Se às vezes o óbvio precisa ser dito, agora o reforçamos nesta introdução: Um dos gêneros mais importantes e revolucionários da música eletrônica atual é, indiscutivelmente, o Techno. Desde a década de 80, esse movimento cultural vem crescendo gradualmente, conquistando cada vez mais adeptos, graças à sua capacidade de se reinventar e ramificar em diferentes estéticas, desde as mais introspectivas até as mais vibrantes. Dessa forma, o gênero vem em uma ascensão assistida há anos, alcançando um pico ainda mais elevado no últimos ano, inclusive aqui no Brasil, onde se tornou um dos estilos mais amados, com uma extensa gama de artistas em destaque, engajados em consolidar o movimento por aqui.
Se você já foi carregado por essa onda techneira, deve estar por dentro do peso do nome Melgazzo, na difusão do gênero por aqui. O artista iniciou sua carreira em 2014, em Uberlândia, em Minas Gerais, baseando a sua sonoridade no Deep House, mas não demorou muito para que se convertesse fielmente ao Techno, que na época já estava começando a ganhar espaço. Essa virada de chave foi essencial para a trajetória do artista, que hoje é um dos principais nomes da cena, envolvido em expandir o movimento cada vez mais.
Baterista e produtor musical, formado pela Pioneer DJ School, em Amsterdam, na Holanda, o artista construiu uma sonoridade sólida dentro da vertente, trazendo energia, emoção, técnica e qualidade para suas produções, que ganharam o mundo, o levando a mais de 4 turnês internacionais e 9 países diferentes. Universo Paralello, Adhana Festival, Warung Tour, D-Edge e Playground Festival são apenas alguns dos grandes festivais que o mineiro já passou, isso sem falar das apresentações fora do país, em locais relevantes como o Amsterdam Dance Event (ADE), a conferência mais relevante da indústria da música eletrônica.
“É muito desafiador o papel de difundir a cultura underground no Brasil, que é um país tomado pela cena pop/comercial, não apenas no quesito música eletrônica.
Minha motivação para ser um agente de difusão na cena começou lá em 2017, quando morei em Amsterdam e pude conhecer, a fundo, a cena de verdade e pura, indo em diversos clubs e festivais por toda a Europa. Foi aí que eu me apaixonei pelo Techno, onde as pessoas podiam, através da música e da dança, serem quem elas realmente são, e livres para deixar seu “eu interior” fluir.
Voltei para o Brasil em 2018, com um propósito, que era tentar trazer um pouco dessa cultura para o país, e foi daí que surgiu a Kaligo, começando abrangendo diversos estilos dentro da música eletrônica “conceitual”. Porém, 1 ano e meio depois, decidi focar apenas no Techno, que é minha grande paixão e que vem ganhando cada vez mais espaço no mundo. Assim, a marca teria uma identidade mais sólida.
É bem interessante ver o grande aumento de novos adeptos à cena underground, e também ver essa transição que estamos passando no momento, que começou lá no início da pandemia, onde os grandes eventos ainda eram tomados pelo “Brazilian Bass”. Acredito que graças ao fato de todas as pessoas terem sido forçadas a ficar em casa, isso contribuiu muito para a evolução do gosto musical de todos e, com isso, os grandes artistas começaram a mudar seu estilo de som. Hoje, num momento “pós-pandemia”, é possível claramente perceber que o Melodic Techno já tomou conta dos maiores eventos eletrônicos do Brasil, o que é um passo muito grande para uma evolução da cultura underground do país”, conta o artista.
E, não é apenas sob seu projeto solo que Melgazzo tem construído um legado. Ele também é o fundador do selo Kaligo Events, referência nacional em festas voltadas ao Techno, e da Kaligo Records, que se tornou uma das maiores gravadoras do gênero no Brasil, em diferentes vertentes do Techno (Peak Time, Driving & Raw, Deep / Hypnotic), além de se destacar com seus showcases, que já marcaram noites do Brasil e da Europa. Graças a essa dedicação e envolvimento da marca e seu criador, a cena nacional tem visto dias produtivos e frutíferos, consolidando o país como um dos pólos do gênero mundialmente.
“A Kaligo começou com a proposta de fomentar a cultura underground do Brasil. No início, lançamos apenas artistas brasileiros, que produziam do House ao Techno, passando pelo Tech House e Melodic. Porém, em 2020, eu decidi focar a gravadora apenas no Techno, passando assim a envolver também artistas de fora do país.
Essa mudança foi muito importante, tanto para o crescimento da marca, quanto para a criação de oportunidades para artistas brasileiros estarem mais próximos de artistas estrangeiros, gerando assim uma evolução cultural”, explica Melgazzo a respeito da label.
Agora, depois de um hiato de quase seis meses sem lançamentos em casa, Melgazzo finalmente volta ao lar para um single de peso, seu primeiro na gravadora. A faixa em questão é Lift Me High, que chegou às plataformas nesta sexta-feira (23), marcando uma nova fase dessa união, ao surpreender pela vibração em que a track se desenvolve. Sendo o 95º release da Kaligo, a produção traz uma sinergia irreverente, se compondo a partir de um vocal radiante e ensolarado, enquanto a melodia segue a atmosfera soturna e nebulosa, bem característica da label.
Isso não é visto apenas na sonoridade de Lift Me High, a estética visual do single também transparece nessa proposta. A Caligo, borboleta coruja e noturna que se tornou o símbolo da marca, aparece na capa como o usual, mas ao contrário do que vimos nesses quase 5 anos de trajetória da label, o disfarce e escuridão que sempre fizeram parte da composição visual se tornam mais sutis para dar espaço à texturas e cores. Sobre a produção e conceito da track, ele complementa:
“Lift Me High é uma arma de Techno dinâmica, feita sob medida para a próxima temporada de festivais. Combinando um vocal contagiante, com baterias poderosas e linhas de acid, esta faixa é uma arma secreta perfeita para os sets de verão.
Este lançamento é muito importante para mim, pois marca uma nova etapa na minha carreira e também na gravadora. E até saiu na Times Square! Foi muito emocionante ver o nosso trabalho chegando tão longe.
A partir dele, mudarei as artes dos EPs da label. O nome da música surgiu de uma das frases do vocal da track. A ideia começou com um vocal feminino, que encontrei e me chamou muito a atenção. A voz tem uma energia incrível, e eu imediatamente passei a imaginar como poderia criar uma música em torno dela. Comecei a trabalhar em um arranjo, experimentando diferentes elementos e sons, sempre pensando em como o vocal poderia ser o destaque principal. Foi um processo intenso e exigiu muita criatividade e atenção aos detalhes. Mas, pouco a pouco, a música começou a ganhar forma e comecei a perceber como cada elemento se encaixava perfeitamente com o vocal. Foi um momento de muita inspiração e motivação, e eu sabia que tinha algo especial nas mãos.
Testei a Lift Me High pela primeira vez no Universo Paralello, e fiquei surpreso com a reação do público. O vocal e a bateria se destacavam, e as pessoas ficaram animadas com a música.
A criação foi inteiramente pensada em torno do vocal de uma grande cantora de RnB, Sheree Hicks, que usei de um pacote royalty free que ela lançou em 2015.
Uma curiosidade interessante sobre esse lançamento é que a capa foi elaborada com a mesma paleta de cores da minha foto de perfil em todas as minhas redes sociais. Com isso, eu quis criar uma identidade visual coerente para a minha marca, alinhando a imagem dos meus perfis nas redes sociais com a arte do meu novo release. Além disso, a capa representa uma nova fase na minha carreira e na minha gravadora, trazendo uma renovação nos trabalhos artísticos dos lançamentos da label”.
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