Skip to content
A música conecta

Raio X | Paula Chalup

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 19.05.2026

Quando o Techno começou a ganhar forma no Brasil durante os anos 90, São Paulo ainda construía os primeiros espaços, narrativas e personagens que ajudariam a consolidar a cultura clubber no país. Paula Chalup atravessou esse processo de dentro. Passou por residências, festivais, projetos paralelos e diferentes fases da música eletrônica brasileira ao longo das últimas três décadas, sem desaparecer quando muitos nomes daquela geração ficaram presos ao próprio tempo.

Na bagagem, traz Laurent Garnier como referência máxima, especialmente pela combinação entre longevidade, elegância e capacidade de continuar relevante após tanto tempo sem abandonar sua identidade. Em 1996, pouco depois de iniciar sua trajetória profissional, Paula recebeu o prêmio de DJ Revelação da Folha de São Paulo. Naquele período, aproximou-se de DJ Mau Mau e da geração ligada ao Hell’s Club, espaço que ajudou a introduzir a cultura techno no Brasil.

Pouco depois, tornou-se residente da festa Combustível, no Lov.e Club, um dos ambientes mais importantes da música eletrônica brasileira no fim dos anos 90 e início dos 2000. Foi ali que consolidou uma identidade baseada em técnica, seleção musical e trânsito entre o House e o Techno.

Ao longo da carreira, Paula também passou por alguns dos principais clubs do Brasil e da Europa, incluindo fabric, EGG, Turnmills, The End, Heaven e Brixton Academy. Firmou residências no D-EDGE e no Clash Club, participou de edições do Rock in Rio, e desenvolveu projetos paralelos como 2attack, VCO Rox, IAO e L_VE. Hoje, seu trabalho se expande para além da pista. A aproximação com tecnologias imersivas, pesquisas em espacialização sonora e sua atuação na Visualfarm abriram um novo capítulo na sua trajetória, aproximando música, imagem e direção de experiências audiovisuais.

Mais do que DJ e produtora, Paula passou a atuar como uma artista multidisciplinar, conectando cultura de pista, tecnologia, direção criativa e experiências imersivas dentro de uma mesma visão artística. Neste mês de maio, ela inicia uma nova residência na RAW TECHNATION, selo que estreia sua festa autoral no D-EDGE nesta quinta-feira, dia 21. O momento coincide também com dois marcos pessoais: os 30 anos de carreira completados neste ano e a chegada dos seus 50 anos em setembro. Mas, diferente de muitos artistas que focam na memória construída, Paula parece cada vez mais interessada no que ainda pode desenvolver daqui pra frente.

Este é o Raio X do Alataj.

Pioneirismo dentro da cena brasileira

Paula pertence a uma geração que ajudou a estruturar a cultura de pista no Brasil quando ela ainda era bastante embrionária. Sua formação aconteceu em contato direto com espaços fundamentais para a consolidação do techno em São Paulo, como Hell’s Club, Lov.e, B.A.S.E e posteriormente o D-EDGE.

Mais do que fazer parte daquele período, ela permaneceu relevante depois dele. Sem ficar presa à nostalgia daquela época, conseguiu atravessar diferentes fases da música eletrônica brasileira mantendo diálogo com públicos e contextos distintos.

Da cabine para as experiências imersivas

Nos últimos anos, Paula expandiu sua atuação para além da pista. A criação do projeto Audio Immersive ao lado de Andre Zabeu, onde trabalha com Dolby Atmos, e sua entrada na Visualfarm (estúdio brasileiro de arte, tecnologia e inovação) marcaram uma mudança importante na forma como passou a pensar música e performance.

A possibilidade de mover o som pelo espaço e integrá-lo a estruturas visuais abriu caminho para um pensamento menos centrado apenas na cabine e mais focado na experiência como um todo. Algo que dialoga diretamente com sua trajetória: alguém que começou na cultura clubber raíz e passou a aplicar toda sua bagagem em projetos mais amplos.

Coletividade e projetos paralelos como extensão criativa

Ao longo da carreira, Paula sempre esteve ligada a projetos colaborativos e utilizou projetos paralelos como espaço de experimentação. Foi assim com o 2Attack ao lado de DJ Mau Mau, com o VCO Rox junto de Dudu Marote, com a festa L_VE ao lado de L_cio e Danielcozta e, mais recentemente, com o Rock das Aranhas Live, projeto criado em parceria com Vivi Seixas.

Esses trabalhos ajudam a entender um aspecto importante da sua trajetória: ela nunca se limita a um único formato. Mesmo tendo consolidado uma identidade forte dentro do techno e do house, Paula sempre buscou ambientes onde pudesse explorar outras linguagens, referências e possibilidades de performance.

A MÚSICA CONECTA 2012 2026