessa eu tentei criar um synth que funcionasse como um mantra e fosse repetitivo ao longo do som todo. No período que eu criei essa eu estava ouvindo muito Dancehall e Dub. Todos os vocais distorcidos dessa faixa são de alguns Dancehall pequenas palavras, a bateria é uma fusão de gueto com electro, nessa eu também utilizei um gravador de rolo pra distorcer as baterias e ter esse som denso no subwoofer.

Sem Sono Ft Black Snake 808 | Meu mano (Ricardo) aka Black Snake 808, me enviou alguns sons e eu montei e transformei. Ele usa uma MC 808 pra produzir então todos os sons saíram dela praticamente, dai eu rearranjei e virou esse Electro ghetto meio dark com synths espaciais. Esse som tinha minha voz, mas depois de um tempo nós gostamos dele sem voz e minimalista.

Proibidão | Pra finalizar eu queria um som caótico e eu tenho algumas ideias prontas de sons com samples de proibidão do período de 2002 a 2005, já que por aí que foram os anos marcantes pra esse gênero do nosso baile funk.

O som no geral foi gravado do gravador de rolo, e os samples já eram bem comprimidos quase 8bit então foi difícil fazer o upsample e resamplear, mas aí eu assumi o som sujo pra dar essa densidade ao disco. Ao mesmo tempo com cadência e o groove de ghetto ritmado, o bassline eu fiz um neurofunk noizy espacial pra fechar o disco com o clima que ele começou. “Pocas ideia”.

A música conecta.

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