Nascido no sudoeste dos Estados Unidos, Juheun construiu sua trajetória a partir de uma vivência profunda na cultura rave e clubber, com passagens formativas por cidades como Albuquerque, Chicago e Phoenix. Antes de se consolidar como nome do techno underground, sua história passa pelo House — especialmente a escola de Chicago — período fundamental para o desenvolvimento de sua técnica como DJ e da leitura de pista que hoje sustenta sua identidade. Ao longo dos anos, essa base se transformou em uma linguagem própria, marcada por um techno cru, hipnótico e direto, sempre atento ao equilíbrio entre força, repetição e tensão.
Parte importante desse percurso também se deu nos bastidores da cena. Juheun foi cofundador da Circuit Arizona, iniciativa que ajudou a fortalecer o underground local através de festas, eventos e curadoria consistente, além de um período decisivo de colaboração com Sian e a Octopus Recordings entre 2016 e 2021. Hoje, sua música encontra casa em selos como Tronic e Unity Records, enquanto o artista se prepara para lançar nos próximos meses a Futurephonic Records, sua própria gravadora. Paralelamente, mantém uma relação intensa com o estúdio, combinando equipamentos analógicos, hardware e digital.
No Alaplay 647, Juheun entrega um set que traduz todo esse background. Ao longo de uma hora, o artista conduz uma narrativa firme, construída a partir de um techno de BPM intenso e hipnótico, onde cada faixa cumpre uma função clara dentro do fluxo do mix. Não há espaço para excessos ou artifícios: o foco está na repetição, na pressão rítmica e na construção de um estado contínuo de imersão. Um registro que reafirma o techno em sua forma mais honesta — sério, direto e pensado para quem entende a pista como um espaço de entrega total.