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A música conecta

Ibiza: o guia completo – Parte 2

Por Maria Angélica Parmigiani em Notes 22.05.2026

Depois de abrir esta série pelo lado mais solar e quase mítico de Ibiza — suas praias, sua história hippie, Es Vedrà e essa ideia de ilha magnética para a música eletrônica —, chegou a hora de entrar no território onde a coisa fica mais intensa: a noite. Porque, se Ibiza virou um dos centros espirituais da cultura clubber, foi principalmente pela forma como clubs, festas, afters, deslocamentos e excessos passaram a organizar a experiência de quem chega até lá.

Mas falar da vida noturna ibicenca também exige olhar para suas contradições. A mesma ilha que oferece alguns dos lineups mais impressionantes do mundo também lida com superlotação, preços altos, deslocamentos difíceis, abuso de substâncias, policiamento, exploração e situações que nem sempre aparecem na fantasia vendida pelos vídeos de verão. Neste segundo capítulo, seguimos olhando para os dois lados da moeda: o encanto e o desgaste de uma ilha que, quando acende, parece não saber mais desligar.

Vida Noturna

Novamente, sem grandes segredos aqui. Se DJs fizessem parte de um álbum de figurinha a ser completado a cada festa que você fosse, em uma semana lá você conseguiria algumas das douradas, aquelas mais raras. Conte comigo: DC-10, Amnesia, Pacha, HÏ, Ushuaia, Eden, Privilege, Destino e festas como Circoloco, Paradise, Ants, Cocoon, Elrow, Glitterbox, Music ON, Defected, Solomun+1, Rumours.

Isso sem falar em clubs e festas que já encerraram sua jornada lá, como a Space e a Enter. Deixei várias de fora, mas a conta é grande. Quem quiser ter uma experiência mais insana pode buscar as festas tradicionais também.

Disco Bus

Esse talvez seja um dos pontos mais legais e conscientes que vivenciei lá. Existem ônibus temáticos que transportam os clubbers doidinhos das festas para outras festas, pontos centrais e principais hotéis. E pasmem: o rolê é de graça, você pode dar uma contribuição, se quiser. Tudo para você não cometer a besteira de dirigir sob o efeito de substâncias – o que vai de encontro ao próximo ponto.

Blitz

Imagine o núcleo de Terra de festas acontecendo a todo vapor e boa parte dos turistas podendo dirigir livremente alcoolizados e/ou drogados? Não dá, party people! Por isso, na alta temporada, a polícia faz uma marcação cerrada com blitz constantes. E definitivamente, se o foco é botar ordem, evitar acidentes e salvar vidas, então indiscutivelmente é um ponto alto.

Você precisa alugar um carro

Ponto que entra em conflito com o anterior. Na verdade, para muitos pode ser um ponto neutro, mas não há estrutura para o “boom de gente” que rola na alta temporada. Tem táxi, tem ônibus e tem uber, mas nos horários de pico as coisas ficam caras e disputadas e, em algumas praias escondidas, o celular não vai funcionar. Aliás, na ponta do lápis, acaba compensando mais pegar o carro para poder curtir as praias mais livremente, mas deixá-lo estacionado na parte da noite.

E por falar em boom de gente…

Superlotação dos clubs

Fato que ainda assombra a vida dos dançarinos que gostam de espaço para seus passos. Infelizmente, os clubs ficam – me permitam dizer – socados de gente, principalmente entre julho e setembro. Se você dormir no ponto, também vai se lascar com as filas. O que piora a situação é que o clima é super quente no verão, então, esteja ciente que você vai suar o bigode ao sair de casa, vai derreter nas festas (hidrate-se muito) e vai dançar colado no coleguinha. 

Fanfarrice

Sim, amamos uma baguncinha, mas convenhamos, existe gente que perde a elegância, muitas vezes por falta de conhecimento de causa. Ibiza é um lugar para férias de gente do mundo inteiro e de gente bem jovem também, que sabe que lá tudo é possível. O que acontece? Muita gente em estados bizarros, principalmente nas festas mais comerciais. Esse é um ponto que me incomoda, talvez não te incomode. Mas você há de concordar que é “bad vibes” ver gente caída pelos cantos, passando mal e desnorteada porque errou a mão…

Tráfico de drogas

Quem já foi pra lá sabe o quão fácil é para conseguir entorpecentes. Lindo poder comprar tudo lá, sem se preocupar com aeroportos, mas o problema começa quando você avalia que as pessoas envolvidas com isso na linha de frente são pretas, imigrantes ou refugiadas. Um ponto bastante problemático. Outra questão: vai comprar drogas recreativas sem saber a procedência. Às vezes, você só vai comprar algo muito falso mesmo que nem fará cócegas. Ponto dual e reflexivo.

Prostituição

Outro tópico muito sensível. Ibiza tem um lifestyle sexual famoso. Até aí, tudo bem, cada um se diverte livremente, desde que não compactue com condutas criminosas. O que acontece é que muitas mulheres acabam caindo em propostas sedutoras para sobreviver. Não são poucas as denúncias e problemas em relação a isso atreladas à violência, abuso e feminicídio. Já rodaram algumas notícias pelo mundo sobre  tráfico de mulheres indianas, orientais e de outras etnias, só para atender desejos de gente muito sick que quer essa diversão a todo custo. Eu nem vou entrar no mérito do submundo, já tem série no Netflix sobre isso.

A série continua com um último episódio na próxima semana, aqui no Alataj.

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